Incognosci: Leia entrevista com o vocalista Iron
Por Alexandre Campos Capitão
Postado em 05 de outubro de 2020
Uma das bandas mais promissoras do death metal nacional, o Incognosci é formado por Iron (Vocals), Jonathas "Jon" Pereira (Guitars - endorsed by Eco Guitar), Marcos Medeiros (Bass) e Braulio Drummond (Drums). Com 12 anos de estrada a banda está prestes a lançar seu primeiro full. Leia entrevista com o vocalista.
1 - O Incognosci é considerado um dream team do death metal, pois é formado por músicos experientes, e com passagens por bandas importantes. Fale um pouco sobre o momento atual da banda.
IRON: Bom, muito nos agrada o termo "dream team". Todos os membros da banda já estão na estrada há algum tempo, eu no Gutted Souls e com passagens pelo Forceps e outras bandas de Death Metal, Braulio tocando com Paul Dianno, Avec Tristesse, Unearthly, enfim. Nós trabalhamos nesse álbum por muito tempo, literalmente por anos, porque somos perfeccionistas e temos agendas bem corridas. Agora é a hora de "puxar o gatilho" e soltar nossa criatura no mundo.
2 - A nome Incognosci, remete à "incognoscível", que é definida pelo dicionário como "difícil de conhecer". Como esse conceito se aplica ao som de vocês?
IRON: Desde a criação, a idéia é que o som do Incognosci fosse diferente. Quando o Jon e o Marcos sugeriram que eu criasse um nome pra banda embrionária, achei essa brincadeira com incognoscível, perfeita pro que pretendíamos criar: uma banda de Death Metal que brinca um pouco com as barreiras do estilo, tanto líricas quanto musicais.
3 – Em "Trapped in Spontaneous Disintegration" vocês iniciaram uma história temática, que teve continuidade no single "Eleven Years", e que prometem desenvolver como história maior no full-length. O que podem adiantar sobre essa temática que vai conduzir o álbum?
IRON: A história se expande e se conclui neste álbum. Uma história de lavagem cerebral que teve como inspiração os escândalos dos experimentos feitos com LSD nas alas psiquatricas americanas nos anos 70. É um ensaio sobre a perda de controle, e questionar sua própria sanidade.
4 – Os álbuns conceituais são comuns no metal. Mesmo assim, o estilo não é tão valorizado em termos de conteúdo lírico. Como vocês desenvolvem as letras, e qual a importância delas pro Incognosci?
IRON: Até por eu ser letrista, eu sempre fui extremamente conectado com o conteúdo lírico. Inclusive tem bandas que eu acho que seriam muito mais poderosas se dessem tanta atenção as letras quanto dão aos riffs. O meu processo com o Incognosci é o mesmo que faço em todas as bandas que escrevo letras: há um cerne, um norte que guia a banda, e em cima disso eu busco histórias e eventos pouco conhecidos para servir de guia para a escrita. No caso do Incognosci, a idéia é falar sobre a loucura, no caso o "tornar-se louco" nesse primeiro disco.
5 – Nós de outra região do Brasil temos uma visão muito caricata do Rio de Janeiro, sempre baseada nos extremos, ou é tudo festa ou violência. O death metal seria o verdadeiro som do Rio, e não o funk ou o samba? Fala um pouco sobre o cenário de metal no estado.
IRON: Nas vezes que estive em SP e em outros estados com as bandas que toco, sempre é essa a reação. "Nossa, não sabia que no Rio de Janeiro tinha banda assim". Realmente é uma visão caricata, mas que é bem estabelecida. O metal pulsa forte aqui no Rio, muitos festivais e casas de shows lendárias já abriram e fecharam. Já tivemos eventos na baixada só com bandas underground com mais de 400 pessoas. Mas realmente isso tem pouca visibilidade fora do estado. De bandas que eu posso citar, aqui temos o Hatefulmurder, Forceps, Peristaltic Movement, Velho, Poems Death, Gutted Souls, Hicsos, Cult of Horror, Dark Tower, Siriun, entre muitas outras. Temos do Heavy Metal polido ao Grind sujo.
6 – O público do metal é considerado um dos mais fiéis, mas o público do death metal parece se diferenciar ainda mais, e é um dos que mais compram cds. Que valor vocês dão para a distribuição do material físico?
IRON: Como eu e o Jon somos colecionadores (o Jon mais ainda que eu), pra nós era indispensável ter o material físico. Os fãs de Death Metal do mundo todo valorizam muito os cds, vinis e tapes. Não podíamos deixar de atender essa vontade. Normalmente eu quem fico nas bancas, vendendo os materiais físicos. Pra mim é uma experiência maravilhosa esse momento de interação com os fãs de música, sempre rolam fotos, histórias, e muita cerveja.
7 - Vocês anunciaram o próximo lançamento com o selo Extreme Sound, que já lançou Krisiun, Unleashed, Bloodbath, como estão projetando essa nova fase da banda e o que podemos esperar desse full length?
IRON: Podem esperar Death Metal diferente. Uma banda que tem grooves inspirados em baião, mas que também tem blastbeats pra nenhum fã de metal brutal pôr defeito. Tem muito de old school, mas tem muito da nova escola do metal. Buscamos o apoio de George Bokos (Rotting Christ) para produzir o material, e conseguimos fechar com a Extreme, a melhor gravadora de Death Metal no Brasil atualmente. Nossas expectativas são imensas.
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