Blaze Bayley: "É muito bacana escutar Bruce cantar canções da minha era"
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 05 de março de 2019
Blaze Bayley é um guerreiro do metal. Sua carreira já passou por altos e baixos, mas o homem continua com seu trabalho duro criando e levantando por onde vai a bandeira do gênero musical que corre em suas veias como sangue. Da época do WOLFSBANE à controversa passagem pelo IRON MAIDEN de 1994 e 1999 até sua sólida carreira solo, conversamos brevemente com Bayley Alexander Cooke, cutucamos feridas "maidenianas" e o convidamos à divagar por um "maidenverso" paralelo. No fim, percebe-se que Bayley também está se tornando mais brasileiro a cada uma das inúmeras vindas ao nosso país. E como diria Euclides da Cunha, Blaze Bayley é, antes de tudo, um forte.
Daniel Tavares: "December Wind", com Thomas Zwijsen, "Live in France", a trilogia "Infinite Entanglement"... você não pára. O que ainda há escondido na sua manga para 2019 e você já pode nos revelar?
Blaze Bayley: Em 2019 tem um álbum ao vivo e o DVD "Blaze Bayley Live in France". São muitas canções da última turnê filmadas em um dos meus locais favoritos na França. Cru e simples. Para mais detalhes, convido a dar uma olhada em blazebayley.net
"Dark Side of The Black"
Daniel Tavares: Você acabou de deixar o Brasil. Tendo vindo aqui por tantas vezes, com o IRON MAIDEN, com seu trabalho solo, com outros cantores como Doogie White e Udo Dirkschneider, você acha que já está virando brasileiro? Há algo que você possa dizer que tenha aprendido em nosso país? Há algo que você não goste aqui (você pode ser absolutamente sincero em sua resposta)?
Blaze Bayley: Eu gosto da comida. Simples, bem feita, comida de boa qualidade. Minha favorita é feijão com arroz. Eu passei muito tempo no Brasil ao longo dos anos e toquei em mais de 100 shows por aí. Eu sinto que os fãs brasileiros entendem o que eu estou tentando fazer com minha música. Os fãs entendem a paixão.
N.T. Interessante notar que em suas respostas, Blaze sempre chama o nosso país de Brasil, como nós também o chamamos. Nas vezes em que ele se refere ao nosso país, ele nunca o chama com "Z", como grafado em seu idioma natal. Pode ser um detalhe que passaria despercebido, mas atesta um pouco mais, não exatamente em palavras, a relação do artista com nosso país.
Daniel Tavares: Além dos nomes que eu acabei de mencionar, você também cantou recentemente com ANDRE MATOS também. Se nós imaginássemos um mundo paralelo onde ele fosse o escolhido para cantar no IRON MAIDEN nos anos 90, como você acha que ele estaria com a banda? E quanto a você, o que você acha que estaria fazendo nesse "Maidenverso" paralelo? Acha que iniciaria mais cedo a sua carreira solo ou lançar mais álbuns com o WOLFSBANE?
Blaze Bayley: Uma questão interessante. O WOLFSBANE voltou à ativa. Fizemos novos álbums. Dê uma olhada no Wolfsbanehms.com
No "maidenverse" paralelo eu provavelmente me tornaria um chef de cozinha que canta e me especializaria em pratos com peixes. Eu poderia trabalhar nos domingos nas belas praias do Brasil.
Nota: Blaze acabou não respondendo ao resto da pergunta (sobre ANDRE MATOS), mas em 2011, em entrevista para Lucas Moita, do MoitaRock, Blaze comentou sobre Matos: "Ele é um cantor muito bom! Muito, muito bom. A voz dele é muito mais direcionada ao Iron Maiden do que a minha voz. Ele poderia cantar as músicas clássicas, como "The Trooper", e talvez coisas do "Somewhere In time". Ele provavelmente poderia fazer isso muito melhor do que eu, porque a voz dele é diferente, ele tem um alcance muito alto e minha voz não é tão alta assim". O próprio ANDRE MATOS também me respondeu a uma pergunta parecida (sobre como seria o som da banda se ele tivesse entrado ao invés de BLAZE): Impossível dizer. Nas palavras do próprio BLAZE, a quem conheci pessoalmente, e que teve uma atitude de extrema dignidade ao dizer isso, "eu me sairia provavelmente melhor que ele" nos vocais do MAIDEN. Porém, como nunca acreditei de verdade que isto pudesse acontecer (era muito jovem, era um vocalista brasileiro quase sem nenhuma história) - não me frustrei ao não ser escolhido. Pelo contrário, isto me deu ainda mais gás para levar adiante o meu mais novo projeto na época, que era nada menos que o "Angels Cry". Portanto, acredito que o destino nos leva onde temos de estar e no momento em que temos de estar lá.
Daniel Tavares: "Virtual XI" é um dos meus álbuns favoritos. Eu o ouvi várias e várias vezes durante meus anos na universidade e ele é parte da minha vida. No entanto, algumas pessoas não gostam dele e até falam que algumas canções são repetitivas. Eu, da minha parte, acho que versos como "Don't You Think I'm A Savior / Don't You Think I Can Save Your Life" e "Make The Lightning Strike Twice" sendo repetidos insistentemente da forma como são na canção tem o propósito de criar uma espécie de clima. O que você diz de tudo isso? E ainda neste tópico, o que você acha de Dickinson cantando canções como The Clansman?
Blaze Bayley: Bruce Dickinson é um grande vocalista e uma lenda. É muito bacana escutar o mestre cantar canções da minha era com o MAIDEN. Quando eu toco canções dos dois álbuns que eu fiz com o MAIDEN eu frequentemente faço meus próprios arranjos, que se encaixam melhor no meu estilo solo. Foi um grande período da minha vida e eu tenho muita sorte de fazer parte do legado do IRON MAIDEN.
Nota: Bruce também se derreteu em elogios em entrevista ao famoso jornalista Mitch Lafon. Bruce disse: "Na verdade, algumas das músicas funcionam bem (com minha voz), algumas não tanto. São músicas que muitos fãs do Iron Maiden apreciaram, em particular 'The Clasnman' e 'Sign Of The Cross". E completa: "ele se viu numa situação extremamente difícil, sua voz era muito diferente da minha e ele tinha que tentar cantar algumas das músicas antigas do Maiden, era uma coisa muito complicada (pra ele). E Blaze era e ainda é um cara muito, muito gente boa, e eu tenho um grande respeito por ele".
Daniel Tavares: Por último, mas não menos importante, deixe uma mensagem para todos os seus fãs, nossos leitores, e, claro, prometa voltar ao Brasil em breve, especialmente em Fortaleza, onde eu moro.
Blaze Bayley: Grandes abraços a todos os meus fãs maravilhosos no Brasil. Estou trabalhando em uma turnê no Brasil para 2020 com um pouco mais das minhas canções de "Infinite Entanglement".
O DVD "Live in France" foi lançado nesta sexta-feira, 1 de março. Você pode conferir também nos serviços online de streaming como o Spotify.
Confira abaixo os links para as entrevistas citadas:
Agradecimentos: Isabele Miranda
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