Graveland: Graveland Vs NSBM - Parte I

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Por Carlos Henrique Schmidt, Fonte: Graveland Official
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Oriunda da Polônia, o GRAVELAND está na ativa há quase 30 anos e com uma certa regularidade de lançamentos sendo o álbum "1050 Years of Pagan Cult", cujo o título é uma referência aos 1050 anos da cristianização da Polônia, e marca uma nova fase da banda. O disco é composto de regravações da fase Black Metal e marca a estreia da banda nos palcos. Nesta entrevista dividida em três partes Rob Darken fala acerca de temas o NSBM, paganismo, censura, fãs e política internacional.

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Lembrando que a opinião contida nesta entrevista é do artista e não do tradutor ou do site, e muitos tópicos tratados aqui são tabus e muitas vezes é importante ter-se uma ideia clara de determinados pontos de vista para formalizarmos uma opinião concreta pró ou contra determinado assunto.

Entrevista dirigida por Peter Dean (UK) (2017).

1. GRAVELAND tem sido descrita como "uma banda polonesa com laços Nacional-Socialistas (vulgos: supremacistas brancos)". Também foi afirmado que você tem contume de defender e até mesmo admitir suas visões nacional-socialistas".

Eu sou a principal força por trás de GRAVELAND. Comecei a tocar a banda sozinho inspirado pelo Dark Doom Metal e Black Metal. Fui influenciado pelas bandas que ainda são uma grande autoridade para mim, tanto musicais como ideologicamente, como Bathory, Emperor ou Venom. Mais tarde, Capricornus que era famoso por sua atitude radical se uniu a banda. Ele tinha seu próprio zine "Into the Pentagram" e permanecia em contato com o underground Black Metal de todo o mundo. Ele trocou cartas com Varg Vikernes do BURZUM e outras bandas escandinavas. A cena norueguesa foi a primeira que começou a ser radical, essa foi a influência que impactou na cena polonesa. Naqueles dias o Black Metal significava um mundo para mim. Eu realmente não me preocupava com o futuro e onde nos levaria este estilo de vida..

Quando eu permaneci nos padrões e na estética comum relacionada com esse gênero, Capricornus começou a se radicalizar politicamente. Tanto o Euronymous (MayheM) quanto o Varg Vikernes (BURZUM) tiveram sua influência sobre ele, sendo breve: a política na música. Eu ainda era um líder no GRAVELAND e eu tentei liderar a banda de forma a evitar quaisquer problemas políticos dentro dela. Capricornus iniciou seu próprio projeto na época chamado THOR'S HAMMER e também começou a tocar na INFERNUM. Quando meu gosto de música começou a se mover para O Pagan Metal, conseguimos dividir e continuei com GRAVELAND como um projeto de solo. Comecei a me inspirar mais pelo paganismo e pelo chamado "ethos" do guerreiro. Eu estava me tornando mais conservador na minha opinião e na música. Os dias do radicalismo do Black Metal estavam muito distantes de mim. Eu realmente fico com raiva quando ouço todas essas acusações de nacional-socialismo, etc. Não tem nada a ver com o que estou fazendo, mas alguns dos meus pontos de vista conservadores não são atraentes à censura moderna de esquerda. Para essas pessoas, não há lugar para essas visões na música. É por isso que eles freqüentemente me atacam e a minhas bandas dizendo que somos "nazistas" ou que tentamos nos rotular NSBM.

Isso me lembra um problema com o qual o presidente dos Estados Unidos está lidando. As pessoas que me conhecem pessoalmente sabem bem que não sou nem nazista nem racista. A GRAVELAND tem fãs de todo o mundo, eles estão muito familiarizados com o nosso material e estão dispostos a apoiar o projeto, incluindo os músicos com os quais a GRAVELAND começou a tocar ao vivo, são provenientes de bandas polonesas bem conhecidas. Os concertos que tocamos durante 2016 são prova de que tocamos Black e Pagan Metal como muitas outras bandas. Em breve, iremos a uma tour pela América do Sul onde temos muitos fãs. Alguns queriam que fossemos para a Venezuela e Cuba.

2. Quais seriam esses "laços"? E a banda - ou você - são supremacistas brancos?

É fácil hoje em dia virar uma vítima da censura, custa apenas direcionar sua música para além do que é considerado politicamente correto. Por exemplo, mostrar amor por seu próprio país, sua bandeira, suas tradições e sua cultura, crenças ancestrais e simplesmente tudo que forja seu personalidade, que lhe dá força e vontade. Para algumas pessoas, bem como os políticos que falam a favor de "valores" Marxistas, essas idéias são fortemente inaceitáveis e até hostis. Hoje a "cultura" mundial está dominado por engenheiros sociais de esquerda, que constantemente tentam forçar suas visões marxistas sobre o que é cultura. Eu cresci em um momento em que meu país se opunha fortemente ao comunismo soviético. Nossa sociedade naquela época estava lutando contra uma ditadura comunista que estava conectada ao poder e ao controle do país. Foi naqueles dias que eu aprendi a opor-me à censura e dizer: "Não" a qualquer forma de totalitarismo ou ditadura. É por isso que não quero ser escravo a serviço de um faraó pelo resto da minha vida. Eu crio música cujo objetivo é quebrar as barreiras da imposição do políticamento correto. Se alguém vê os meus laços com as crenças pagãs e o amor do meu país como sinais de supremacia branca, essa pessoa, quer ou deve ser completamente cega. Minha música é ouvida em todo o mundo, por fãs que têm cor e e crenças diferentes das minhas. É prova de que minha música é universal. E é por isso que me acusar de supremacista branco parece-me o mesmo caso que o do nazismo, são fanáticos esquerdistas do marxismo cultural que lançam esses epítetos no ar. Cada um de nós tem o direito de se sentir orgulhoso de sua cultura, seu país e seus respectivos heróis. Esses atributos são nobres e eternos.

3. Se não agora, você já aceitou esses pontos de vista no passado e já cantou ou escreveu algo relacionado a eles? Você se arrepende agora?

Muitas coisas que eu disse entre os anos de 1994 a 1999 foram influenciadas pelo radicalismo do movimento Black Metal. Eu queria tocar essa arte impura naquele momento e ser fiel aos seus respectivos princípios. Fiquei muito impressionado com o trabalho que músicos como MAYHEM, BURZUM, EMPEROR E DARKTHRONE tinham feito. Eles declaravam abertamente, a guerra ao cristianismo e criaram essa ideologia que se espalhou furiosamente pelo underground buscando novos seguidores. Até então, a cena "oficial" do Metal não aceitava isso. As gravadoras estavam interessadas principalmente em Death Metal, Black Metal ainda existia apenas no underground, e isso nos orgulhava. Nas profundezas do underground, conseguiámos fazer planos, mergulhar no ocultismo, criar sociedades secretas. Isto tinha sua própria atmosfera, era algo que nos movia.

Começava a assumir uma forma de algo verdadeiramente original. O conflito entre as bandas norueguesas culminou com a morte de um dos membros mais importantes do Underground na época - Euronymous (MayheM). O que causou uma ruptura abrupta no underground da Noruega. Quando a fumaça se dissipou, as gravadoras comerciais finalmente encontraram uma fonte para se expandir. Planejaram uma estratégia para que o Black Metal conquistasse o mercado da música. Foi quando me senti traído e desapontado. Mas o paganismo me ajudou a escapar de todo esse caos. Meus amigos que também deixaram o underground Black Metal para trás e iniciaram um novo capítulo revivendo as antigas crenças pagãs, e eles me conduziram a esse caminho. Eu me uni aos grupos que estavam ansiosos para trazer de volta os festivais pagãos e as cerimônias do passado.

Foi assim que o Pagan Metal nasceu na Polônia, graças a rituais pagãos e recriações de eventos históricos. Muitas coisas que eu disse e fiz durante os dias em que eu estava sob a influência da ideologia Black Metal, eram simplesmente irresponsáveis e inocentes. Era característico da minha juventude e minha inclinação para a rebeldia, uma vontade de ir contra a corrente. Tais idéias sempre acabam sendo verificadas pela própria vida. Com o passar do tempo, você acaba crescendo além disso ou simplesmente se move em direção a diferentes ideais ou pontos de vista. Foi o que aconteceu comigo. Eu tento não olhar para trás, o passado não pode ser alterado, você precisa seguir em frente. Os tempos são diferentes agora, existem diferentes problemas e ameaças diferentes.


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Sobre Carlos Henrique Schmidt

Graduado em Computação e Administração, a paixão pela música pesada surgiu nos primeiros anos da adolescência e permanece até os dias de hoje. Apesar da preferência pelos estilos mais x-tremos da música pesada (Black, Death, Grind), o seu universo musical não limitado por estes rótulos, mas pelo que a música em si transmite.

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