Paulo Baron: A repercussão mundial do livro em entrevista

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Por Cecília Gomes
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Paulo Baron, empresário pioneiro no mercado brasileiro de shows, lança seu livro "Rocking All My Dreams" em inglês e comenta repercussão mundial do livro em entrevista.

Paulo Baron, respeitado empresário a frente da Top Link Music, é conhecido pela sua simpatia e por criar laços de amizade com grandes nomes do rock clássico como Scorpions, Creedence Clearwater, Europe, Nazareth e muitos outros, a lista é enorme. É por isso que ele acaba de lançar uma versão em inglês de "Rocking All My Dreams", seu livro de memórias, um grande sucesso de vendas no Brasil em 2019, com muitas histórias de estrada e curiosidades de backstage sobre diversas bandas que a nação roqueira adora acompanhar.

Paulo Baron já confirmou que em 2020 vai trazer as bandas UFO, Symphony X, Sons Of Apollo, The Yardbirds e Tarja Turunen, só para citar alguns dos shows já confirmados que devem desembarcar em São Paulo. Em "Rocking All My Dreams" é possível conhecer um pouco mais sobre a trajetória de vida dele, além de curiosidades sobre as bandas com quem ele já trabalhou de perto. Veja, a seguir, uma entrevista sobre o lançamento da versão do livro em inglês:

Com uma versão de "Rocking All My Dreams" em inglês, agora mais artistas, profissionais do show business e também os fãs poderão acompanhar sua saga de maneira internacional. Você pensou nisso quando decidiu lançar a versão para Kindle? Por que tomou essa decisão?

Eu decidi lançar o "Rocking All My Dreams" em inglês, porque eu sempre desenvolvi meu trabalho em vários países, são mais de 50 países nos quais já fiz shows. E também a grande maioria dos artistas que trabalhei (90%) são de língua inglesa. Eles sempre me perguntavam quando iria lançar em inglês.

Alguns poucos que falam português ou espanhol já leram e amaram, mas sempre ficava essa situação de quando vai ser lançado em inglês.

Então essa primeira empreitada de lançar em inglês, é justamente para que essas pessoas pudessem tê-lo.

Você mantém uma relação próxima com muitos dos artistas que aparecem no livro. Quais grandes nomes do rock internacional você poderia citar que se tornaram amigos próximos e agora poderão ler a versão em inglês e assim compreender melhor sua história?

São 30 anos de show business, e com muitos deles eu realmente desenvolvi um relacionamento muito próximo. Alguns de amizade bem estreita mesmo, como de irem até minha casa ou ir na casa deles, conhecer as famílias, etc. E eu sei que muitos deles me conhecem pela pessoa que sou e pelo meu profissional, mas nem todos sabem de onde que eu venho ou como fui parar no show business, porque as vezes não são coisas que as pessoas conversem tão comumente. Por exemplo, você não fala para todos que seus pais são antropólogos, psicólogos. Ou que você fez faculdade de cinema e que viveu em vários países, ou mesmo os perrengues que a gente passa e passou para ser um cara respeitado no show business.

Normalmente falamos sobre o cotidiano ou das coisas do futuro, mas tem alguns artista que eu desenvolvi um relacionamento muito próximo, alguns deles participam do livro falando alguma coisa, por exemplo no caso Rudolf Schenker, Klaus Meine e Matthias Jabs do Scorpions, Tarja Turunen, Rafael Bitterncourt, Felipe Andreoli e Fabio Lione, Charlie Benante e Scott Ian do Anthrax, Stu Cook eDoug Clifford do Creedence, Dee Snider, Alex González e Fher Olvera do Maná, Biff Byford do Saxon, Jay Jay French do Twisted Sister, Derek Sherinian, Mike Portnoy, Jeff Scott Soto, Bumblefoot, Alberto Rionda do Avalanch, Niko del Hierro do Saratoga, Ivan Busic, Edu Ardanui, Andreas Kisser, Yves Passarell, Luis Mariutti, Felipe Machado, Carlinhos Brown, e o Kiko Loureiro que além de ser um grande amigo, somos conselheiros um do outro de nossas vidas profissionais.

Após o lançamento do livro você se tornou um ícone ainda mais querido, é reconhecido na rua e questionado sobre as histórias que conta. Você gostaria que internacionalmente isso também aconteça? Qual país você adoraria que suas histórias também fossem um sucesso?

Eu acredito que se as pessoas te conheçam, te reconheçam, às vezes quando pedem uma foto ou um autógrafo, é um símbolo de que elas valorizam o seu trabalho. Eu não pretendo ser nem mais importante nem mais famoso, mas sim espero que as pessoas valorizem o trabalho que foi feito. Eu me vejo refletido em cada um desses fãs, eu acho que esses fãs me enxergam dessa maneira. Por isso, acredito que role uma empatia natural. Apesar de eu gostar de tomar um vinho, tomar champanhe, ter uma boa vida, eu também gosto de me sentar tomar uma cerveja com alguém em qualquer boteco e conversar sobre coisas interessantes. Creio que essas coisas não se inventam, elas vêm sozinhas, você se forma dessa maneira. Eu acredito que essas pessoas conseguem ver isso em mim, mas eu não sei se essa mesma empatia vai acontecer em outros países, por exemplo na Europa, ou nos Estados Unidos. Mesmo até porque a personalidade é diferente. Eu me considero um típico latino que gosta de sol, calor, praia, mas que leva seu trabalho muito ao estilo Europeu, possivelmente por ter vivido tantos na Inglaterra e na Espanha. E por ter a descendência espanhola.

Você nasceu no México, mas mora no Brasil e se comunica muito bem em português. Para você, como foi o processo de tradução do livro? Quem assina a tradução?

O livro foi feito em conjunto com meu parceiro Emerson Anversa. Eu o considero um de meus melhores amigos, e um cara muito talentoso. E é o cara que mais conhecia sobre mim, já que que sempre que saíamos, ele gostava que contasse minhas peripécias no meio da música, ele como um grande amante do rock curtia e amava. E de fato, a ideia de fazer esse livro foi dele, mesmo que as histórias sejam minhas. E muitas ficaram guardadas ainda, pois se não, o livro ficaria enorme. O mérito de escritura que lançamos esse livro, é dividida com ele. Ele foi morar na Inglaterra, acho que ele ficou inspirado.

Sobre o processo de tradução para o inglês, por mais que eu fale bem o idioma, e de fato se eu não me comunicasse não teria conquistado tantos países, quem se dispôs para traduzir foi o André Bastos, não sei se vocês sabem ele foi um dos primeiros guitarristas do Angra, formando junto com o Rafael a banda. Ele mora nos EUA e gostou tanto do livro que se ofereceu para fazer essa tradução. O André é um grande cara, que além de saber muito de música e ser um músico, ele tem um grande coração e é um Latino morando nos EUA, o que acho muito importante, para manter a mesma linha de pensamento e de sentimentos.

Você pretende lançar uma versão em inglês em formato físico? Por que?

Sim, eu gostaria de lançar em formato físico, mais que tudo para que essas pessoas que me pedem o livro lá fora, tenham ele fisicamente em suas mãos.

Eu acho que um livro traz tantas emoções que é muito bom ter ele nas mãos.

Neste momento estou lendo por exemplo o livro da história do Lemmy, "White Line Fever". Eu tenho esse livro também em outras versões, mas não existe nada como segurar um livro nas mãos. A sensação poderíamos dizer que é muito romântica, como sentir um abraço.

Para os brasileiros, ler em inglês é sempre uma sacada para se manter habituado com a língua. Para quem já leu o livro em português, a versão em inglês trás alguma coisa inédita? Para você, por que quem já leu em português deve fazer a leitura em inglês?

Eu quis manter o livro exatamente igual. Mais para frente pretendo lançar uma segunda parte do livro com algumas coisas ampliadas. Tenho me descoberto com muitas fotos, cartazes e várias outras histórias que seria muito legal eu contar. Mas fazer isso leva um tempo, e para ser sincero vender livros não é um grande negócio, apesar de o meu livro ter ficado em segundo lugar como mais vendido no Brasil na editora no ano passado. Meu intuito não é ganhar dinheiro com o livro, mas sim passar a mensagem que todos podemos conseguir nossos sonhos se corremos atrás deles e acreditamos.

Considerando sua saga e trajetória incrível, você tem algum grande sonho que ainda quer atingir no âmbito profissional?

Eu acredito que eu consegui todos os sonhos que eu tinha no âmbito profissional. As vezes eu tenho ambições, as quais as vezes eu não permito que extrapolem meus sonhos. Porque todas as bandas que eu fiz e com as que eu trabalhei e várias das ideias malucas que eu trouxe, foram feitas porque eu sonhava e acreditava nisso. Claro que meu trabalho é fazer shows. E fazer shows significa que com isto eu faça o meu pão de cada dia, pago minhas contas e pago minhas mordomias, entendo que esse é meu trabalho. Mas para mim, preciso ter um estímulo a mais, não apenas fazer uma banda para ganhar dinheiro. Confesso que eu me senti bem abalado quando o André Matos faleceu, eu sonhava em juntar ele novamente com o Angra pelo menos por uma turnê, sendo eu o empresário. Eu acho que se eu tivesse conseguido isso, teria conseguido algo que eu gostaria de mostrar para muitas pessoas que a música tem que estar acima de tudo. Mas infelizmente não deu tempo.

Mas vamos seguir buscando os sonhos, porque quem não sonha não vive, e quem não vive não é feliz.

Após o lançamento internacional, podemos esperar por mais um volume de"Rocking All My Dreams"? Existe algum plano de escrever outro livro contando ainda mais histórias?

Sim. Estou com muita vontade de fazer uma segunda parte, mas para isso quero fazer junto com o Emerson e atualmente ele está na Inglaterra.

Por enquanto quero fazer o lançamento em espanhol, que deve sair ainda este ano. Fico muito impressionado e satisfeito em ver como muitos jovens se interessaram pela minha história de vida.Recebi mensagens inacreditáveis. Por exemplo, uma pessoa havia falado que estava pensando em tirar sua própria vida, já era muito tarde na madrugada, e ele pensou: "O que faria Paulo Baron em um momento como esse?" ele pegou o livro e para tentar encontrar a paz que ele estava precisando em um momento tão difícil. Para mim só por esse fato, o lançamento do meu livro já valeu a pena.

Se o livro impulsiona a mais pessoas a acreditar em seus sonhos, e muito mais ainda nessas épocas onde a depressão tomou conta do planeta já é uma vitória.

Muito obrigado pelas perguntas. Foi muito divertido. Obrigado por me permitir comunicar com as pessoas, por meio dessa entrevista tão bem elaborada.

Eu também quero lhe fazer uma pergunta: o que você achou do livro?

Cecília Gomes: "Rocking All My Dreams" é um livro deslumbrante para quem ama as historias do rock. Quando peguei para ler, terminei praticamente no mesmo dia e não vejo a hora de ter em mãos mais um volume, com novas histórias. Conhecer sua trajetória, Paulo, também me inspirou muito a continuar a trabalhar e seguir o sonho de viver com música. Muito obrigada por tudo isso.


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