Barril de Pólvora: depende do público voltar a procurar o que é novo

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Formada por Alexis Bonfim (bateria), Saulo Santos (baixo), Flávio Drager (vocal) e Emerson Martins (guitarra), a BARRIL DE PÓLVORA está no cenário Heavy Metal mineiro desde 2005, mas só este ano lançou o primeiro álbum. A exemplo de outros grandes nomes da música, o debut, como um bom cartão de visitas, recebeu o nome da própria banda. Bem recebido pela crítica, com bons solos de guitarras, calcado no heavy metal tradicional, mas com forte influência blueseira, o que faz com que a quase todas as suas canções possam ser chamadas de "rockandrollzão", "Barril de Pólvora", o álbum, está disponível nos serviços de streaming e nas melhores lojas do ramo. Para conversar sobre ele e diversos outros assuntos, convocamos o vocalista Flávio Drager e o baterista Alexis Bonfim. Este último, que também é piloto de avião, ainda nos conta como imaginaria o encontro entre ele e um outro músico do Heavy Metal que também é dado a pilotar máquinas voadoras e como seria o tricô entre eles. Confira nossa entrevista com mais um nome do Heavy Metal mineiro, uai, sô.

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Daniel Tavares: Para começar, como esta é nossa primeira entrevista, vocês poderiam se apresentar? Dizer como é o seu som, contar um pouco da história da banda.

Flávio Drager: Opa! Salve a todos os headbangers! Nosso som possui uma influência muito forte do que foi feito principalmente nas décadas de 70 e 80. É a época que somos mais fãs musicalmente falando. Mas principalmente sempre tivemos como objetivo, apesar das influências, produzir uma música coesa, simples, direta e com características de nossa personalidade passeando pelas vertentes do Heavy Metal, Hard Rock e Blues com letras cantadas em português valorizando nossa língua pátria. A banda surgiu em meados de 2005, em Belo Horizonte, fundada pelo nosso guitarrista Emerson Martins, passando ao longo destes anos por várias formações até chegar nesta atual da qual consideramos o ponto de amadurecimento da banda e da qual gravamos o nosso "debut" homônimo "Barril de Pólvora".

Daniel Tavares: Estamos vivendo num "barril de pólvora" no Brasil e no mundo?

Flávio Drager: Infelizmente sim. Acredito que nos dias atuais mais do que nunca. A humanidade sempre passou por períodos complicados e obscuros em sua história, mas atualmente nos encontramos em um caos completo. A fome, diferenças sociais gritantes, violência e a intolerância com as diferenças estão cada vez mais acentuadas. Chamamos a atenção para esta realidade em nossas letras através de metáforas e sátiras, alertando para um problema crônico no ponto de vista humano sem levantar quaisquer bandeiras ou posições políticas. Aliás, levantamos apenas uma bandeira: a do Rock'n'Roll como a solução para os conflitos de cada um. O Rock/Metal é poderoso, tem o poder de sensibilizar e unir as pessoas em uma causa positiva que é ouvir e curtir boa música.

Daniel Tavares: É nítida a influência do Heavy Metal tradicional na música de vocês, mas também há muito de Blues. Como se dá essa mistura? O que influencia e como é o processo de composição de vocês?

Flávio Drager: Esta é uma pergunta muito interessante e importante para nós, pois fala de nossas origens como músicos. Apesar de cada um dos 4 membros possuírem histórias diferentes e gostos também, o nosso ponto mais comum (temos muitos) talvez seja com o BLACK SABBATH. Acredito que essa banda seja a maior influência que possuímos. O SABBATH nos primórdios sempre flertou com o Blues, trazendo emprestado em seus riffs uma característica mais pesada e sombria. Depois veio o JUDAS PRIEST, o ACCEPT o IRON MAIDEN e muitas tantas outras. Somos bem ecléticos no sentido musical, mas eu poderia resumir além do Sabbath na parte de influência mais blues por assim dizer, JIMI HENDRIX, THE ALLMAN BROTHERS, CREAM etc... Sem esquecer de citar os nacionais que tanto amamos, aí a lista é imensa (risos), mas eu poderia citar os principais para nós como O TERÇO, SECOS E MOLHADOS, CASA DAS MÁQUINAS, MADE IN BRAZIL, PATRULHA DO ESPAÇO, STRESS e o nosso conterrâneo KAMIKAZE. Nosso processo de composição geralmente começa com o Emerson trazendo as ideias de bases e muitas letras, já escrevendo-as pensando na harmonia. Depois todos juntos começamos a acrescentar nossas ideias e a lapidar a criação até chegar a um resultado satisfatório para todos. Um ponto muito importante é que ao mesmo tempo já fazemos as pré-produções em nosso estúdio, mais conhecido como 'Porão do Rock' (risos). Consideramos a pré-produção essencial para qualquer banda que queira produzir um CD autoral porque é através dela que é cada vez mais vislumbrado e melhorado o resultado final da composição. Então basicamente, não necessariamente nessa ordem (risos), começa com bases ainda cruas criadas pelo Emerson passando pelo aperfeiçoamento, novas bases, trechos de letras, refrão, climas etc... com a participação integral minha, do Alexis e do Saulo, passando pela produção e finalizando na produção de cada faixa.

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Daniel Tavares: Sobre o primeiro álbum de vocês, com o mesmo nome da banda, fale um pouco sobre ele, sobre como foi a gravação, sobre as estratégias de lançamento. Há algum tema recorrente nas letras?

Flávio Drager: Este álbum está sendo a experiência mais incrível que tivemos em nossa carreira musical. Crescemos como músicos e principalmente como seres humanos. Reunimos nesta produção grandes profissionais e esta foi a parte mais legal porque todos os envolvidos são acima de tudo nossos amigos e fazem parte da família 'Barril'. Isso tornou tudo mais fácil para nós porque nos sentimos em casa. Aquela coisa de mineiro tomar café ou, se preferir, uma cerveja ou pinga, reunindo todos em uma cozinha, bater um papo legal, comer boa comida e se divertir muito fez parte do processo. Só que no nosso caso, a cozinha com o fogão a lenha era o estúdio (risos). O CD tem na produção a assinatura do mestre (e digo essa palavra com toda a convicção e orgulho) Rodrigo Garcia, também conhecido pela maioria como KIKHO CARTOON. É um dos músicos mais completos e versáteis que conheço, guitarrista da banda CARTOON, nossa maior representante e expoente do Rock Progressivo mineiro com muitos anos de estrada e uma sólida carreira nacional e internacional. Ele é um grande ser humano, diferenciado e extremamente respeitado por músicos de todo o Brasil. O Rodrigo enriqueceu muito nosso trabalho com as dicas na pré-produção, produção e finalização do processo extraindo um som que surpreendeu até a nós mesmos. A gravação ficou a cargo de Carlos Ziviani e Mateus Mendes, todos amigos e excelentes profissionais que contribuíram para captar os sons e timbragens da melhor maneira possível. A mixagem e masterização ficou a cargo do nosso grande 'brother' que também passou a fazer parte da família André Cabelo. O Cabelo, como é conhecido, é um profissional muito requisitado principalmente por bandas de Metal em Minas Gerais, ele também foi o responsável pela mix e master dos nossos amigos da banda de Death Metal mineira SARCASMO liderada pelo Germano Rocha, banda essa que infelizmente acabou, mas que quem curte metal extremo conhece e sabe do que estou falando. Sem dúvidas está na história do Metal Nacional. Mixou e masterizou também o CD dos nossos amigos do PESTA, banda de Doom Metal que está em atividade e se destacando tanto no Brasil quanto no exterior. O Cabelo também é guitarrista da banda mineira CHAKAL. Essa todo headbanger conhece, pois começou na década de 80 ao lado do SARCÓFAGO e SEPULTURA, bandaça que até hoje está em atividade, e, finalmente, a capa e o trabalho gráfico de extremo bom gosto foi feito pelo Vinícius Francês. Para vocês terem ideia da importância dele na banda nós o consideramos como o 5º membro do 'Barril', participando inclusive das decisões mais importantes que tomamos. O resultado demorou 13 anos para ser vislumbrado, acrescentando que só começou a ganhar consistência profissional com o Alexis e o Saulo na banda, ponto mais importante na divulgação, pois o Alexis trouxe uma visão empreendedora à banda e o Saulo fechou a liga que faltava. É um excelente baixista e muito talentoso compositor. A estratégia de lançamento iniciou no 'Camping Rock Festival', conceituado em Minas no qual tivemos a honra e o prazer de participar. Lá começou o lançamento oficial de nosso CD estendendo a todos os shows que estamos realizando. As letras são pautadas nas críticas, sátiras e metáforas, falando de temas atuais e também alguns mais abstratos surgindo as ideias de forma bem natural e espontânea.

Daniel Tavares: E como está a agenda de divulgação dele, como estão os shows e quais os planos para um segundo álbum?

Flávio Drager: A divulgação está sendo surpreendente e muito positiva para nós, com grande aprovação dos fãs e da imprensa especializada. Estamos muito felizes com o resultado produzido, destacando mais uma vez o empreendedorismo do Alexis, buscando parcerias sólidas para a divulgação e distribuição de forma independente. O CD já se encontra disponível em BH, São Paulo e agora em Fortaleza. Aos poucos vamos divulgando nosso trabalho e conquistando amigos. Não consideramos nosso público somente fãs, mas também amigos e parceiros porque o Rock/Metal é para todos nós uma paixão, portanto fazemos questão de que cada fã se sinta importante, porque é para o público que fazemos música de forma honesta e com muito carinho. Já estamos em trabalho de composição para um segundo álbum, mas por enquanto é segredo (risos). Só posso adiantar que a linha de composição é a mesma, vai ter Blues, Rock e Metal (nossas influências), porém a tendência natural é que seja um álbum com músicas mais pesadas que o primeiro, o que nos agrada muito e temos certeza que agradará ao público. Podem esperar que vai vir mais pedrada na ideia no segundo álbum. Nossa agenda de shows encontra-se em negociação com produtores, com um show já fechado agora para o dia 23/06.Também tem previsões para julho, agosto e setembro. Estes, como ainda não estão definidos, divulgaremos posteriormente.

Daniel Tavares: Particularmente, sobre o último show, para ajudar a pequena Sara, que precisa de um transplante de medula, como foi este show, como está a Sara e o que vocês acham que ainda é possível e preciso fazer para conscientizar as pessoas para a necessidade (e a facilidade) de se cadastrar como doador?

Flávio Drager: Foi muito legal esse show. Além de ter sido por uma boa causa encontramos lá muitos amigos e nos divertimos. Infelizmente, ainda não tivemos a honra de conhecer pessoalmente a pequena Sara. O show foi um convite do produtor Pedro Cataldo, que mobilizou toda a renda em prol desta causa. Pretendemos, se possível, conhecê-la pessoalmente, o que nos deixará muito felizes. E a campanha continua! Se não me engano no dia 16/06 haverá outro show beneficente. Este, devido a agenda pessoal não poderemos participar, mas torceremos por ela. Acreditamos que nossa pequena guerreira se encontra bem e nos dá uma verdadeira lição de vida, exemplo que muitas pessoas deveriam seguir, pois vejo muita gente reclamando sobre a vida, andando desanimadas com os fatores externos, esquecendo que nesse atual momento não só a pequena Sara, mas muitas outras pessoas lutam por suas vidas. Então fica o convite para refletir: o que eu posso fazer para me melhorar e tornar as coisas melhores para alguém? Pois precisamos uns dos outros.Nenhum ser humano é auto suficiente, mas muitos se esquecem disso. Hoje em dia esta campanha de doação é bem divulgada e ampla, não sendo burocratizada. Acredito que o que fará a diferença é a boa vontade das pessoas em doar ou ajudar de alguma forma. Façamos todos a nossa parte.

Daniel Tavares: Compor em inglês ou em português é sempre um dilema para toda banda brasileira. Tentar alcançar o mercado estrangeiro ou passar melhor a mensagem para os brasileiros? Vocês escolheram a segunda opção. Gostaria de detalhar por quê?

Flávio Drager: Acho que foi uma escolha natural. Na verdade, eu e o Emerson somos parceiros há uns 25 anos e nossa primeira banda de Metal foi em 1997, uma banda de Heavy Metal que se chamava 'A Bruxa', na qual já fazíamos as letras em português. O curioso é que o Alexis e o Saulo são parceiros há quase 30 anos e também tiveram juntos com o Rodrigo Garcia sua primeira banda de Heavy Metal que se chamava SÚBITOS. Eles aderiram e gostaram da ideia de fazer letras em português no BARRIL DE PÓLVORA, consolidando este fator como nossa marca principal.

Daniel Tavares: E o que acha de bandas que preferem cantar em inglês, mas, por um motivo ou outro, jamais saíram de suas cidades?

Flávio Drager: Fazer letras para Metal em inglês é mais fácil e prático devido às métricas mais curtas do idioma, que se encaixam com mais facilidade nas bases. Fazer letras em português, além de ser bem mais difícil encaixar as métricas, também tem que tomar muito cuidado para que a letra não soe clichê, porque quem fala o idioma vai entender tudo que está sendo cantado (risos). Acho que é uma escolha muito particular de cada banda, muitas não gostam de compor em português, a maioria prefere o inglês que inclusive é a língua original do Heavy Metal e com aceitação universal. Quanto a banda não sair de sua cidade, mesmo cantando em inglês, eu digo o que eu faria na minha visão pessoal: se você tem um sonho e nele está incluso que a banda tenha projeção fora do país corra atrás, é difícil, mas não é impossível, com planejamento e metas não tem como dar errado. No caso do 'Barril' tocar lá fora não é nosso objetivo principal. Tocar na América Latina para nós é uma realidade mais palpável. Já temos fãs nos países vizinhos, mas não descartamos a possibilidade de Europa ou EUA, só que sempre será - se acontecer (tudo é possível) - em português (risos).

Daniel Tavares: Ainda nesse assunto, Minas Gerais é um celeiro de bandas de Metal, principalmente Metal Extremo, que realmente fizeram sucesso no mundo inteiro cantando em inglês, como SEPULTURA e SARCÓFAGO e a maioria daquelas que surgiram contemporaneamente à Cogumelo. Como vocês, sendo mineiros, viram ou assistiram a todo esse movimento? E como você vê o Heavy Metal em Minas Gerais hoje?

Flávio Drager: Quando estas bandas começaram na década de 80 eu era um pouco mais novo que essa rapaziada. Eu devia ter uns 10 para 11 anos de idade, mas eu já curtia Metal, embora eu jamais poderia imaginar, nessa época, que um dia eu faria parte de uma banda e lutar para difundir o Rock/Metal Nacional. Lembro que o primeiro disco que ouvi do SEPULTURA foi o 'Arise' e disse: Porra!! C...!! Que trampo foda!! Aí comecei a ouvir todas as outras: THE MIST, SÁRCOFAGO, SEXTRASH, OVERDOSE, CHAKAL e por aí vai. Mas na hora que eu ouvi um tal de KAMIKAZE eu disse: PQP!! Que sonzeira!!! Os caras fazem um som nível gringo em português!! Acho que foi ali que começou o desejo de montar uma banda, embora isso só tenha acontecido alguns anos mais tarde. Os anos 80 eram movimentados e BH era conhecida como a capital nacional do Metal, bons tempos e mesmo moleque na época eu já ia pra porta da Cogumelo escutar Heavy Metal. Nos dias atuais tem uma safra nova aí que ta dando o que falar, inclusive muitas bandas dos anos 80 voltaram à ativa. Nos dias de hoje, bandas como a SACRIFICED, EMINENCE que surgiu na década de 90, mas é a mais atuante lá fora ultimamente, PARADISE IN FLAMES, PRECEPTOR, SARCASMO que acabou, mas era uma puta banda de Death Metal nos anos 90 e 2000, talvez a melhor e por aí vai mantendo essa tradição de bandas de metal extremo. O problema é a falta de espaço para mostrar o trabalho autoral e maior interação do público que acostumou à cultura cover, nada contra. Temos covers no 'Barril', na verdade releituras, embora a tendência seja cada vez menor a execução destas músicas. Já tive bandas covers, tenho muitos amigos músicos que tocam em bandas com este objetivo, mas tem espaço para todos e as casas preferem investir no que é retorno imediato restringindo o espaço para o autoral. Felizmente, aos poucos, isto está mudando, mesmo que de forma tímida. Muitas casas de shows perceberam que podem fazer eventos mistos e depende só do público em sua maioria voltar a procurar o que é novo e não só ouvir o que já é conhecido e pronto.

Daniel Tavares: E o Heavy Metal no Nordeste. Que bandas vocês conhecem, curtem ou até tiveram alguma influência nas suas vidas?

Flávio Drager: Então, do Nordeste conheço poucas bandas, mas sei que é celeiro de excelentes bandas, principalmente de Metal Extremo. Também tem muitos festivais de gabarito, inclusive o 'Abril Pró Rock' (não sei se nos dias de hoje ainda é um festival underground). Tenho o desejo de conhecer bem mais, mas seguramente posso citar alguns clássicos: primeiro, é claro, RAUL SEIXAS, não tenho nem o que falar porque sou fã de carteirinha, toca Raul (risos)! Segundo, a história é meio controversa quanto a origem, mas sei que os principais integrantes são de Fortaleza. Falo da banda O PESO, gosto muito do som deles. Terceiro e último, puxando sardinha pro estilo que mais gosto, é claro, a banda SHOCK, fundada pelos irmãos Roque. Sou muito fã dessa galera.

Daniel Tavares: Você, Alexis, particularmente, tem um outro emprego, assim como talvez a grande maioria dos músicos, jornalistas deste meio etc. Enquanto em outros estilos parece ser mais fácil viver só da música, no Heavy Metal isso só acontece com uma pequena porcentagem de pessoas. Como você vê isso? Acha que dá pra melhorar?

Alexis Bomfim: Pois é... verdade, todos nós do 'Barril', além de músicos, realizamos outras atividades. O Heavy Metal é uma paixão assim como meu trabalho fora da banda. Sou piloto de avião e este ano completo 22 anos de profissão. Gostaria muito de viver de Rock'n'roll e Metal, e considero isso um paradoxo, pois é o estilo musical mais difundido e popular no mundo! Mas infelizmente, não é valorizado como outros estilos. Curto Metal desde criança e não tenho como agradecer as alegrias e amizades que ele me trouxe e que continua me trazendo. Falo isso pra todos e inclusive aos meus filhos. Por isso acho que sempre dá pra melhorar e mostrar para as pessoas que vale a pena valorizar o Heavy Metal.

Daniel Tavares: Andando pelo Brasil inteiro, que fato curioso ou engraçado, ou até mesmo triste ou revoltante, relacionado ao Rock ou ao Metal você poderia nos contar?

Alexis Bomfim: Isso é legal, pois tenho a oportunidade de conhecer o cenário Rock'n'Roll e Metal de várias cidades. E confesso que em algumas delas já fui surpreendido positivamente e fico feliz quando isso acontece, principalmente fora dos grandes centros urbanos. Agora, uma coisa que me deixa triste é o preconceito e o julgamento que muitas pessoas fazem até hoje do público Metal. Nas minhas visitas é muito comum escutar de alguém: 'Você quer ir naquele lugar onde só dá roqueiro esquisito?'

Daniel Tavares: E se você encontrasse com um outro piloto, que é muito famoso, um certo Bruce, o que você conversaria com ele? O que você perguntaria pra ele? O que acha que ele te perguntaria?

Alexis Bomfim: Ser piloto de avião requer dedicação e muito estudo. Passamos por avaliações anuais e com o avanço da tecnologia realizamos constantemente cursos de aperfeiçoamento. Tenho a curiosidade de saber como faz pra dar conta de administrar a carreira de sucesso e a paixão de voar. Agora, imagine a minha felicidade se o BRUCE DICKINSON me convidasse pra voar no Ed Force One (risos)?

Daniel Tavares: Agora esse "trem" é seu. Deixe sua mensagem. Fale o que quiser, sobre o que quiser, para os leitores do Whiplash.

Flavio Drager: (risos) Valeu!! Mineiro não perde o 'trem' esse é um ditado popular e verdadeiro (risos). Eu gostaria, em nome do BARRIL DE PÓLVORA, agradecer ao Whiplash o espaço concedido para que os leitores nos conheçam um pouco mais. Ficamos muito felizes com a oportunidade desta entrevista e esperamos que esta seja a primeira de muitas que virão. Aproveitamos para reforçar a mensagem aos leitores para que fortaleçam e apoiem a cena underground local de sua região. O Brasil tem excelentes bandas espalhadas por toda parte e quem movimenta a cena e cria oportunidades é o público. O rock jamais morrerá, mas precisamos de um fortalecimento por parte de todos. É aquela história certíssima: se cada um fizer a sua parte e todos se unirem em prol do fortalecimento do Heavy Metal Nacional (bandas, músicos, produtores e público) teremos uma cena de fazer inveja ao cenário underground lá de fora, porque público tem de sobra, tanto é que as bandas gringas piram quando tocam aqui (risos), então façamos essa mágica dentro de nossa própria casa. Grande abraço a todos! Vida longa ao Metal Nacional!!




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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