O melhor guitarrista de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
Por Gustavo Maiato
Postado em 08 de março de 2026
Quando se fala em grandes guitarristas da história, nomes como Jimi Hendrix, Eric Clapton ou Jimmy Page costumam aparecer imediatamente. Mas para Bob Dylan, o músico que mais o impressionou não pertence exatamente à lista mais popular do rock.
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Ao longo da carreira, Dylan sempre priorizou a força da composição e da interpretação acima da técnica instrumental. Canções como Blowin' in the Wind nasceram praticamente despidas de arranjos sofisticados. Ainda assim, quando chegou a hora de gravar seus trabalhos mais ambiciosos, ele fez questão de reunir músicos capazes de traduzir a emoção das canções.
Nos anos 1960, essa busca por novos sons levou Dylan a abandonar o folk acústico e abraçar guitarras elétricas - decisão que provocou indignação entre puristas do gênero. O passo decisivo aconteceu durante as sessões de Highway 61 Revisited, quando ele chamou um guitarrista que, segundo o próprio artista, parecia entender perfeitamente o espírito de suas músicas.
Esse músico era Mike Bloomfield, então conhecido por seu trabalho na The Paul Butterfield Blues Band. Bloomfield tocou na histórica gravação de Like a Rolling Stone, considerada uma das faixas mais importantes da história do rock.
Em declarações lembradas pelo jornalista Tim Coffman no site Far Out, Dylan não economizou elogios ao falar do guitarrista: "Quando pensei em trazer um guitarrista para tocar no meu disco, a única pessoa em quem pensei foi nele. Quero dizer, ele era simplesmente o melhor guitarrista que eu já tinha ouvido em qualquer nível."
O compositor também destacou a versatilidade de Bloomfield, capaz de transitar por diferentes estilos com naturalidade: "Ele conseguia tocar com palheta, conseguia tocar fingerstyle. Parecia que tinha nascido para tocar guitarra."
Bloomfield não era exatamente um virtuose no sentido técnico que viria a dominar o rock nos anos seguintes. Mas seu estilo carregado de blues, cheio de imperfeições e emoção, era justamente o que Dylan buscava. Cada nota parecia vir carregada da tradição de músicos como John Lee Hooker e Robert Johnson, referências fundamentais do gênero.
Para Dylan, o importante nunca foi tocar mais rápido ou mais limpo do que os outros guitarristas. O que ele procurava era alguém capaz de expressar sentimentos através do instrumento com a mesma intensidade que ele colocava em suas letras. E, nesse aspecto, Bloomfield parecia ser o parceiro ideal.
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