Enslaved: "Somos escravizados pelo desejo de fazer constantemente músicas excelentes"

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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Não há nada mais estranhamente ruidoso e maravilhoso ao mesmo tempo que o Black Metal e o Metal Progressivo. Quando ambos os estilos se juntam, temos verdadeiras anomalias musicais como a banda ENSLAVED. E o termo anomalia aqui se reveste de um sentido que é extremamente positivo, a despeito até mesmo do pessimismo de algumas letras. Anomalia aqui remete a unicidade, a raridade e até a pioneirismo. E a ENSLAVED estará no Brasil neste final de semana. A banda norueguesa retorna ao País depois de estrear no Overload Music Fest há cerca de dois anos. Grutle Kjellson (vocal/baixo), Ivar Bjørnson (guitarra), Arve "Ice Dale" Isdal (guitarra), Håkon Vinje (teclado) e Iver Sandøy (bateria) farão dois shows no Brasil (30 de março no Centro de Eventos da FNAC em Novo Hamburgo, RS, e 31 de março no Carioca, em São Paulo, SP). Conversamos com Grutle, Ivar e Iver sobre o último álbum, o excelente "E", sobre a turnê, que no Brasil passará por São Paulo e Novo Hamburgo, sobre LED ZEPPELIN, BATHORY, a série Vikings e, claro, sobre o filme Lords of Chaos. Na pergunta sobre músicos brasileiros, uma surpresa. Além de SEPULTURA e SARCÓFAGO (esta presente na trilha sonora de Lords of Chaos), os caras também conhecem e curtem Villa Lobos e um grande percussionista que perdemos recentemente. Saiba quem na entrevista exclusiva abaixo.

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Fernando Yokota
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Daniel Tavares: Primeiro, a questão inevitável. O que os fãs podem esperar dos shows no Brasil?

Iver Sandøy (bateria, vocais): Queremos apresentar um set que englobe toda a nossa carreira, incluindo algumas das mais antigas canções do ENSLAVED até o material mais recente, além de uma boa mistura das épocas entre elas. Então, sem realmente estragar as surpresas: sim, haverá músicas do "Frost", e também do "E".

Daniel Tavares: Como vocês viram a reação ao "E", seu álbum mais recente?

Grutle Kjellson (vocais, baixo): Foi absolutamente fantástica! Nós estávamos realmente curiosos quanto as reações, devido a mudanças na banda e tudo mais, mas a resposta foi ótima desde o primeiro dia. Com este lançamento, conseguimos dar alguns saltos fora da nossa zona de conforto e fizemos um álbum realmente interessante. A mídia foi muito positiva, assim como o público quando tocamos as músicas ao vivo. "E" também nos deu um novo prêmio Grammy norueguês, então não podemos reclamar!

Daniel Tavares: Algumas pessoas (na verdade, muitas delas) escrevem incorretamente o nome do álbum como "M", devido à semelhança da letra rúnica "E" com a letra latina M. Isso incomodou vocês? Ou foi intencional de alguma forma?

Ivar Bjørnson (guitarra): Não, não, não nos incomodamos de forma alguma. Sabíamos que isso aconteceria, mas não é um problema, eu acho - tenho certeza de que as pessoas ainda serão capazes de encontrar o álbum. E se nada mais, isto dá às pessoas algo sobre o que falar. E isso pode ser bom também! O importante era deixar a runa ser o título do álbum, então não é realmente um grande problema para mim como artista. Mas sim, nossos managers ficaram muito irritados. Haha.

Daniel Tavares: Além disso, quais são os planos ENSLAVED após o "E" e esta turnê?

Iver: Esta é a turnê principal nesta primavera, mas também temos alguns festivais e shows de clubes alinhados, mantendo-nos ocupados durante o verão e início do outono.

Iver: Já estamos nos estágios iniciais de material para o próximo álbum, e o plano é entrar no estúdio no final de 2019.

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Daniel Tavares: A ENSLAVED tem um nome que difere de outras bandas no sentido de que os nomes delas estão sempre posicionando-as como algo forte ou vitorioso, algo massivo, algo na posição de ataque, enquanto vocês são "escravizados". Escravizados por quem? Ou por quê? Qual é o verdadeiro significado do nome da sua banda?

Grutle: Bem, para ser honesto, nós não pensamos muito sobre isso quando demos nome à banda no início de 1991. Eu e o Ivar tínhamos acabado de sair da nossa antiga banda, PHOBIA, e estávamos procurando um nome para a nossa nova banda. A IMMORTAL, que tinha acabado de começar uns 6 meses antes, tinha uma música chamada "Enslaved In Rot", e Demonaz disse "ei! Enslaved é um ótimo nome para sua nova banda! " Nós apenas pensamos:" Yeah! Isso soa bem ". Então, nós ficamos com isso. Eu acho que é um ótimo nome, porque você é sempre escravizado por alguma coisa, certo? Você pode dizer que somos escravizados pelo desejo de fazer constantemente músicas excelentes, originais e interessantes! Ou algo completamente diferente ...

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Daniel Tavares: A ENSLAVED é considerada uma das maiores bandas de Viking Metal. E a cultura Viking se espalhou mais pelo mundo nos últimos anos também com a série de TV Vikings, do History Channel. Você vê a série? O que você acha disso?

Ivar: Eu assisti um pouco de um ou dois episódios algumas temporadas atrás para conferir a música, já que meu amigo Einar Selvik [N.T. WARDRUNA, ex-GORGOROTH] está por trás dela. Mas a série em si não tem apelo pessoal para mim, lamento dizer - não é precisa historicamente nem sociologicamente, então meio que perde sua glória para mim. Isso é porque eu sou um nerd, eu acho. Em geral, acho que é ótimo se séries como essa podem inspirar as pessoas a aprender sobre isso, ou sobre suas próprias variantes locais da história - e então ótimo!

Nota: em outra entrevista, Grutle Kjellson foi bem menos amigável ao ser questionado sobre a série. "Terrível. Absolutamente medonho. A série está destruindo aquela era pra mim. Eu não me importaria se eles - é um conto de fadas. Não é baseado em fatos históricos ou arqueológicos. Tudo naquela série é fake. Eles não tinham aquela aparência, não viviam daquele jeito, não se comportavam daquele jeito e certamente nem falavam daquele jeito. É apenas uma terrível adaptação de Hollywood. Aliás, nem é uma adaptação e sim um conto de fadas que batizaram com o nome 'Vikings'. Eles deveriam ter batizado de 'As novas aventuras de Conan e seus amigos'. Esta é minha opinião (risos)", disse Grutle à Metal Underground em outubro do ano passado.

Fernando Yokota
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Daniel Tavares: No filme "Lords of Chaos", que retrata o nascimento do Black Metal norueguês, os eventos do Inner Circle, a participação de Varg Vikernes (que também era de Bergen) em tudo isso ... Você viu o filme? Qual a sua opinião sobre isso?

Ivar: Não, não vi, e tenho certeza que não vou ver. Claro, Åkerlund fazia parte de uma banda que começou o Black Metal, então ele deveria ter o direito de arruiná-lo - mas eu não estarei lá para assistir.

Daniel Tavares: O diretor também tocou bateria para o BATHORY. Outra grande banda de viking metal, considerada uma das mais influentes no estilo, mas infelizmente se desfez após a morte de Quorthon. O que você pode dizer sobre essa banda e sua influência no seu estilo musical?

Grutle: Eu acho que seria muito injusto afirmar que Åkerlund teve muito impacto sobre o som do BATHORY, já que ele estava envolvido em um estágio muito inicial em 83/84. Quorthon era o BATHORY e nunca foi uma banda real com outros membros, apenas membros contratados diferentes de tempos em tempos. Mas sim! O BATHORY foi extremamente influente, talvez o mais influente de toda a cena na Suécia e na Noruega. E, para o ENSLAVED também, um grande momento. Naquela época nós apenas sentávamos por horas e horas, apenas bebendo cerveja e ouvindo "Hammerheart" e "Twilight of the Gods", em vez de vaguear por aí tentando arrumar drogas ou garotas... hehe. Você ainda pode encontrar inspiração do BATHORY em nossos lançamentos, e duvido que isso algum dia acabe.

Fernando Yokota
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Daniel Tavares: Outra banda que nós presumimos que vocês gostem é LED ZEPPELIN. Vocês fizeram uma versão cover de "Immigrant Song" em seu último álbum. O que você pode dizer da influência que o LED ZEPPELIN teve nos primeiros dias do Heavy Metal?

Grutle: Você está absolutamente certo! O LED ZEPPELIN teve, talvez, o maior impacto de todos eles! O LED ZEPPELIN trouxe a energia do rock'n roll e o peso do blues e de alguma forma se transformou em algo que agora chamamos de Hard Rock ou Heavy Metal. O LED ZEPPELIN foi provavelmente a minha primeira grande paixão e me arrebatou para a música pesada, e uma das minhas primeiras compras foi o brilhante álbum "Presence" de 1976. Esse álbum (muito subestimado) ainda se destaca como um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos. Eu acho que o amor pelo ZEPPELIN é mútuo entre todos os membros da banda. Se você gosta de música pesada, é quase impossível não reconhecer o Led Zeppelin como a nave-mãe!

Daniel Tavares: Eu sempre faço essa pergunta para todos os meus entrevistados. Tem algum músico ou banda brasileira que vocês gostem e ouçam na sua casa, ou mesmo que tenha tido alguma influência na sua música e carreira?

Iver: O SARCÓFAGO foi uma das bandas que alcançaram o underground norueguês nos anos 90, e pode-se dizer que elas influenciaram as primeiras bandas de black metal até certo ponto.

Iver: Depois, há o KRISIUN- uma ótima banda, especialmente ao vivo.

Iver: Não há como não mencionar o SEPULTURA- verdadeiros pioneiros do metal e uma banda que realmente merece o devido respeito.

Iver: Fora do metal, é claro que há também muita música brasileira que vale a pena mencionar.

Iver: O grande percussionista Naná Vasconcelos vem à mente, pois colaborou com vários dos mais conhecidos músicos de jazz noruegueses nos anos 90, como Arild Andersen e Jan Garbarek. O álbum "I Took Up The Runes" (1990) de Garbarek é fantástico, Confira. Também um bom paralelo ao Enslaved com as runas no título, hehe.

Iver: Finalmente, o grande compositor Heitor Villa-Lobos - gosto de suas obras orquestrais, onde ele mistura os elementos mais "exóticos" e percussivos com a tradição européia mais reconhecível (para nós), mas sua contribuição para o repertório da guitarra clássica pode ser o que eu mais ouvi, especialmente as obras que ele escreveu para Segóvia.

Daniel Tavares: Vamos terminar com uma mensagem para todos os fãs do ENSLAVED aqui na América do Sul.

Iver: Espero ver muitos dos nossos fãs nos shows, estamos muito felizes por esta turnê! Muitas dessas cidades nós visitaremos pela primeira vez na carreira de 28 anos da banda, então vamos juntos fazer dessa turnê algo para lembrar por mais 28 anos - ou pelo menos até retornarmos, o que esperamos que seja muito mais cedo!

Os ingressos para São Paulo continuam à venda na Galeria do Rock (Paranoid Recors), pelo site do Clube do Ingresso e pontos autorizados em Barueri, Belo Horizonte, Curitiba, Guarulhos, Osasco, Rio de Janeiro, Santo André, São Caetano do Sul e capital paulista.

INGRESSOS SAO PAULO
Pista meia ou promocional - : R$ 120,00*
Camarote meia ou promocional - R$ 190,00*
* O ingresso promocional antecipado é válido mediante a entrega de 1 kg de alimento não-perecível na entrada do evento.

INGRESSOS NOVO HAMBURGO
1º lote Meia R$ 80,00 | Promocional R$ 120,00 | Inteira R$ 160,00
*O ingresso promocional antecipado é válido mediante a entrega de 1 kg de alimento não-perecível na entrada do evento em ambas as cidades.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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