Enthroned: "O Black Metal é como um covil de cobras"

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Por Vicente Reckziegel, Fonte: Witheverytearadream
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O Enthroned é um dos principais nomes do Black Metal mundial, e um dos grandes ícones do Metal belga, que não possui a mesma reputação que seus vizinhos, ao menos no quesito popularidade. E, com essa longa e exitosa carreira, estarão agora no final do mês vindo ao Brasil para tocar no tradicional "Setembro Negro".

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Muito solicito, o guitarrista/vocalista Nornagest, o mais antigo membro da banda, fala sobre essa apresentação, a grande turnê que farão por toda a America latina, e sobre o atual momento da banda. Inclusive dando detalhes em primeira mão sobre o novo álbum e contando histórias da estrada, em situações que só acontecem no Black Metal mesmo...

Vicente - Vocês tocarão este mês no Brasil, no "Setembro Negro". O que você espera deste show?

Nornagest - O Brasil sempre foi muito receptivo ao Enthroned, e nós mesmos temos um relacionamento especial com nossos fãs brasileiros, parece que é como se tocássemos um pouco em casa, você sabe.
O que eu espero e o que desejo são duas coisas diferentes; Eu desejo que a multidão enlouqueça novamente, como nos velhos tempos, e eu espero que vocês também não estejam muito cansados, que venham em massa para os shows. Eu espero nada mais do que uma loucura total, os fãs brasileiros têm uma reputação de serem dedicados e selvagens, espero que eles façam jus a essa reputação, e nos mostrem mais uma vez o quanto eles são dedicados ao Metal e ao Black Metal.

Vicente - E o que os fãs daqui do Brasil podem esperar do Enthroned?

Nornagest - Esta será a nossa última turnê antes do lançamento do novo álbum, então vamos entregar nosso set com uma mescla de faixas que vão desde os primeiros dias até o álbum "Sovereigns", apresentando nossos novos membros que tocarão pela primeira vez no Brasil: Shagal e Norgaath. Neraath também está de volta ao vivo com a gente na América do Sul, com seu estilo típico de guitarra, agressivo e sombrio. É a primeira vez em muito tempo que vamos tocar no Brasil com a formação oficial completa, e estou ansioso por isso.

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Vicente - Falando nisso, a banda fará muitos shows em toda a América Latina. O que você acha do público desses lugares?

Nornagest - Nós já conhecemos o Brasil e a Colômbia de cor, então conhecemos o público de lá. Nós não tocamos no Chile, Equador e Peru há algum tempo, então estamos curiosos para ver se eles evoluíram para um público mais brutal, e nós nunca tocamos para os outros países que iremos visitar, então será uma grande surpresa, e estou curioso para ver o Enthroned levar as nossas cerimônias nessas novas regiões.

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Vicente - O último álbum da banda é "Sovereigns", lançado em 2014. Como foi o processo de composição e gravação deste álbum, e a reação dos fãs foi a que você esperava?

Nornagest - O álbum foi composto e gravado muito rápido, essas músicas estavam fervendo, prontas para serem colocadas juntas. Todos nós escrevemos músicas separadamente, faixas que significaram algo para nós e nos unimos por apenas uma semana, dia e noite, e compomos "Sovereigns" juntos dessa maneira. Como um álbum, foi muito fácil compor e gravar. As reações do público foram surpreendentes: antigos fãs voltaram, fizemos novos e os fãs que já estavam lá ficaram totalmente confusos. É um álbum que colocou antigos e novos fãs na mesma página, o que na verdade não foi intencional, mas com certeza foi uma boa surpresa.

Vicente - E um novo álbum em breve? O que você poderia dizer aos fãs sobre isso?

Nornagest - Houve muitos eventos na vida da banda e seus membros desde "Sovereigns", e muitas dessas coisas retardaram o processo de composição do novo álbum. Também tivemos grandes mudanças na formação, devido ao compromisso com outras atividades ou por motivos de saúde, enquanto outros tiveram pouco tempo, devido a outras atividades e a própria vida pessoal, então demorou um pouco, mas o novo álbum está chegando. Acabamos de gravar o sucessor de "Sovereigns" e agora estamos cuidando do processo de mixagem, masterização, lidando com as artes e assim por diante. O novo álbum será um pouco diferente. Deixe-me explicar um pouco: esta nova obra é de longe o álbum mais obscuro e mais "frio" que compusemos até agora. Está cheio de raiva, escuridão e nós tentamos coisas novas, exploramos novos lados, diferentes versões de nossa arte. Não se preocupe, ainda é Enthroned, nada de virada de 180 graus de estilo, apenas como eu expliquei. Eu não quero revelar muito ainda, mas estamos entusiasmados por finalmente lançar este álbum - ao contrário de "Sovereigns", este também foi o álbum mais difícil de fazer, não por falta de inspiração, mas devido a muita coisa. De obstáculos que encontramos no caminho, mas no verdadeiro estilo do Enthroned, nós somos teimosos e seguimos adiante, para compor um álbum do qual todos nós nos orgulhamos. Este álbum também será em colaboração com uma nova gravadora, nova formação, então fiquem ligados... mais informações estarão disponíveis em breve.

Vicente - Em todos esses anos na estrada e shows realizados, qual foi o momento mais estranho em uma apresentação do Enthroned?

Nornagest - Há alguns para ser honesto. Nós tivemos um cara que veio seminu no palco e cortou seus pulsos e morreu no caminho para o hospital, por exemplo. Mas você poderia realmente chamar isso de estranho hoje em dia?

Nornagest - Muitas coisas incomuns podem acontecer durante um show de Black Metal, então estamos acostumados a ver coisas estranhas acontecerem. No México, um cara me perguntou se eu era um padre satânico ordenado, e se eu concordaria em casar ele e sua namorada durante um de nossos shows, o que não aconteceu, é claro. Esse foi um pedido estranho para mim.

Vicente - Black Metal é, e sempre foi um gênero de extremos, amado por alguns e odiado por outros. Como você analisa o cenário do estilo nestes dias? Há novas bandas que você gosta?

Nornagest - Black Metal é um gênero cheio de polêmicas, mesmo para as pessoas envolvidas na cena. Você poderia compará-lo a um covil de cobras, todo mundo está no mesmo buraco, mas está deslizando um sobre o outro, acasalando, se unindo, mordendo e matando um e outro. O que, na minha opinião, é melhor assim, do que quando tivemos aquela moda Black Metal, que ocorreu alguns anos atrás, então o gênero se tornou um verdadeiro circo de palhaços. Nos dias de hoje, o verdadeiro espírito está renascendo novamente, Black Metal está de alguma forma ganhando sua identidade "perigosa" novamente aqui e ali, entre aqueles que entenderam sua abordagem e objetivo, simplesmente porque aqueles indivíduos têm uma razão para tocar Black Metal, e não porque é outro gênero musical que eles gostam. Existem algumas novas bandas que eu apoio e gosto, porque elas têm essa abordagem e / ou simplesmente porque eles são muito bons, na minha opinião: Schammasch da Suíça, Iteru da Bélgica, Whoredom Rife da Noruega e Ultra Silvam da Suécia, para citar apenas alguns poucos.

Vicente - Por favor, em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Dark Funeral - Eu gostei dos três primeiros lançamentos, MCD e os dois primeiros álbuns, mas parei de segui-los depois disso, já que eu não gostava de seu novo material, mas o álbum mais recente deles não parece ruim, eu deveria dar uma olhada, mas não sou um grande fã, embora ainda goste de suas primeiras coisas.

Cannibal Corpse - Ótimos músicos, ótimos caras, igual ao anterior; Eu deixei de seguir depois do álbum "Bloodthirst" que eu gostei muito, mas o que eles fizeram depois não me trouxe nada e eu parei de segui-los, mas talvez eu esteja perdendo alguma coisa, porque eu realmente não chequei nenhum álbum depois disso. Mas ainda uma banda impressionante ao vivo.

Marduk - Uma banda com uma grande evolução, na minha humilde opinião, muitas pessoas estavam reclamando quando Legion deixou a banda. Como de costume, as pessoas sempre farão barulho e reclamam quando um vocalista sai, mas vamos lá, ele teve problemas de garganta, família etc... Mas, de qualquer forma esse não é o ponto, fiquei emocionado quando soube que eles pegaram Arioch, do Funeral Mist, como seu novo vocalista, ele é, na minha opinião, um dos melhores vocalistas de Black Metal por aí, com um tipo único de vocal e ele trouxe para o Marduk o que estava faltando: Trevas. Eu não vou dizer que sou um grande fã de Marduk, mas eu realmente gosto deles, uma das melhores bandas do gênero. Ainda tenho que checar seu novo álbum, o single soou promissor - diferente, mas promissor.

Deicide - Eles perderam algo depois de "Once upon the Cross", realmente os amei musicalmente, sempre tive minhas dúvidas sobre Glen Benton, mas quem se importa agora, mas, na minha opinião, eles tomaram algumas decisões erradas e definitivamente perderam algo depois daquele disco.

King Diamond - Bem, aqui eu sou um fã... NUNCA ouça um álbum King Diamond sem ler as letras. Esse cara transforma histórias/filmes de terror em música da maneira perfeita. Uma voz única, atmosferas únicas, lendárias... Nada mais a acrescentar.

Vicente - Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que amam o som e querem saber muito mais sobre o Enthroned.

Nornagest - Obrigado pela entrevista, e nos vemos no Festival Setembro Negro, em São Paulo neste mês. E vamos reerguer o inferno!




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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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