Torture Squad: Exterminador do Futuro e Bruce Lee em entrevista

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Por Pedro Pellegrino, Fonte: Pedrock Press
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Qual a sensação de estar no estúdio de uma das maiores bandas de metal desse país e do mundo? A Pedrock Press até agora está tentando entender o que foi essa experiência...

O Torture Squad está na estrada há 25 anos - comemorando esse ano, é uma banda que passou por quase todas as fases do nosso metal nacional. Tenho comigo que, o músico brasileiro precisa se esforçar 10 mil vezes mais do que um americano, europeu, e na maior parte das vezes, ele é melhor. As bandas de metal do Brasil são respeitadas em outros países, porque o público sabe, que se é do Brasil, tem qualidade. Isso foram anos, anos e anos de um intenso trabalho de bandas pioneiras como Sepultura, Vulcano,Sarcófago, Korzus, Krisiun, Ratos de Porão e Torture Squad. Poderia citar várias outras, mas vamos ficar só nessas que possuem fãs no mundo todo.

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O Torture após passar por algumas formações, parece ter encontrado o seu line-up ideal, onde todos estão lutando em prol da banda, todos estão indo na mesma direção (porque como muita gente diz, a parte mais fácil é tocar, o mais complicado em estar numa banda é todo o resto), a banda está com uma química absurda, literalmente estão "comendo" os instrumentos.

A Pedrock Press teve a honra de conhecer o QG dos caras, e ficar impressionado com tudo.

A dedicação da banda em respeitar o fã de metal, de ter a consciência que para uma banda durar tanto tempo assim, você precisa se organizar e viver em função da música 24 horas.

O estúdio da banda é onde o Amilcar Christófaro, sua mãe e seu cachorro Papito (uma figuraça) moram. Fiquei maravilhado.

Amilcar é um dos bateras mais aclamados do heavy metal. E ver toda a sua empolgação ainda em falar sobre a sua banda foi especial.

Quando a Pedrock Press chegou, seu braço direito, Castor, estupendo baixista, há anos na banda, desde o começo do Torture, já estava por lá, junto com a Mayara Puertas. May Undead como é conhecida, é uma cantora que tem um carisma impressionante, além de ter uma técnica fenomenal.

Rene Simionato, guitarrista genial, foi o último chegar, mas me identifiquei logo de cara com a sua personalidade. Gente boa pra caramba.

A Pedrock Press entrevistou a banda, é o que vocês vão ler a seguir, espero que vocês curtam com a mesma intensidade que eu tive ao fazer a entrevista.

Após a entrevista, presenciei o ensaio do Torture Squad, e posso falar que foi uma das melhores experiências (e sensações) da minha vida. A sensação de estar ali com uma das maiores bandas de metal, assistindo ao vivo, ensaio é melhor que show (essa frase é minha, risos).

No ensaio parece que a banda está fazendo um show só pra você. Um grande privilégio. E ainda em primeira mão ouvi a nova música, é uma pedrada sem tamanho, com certeza os fãs vão pirar, assim como eu pirei ao escutá-la.

Obrigado, Torture!

Pedrock Press: Vocês acabaram de voltar de uma turnê pela América do Sul. Como foi o saldo dessa turnê?

Amílcar: Foi muito bom. Assim como nas primeiras duas turnês, essa foi a terceira, sempre é gratificante ver que temos fãs da nossa música nos países da América Latina. Mesmo que tenha alguns países que a gente não tenha o disco lançado, mas você vê que a música da banda chega até eles, os fãs vão nos shows, dão esse suporte pra gente passar pelos países e fazer uma turnê pela América Latina. Foi bem legal.

Pedrock Press: Vocês tiveram uns pequenos problemas no Equador...

Amílcar: Sobre o Equador, foi o seguinte: a gente ficou preso na Colômbia, o presidente decretou uma lei que fecharia as fronteiras três dias antes da eleição, a eleição seria no domingo, então nós fizemos o último show na Colômbia na quinta. Sexta, sábado e domingo teríamos os shows no Equador, e nós não conseguimos sair do país. E acabamos perdendo os 3 shows no Equador. A gente acha que é o poder que se dá uma pessoa e a pessoa não sabe o que fazer com esse poder. Fechar as fronteiras pra estrangeiro. Estrangeiro não tem nada a ver com a eleição. Eu acho que isso pega muito mal pro próprio país.

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Mayara: É falta de organização, na verdade, eles tão passando por um momento delicado lá, a Venezuela tá tendo uma migração para outros países, então tinha cerca de 10 mil venezuelanos querendo entrar no país, é compreensível, talvez se o presidente não fizesse isso, talvez prejudicasse a eleição do país colombiano, mas tinha um grupo de 40 estrangeiros (que não tinham nada a ver com isso) ali no meio de 10 mil venezuelanos, se tivesse um pouco mais de organização, poderia não ter criado um transtorno tão grande.

Amílcar: Eu acho que pra sair do país não deveria ter problema. O sair da Colômbia que foi difícil de entender, eu não entendi o porquê que o presidente não deixava os estrangeiros saírem da Colômbia. Acho que o entrar por causa dos venezuelanos é até compreensível, deveriam pensar em uma coisa melhor pra se fazer, agora o sair que foi estranho. Mas ele fecha pra todo mundo porque ele vai forçar os estrangeiros a gastar mais no país. E foi o que aconteceu. Nós tivemos que ficar mais três dias com hospedagem, comendo... essa foi a primeira perda dos 3 shows do Equador. No final da turnê perdemos três shows no Chile também, por um erro de logística do produtor de Santa La Cruz de La Sierra da Bolívia,e infelizmente perdemos as datas do Chile. Porém, o resultado final mesmo com essas perdas, como em toda turnê, sempre cai uma data aqui, outra ali, de 5 países, fizemos 4, de 26 shows, fizemos 20, então o resultado final continua sendo bem positivo.

Pedrock Press: Os fãs entenderam...

Amílcar: Entenderam... entenderam... a gente tava até dando risada ontem lembrando, que por conta dessa história de a gente não ir para o Chile, por causa de um erro de um produtor boliviano, pelos comentários dos fãs... porque a gente soltou uma nota, o promotor de Santa La Cruz soltou uma nota também, a agência que marcou os shows soltou uma nota, e aí nos comentários nas redes sociais, a gente percebeu que tem uma pequena treta entre Bolívia e Chile... aí começou uma teoria da conspiração... os chilenos falando: esses bolivianos fizeram de propósito, não deixaram vocês entrarem no Chile (risos), mas a verdade que só não fomos pro Chile por um erro de logística do promotor de Santa La Cruz de la Sierra.

Castor: Ele tinha feito tudo certo até então, mas no dia da volta para o Chile, chegamos no aeroporto, um erro de logística sobre as passagens, aí esse erro foi fatal. E não conseguimos entrar no Chile.

Amílcar: Mas no final das contas, foi o que eu disse, foi um bela turnê. Foi a turnê mais extensa que fizemos na América Latina.

Pedrock Press: E sempre tem aquelas pessoas que dão uma grande força, aparecem de onde vocês menos esperam...

Amílcar: Eu costumo dizer que a cena metal é foda nisso, muito unida mesmo. Se você tá sozinho com a camisa do Lacerated and Carbonized (eu estava vestido uma camiseta do LAC durante a entrevista), e você tá lá em Zagreb na Croácia, e não tem lugar pra ir, e você bate na porta da casa dum cara com a camiseta do Iron Maiden, "sou brasileiro, curto metal, não tenho pra onde ir"... O cara vai abrir a porta da casa dele...

Castor: Tem um sofá pra mim cair aí (risos).

Amílcar: Vai deixar você uma semana na casa dele. Isso acontece bastante.

Mayara: Nesses dias que a gente teve que passar na Colômbia forçadamente, a gente não podia sair, o cara que ajudou a gente não era produtor, não era nada. Tinha uma loja de discos, não tinha a obrigação nenhuma de ajudar.

Castor: Ele ficou conosco do primeiro dia ao último... um cara que conhecemos lá, ele sabia o que estávamos passando...

Pedrock Press: Novo disco, nova formação, mesmo essa formação já tendo 3 anos,como tem sido essa experiência pra vocês?

Amílcar: Eu tenho curtido. Eu e o Castor que passamos por todas as fases da banda, com todas as formações da banda. Eu sinto hoje a gente muito unido, muito feliz, todo mundo se dá super bem, eu sinto a banda hoje numa união no sentido de todos saberem de tudo o que está acontecendo com a banda, não só na parte do ensaio, de compor, mas tudo o que envolve a banda. Ontem mesmo, eu e a May ficamos no mínimo umas 6 horas na frente do computador, principalmente ela, fazendo um trabalho para preencher um edital para a gente poder participar de um festival de inverno de Paranapiacaba. Então, esse tipo de coisa extra palco, é muito importante todos estarem na mesma vibe, eu sinto hoje a banda muito forte, muito envolvida, porque o peso não fica só numa pessoa, quatro cabeças pensando, então são mais ideias, as coisas fluem mais, eu sinto isso.

Amílcar: Musicalmente estamos muito bem... a May trazendo as influências dela, o Rene trazendo as influências dele, e a gente não poda, a gente traz as influências deles pra somar nessa espinha dorsal da banda que é o nosso estilo de compor e fazer com que o som do Torture seja o Torture mas tenha o algo a mais, o algo a mais é sempre as novas influências que chegam.

Castor: Com o "Far Beyond Existence" eu sinto bastante isso de compor com as influências de cada um. É muito legal.

Pedrock Press: Mayara, como foi entrar nessa banda lendária e como tem sido?

Mayara: É uma responsabilidade e um aprendizado muito grande. Hoje a gente está com maturidade, que a gente veio conquistando com as turnês, com os shows que a gente fez, convivendo. Eu convivo mais com a banda do que com a minha família. A gente faz muitos planos, conversa muito, como o Amílcar falou, a gente é muito unido, a banda inteira está pensando em planos pra banda, então, realmente, não é só o chegar e tocar, todos da banda trabalham em prol da banda.

Pedrock Press: Amílcar, se você pudesse voltar no tempo, quando você era moleque, que você tinha um sonho de montar uma banda, o que você diria hoje pro Amílcar mais novo?

Amílcar: Caramba... que pergunta legal... Vai na sua... vai na sua... eu sempre coloquei, eu sempre deixei muito latente na minha vida quando eu me envolvo com alguma coisa, eu estou muito apaixonado por aquilo. Me envolvo com muita paixão naquilo. E quando a música e a bateria entraram na minha vida, foi muito forte,e eu segui isso, e por causa disso, dessa vontade forte de acreditar que aquilo era parte da minha vida, era o que eu queria pra minha vida, ser baterista de uma banda de metal. E ter a minha banda, compor a minha música, gravar os discos, é por isso que eu estou aqui dando essa entrevista pra você. É por isso que eu tenho a minha batera, eu tenho os meus patrocinadores, que a banda tem 8 discos. Esse sangue nos olhos, essa vontade que eu sempre tive e tenho. Que eu carrego até hoje. É uma chama que não pode ser apagada. O dia que essa chama apagar...

Rene: Morre...

Amílcar: Isso mesmo, morre. E essa chama está acesa desde lá e o que eu falaria pra mim mesmo lá, e isso aí: segue o que você acredita. Só não deixa o skate de lado (risos). Eu deixei o skate de lado com medo de machucar. Mas eu montei um skate há uns anos e ando de vez em quando.

Pedrock Press: Se vocês pudessem escolher três álbuns do Torture para as pessoas conhecerem o Torture, quais seriam?

Rene: Isso aí eu posso falar com propriedade. Como fã, não só como membro. A minha sugestão pro cara conhecer a banda vem dos discos antigos, os três primeiros são maravilhosos, mas se o cara pegar o "The Unholy Spell" e ouvir de cabo a rabo, acho que o cara vai ter um barato bem legal na cabeça. Eu posso falar todos, mas pra mim esse aí, o cara vai ter uma trip legal.

Mayara: Com certeza pra conhecer a fase nova, o "Far Beyond Existence", que é o último álbum que a gente lançou. Os meus favoritos da banda são o "The Unholy Spell", "Pandemonium" e "Hellbound". A trinca.

Amílcar: Eu falo que... eu acho que é o segundo, porque é uma coisa bem particular, o "Asylum of Shadows", porque no Asylum, tem duas músicas que tem naquele disco que a gente decretou, achou uma fórmula de estrutura de música que a gente seguiu dali em diante. As músicas são Mad Illusions e Murder of a God, que já existia na época do Shivering, que foi o primeiro disco, chegamos até a gravar numa sessão do primeiro disco, mas aí a batera não tava com uma sonoridade legal, e aí algo, sei lá, uma energia, fez com que essas músicas ainda não fossem gravadas, elas mereciam uma produção melhor. Alguma coisa falou isso pra gente, nós tiramos essas duas do primeiro disco, que acabou ficando com 7 músicas, e aí a Mad Illusions e a Murder Of a God foi para o segundo álbum, que nós gravamos no Mr. Som com a produção do Heros e Pompeu do Korzus. Ali a produção ficou ótima, a sonoridade metal chegou com tudo. Então, é isso, eu diria o "Asylum Of Shadows" por causa disso, o "Hellbound", também gravado no Mr.Som. Eu gosto muito de todos os discos, é difícil falar, mas são esses e o "Far Beyond Existence", que pega três fases da banda.

Castor: Eu escolheria o "Pandemonium", foi uma fase nova pra gente, de mudança, foi a primeira mudança que a gente teve de formação, o Cristiano Fusco saiu e entrou o Maurício Nogueira. Ali também a gente selou bem o estilo da banda. O "Hellbound" que eu acho uma sequência do "Pandemonium", na mesma vibe, e o mais novo, "Far Beyond..." que pega essa nova fase que tá num momento bem inovador da banda.

Pedrock Press: E como tem sido a repercussão do novo álbum?

Mayara: O pessoal já chega cantando o disco... Nosso set list mescla músicas do novo álbum e dos antigos, mas sempre tem aquela que a galera pergunta o porquê não tocaram, do álbum novo! Já tem músicas bem emblemáticas, como "Blood Sacrifice", "Don't Cross My Path", "Cursed By Disease", o pessoal já chega esperando pelo momento dessas músicas.

Castor: E a produção também, que nós trabalhamos que foi a mesma do ep "Return Of Evil", do Wágner Meirinho e do Tiago Assolini, da Load Factory, eles estavam mais inseridos com o nosso estilo mesmo, com a nossa proposta, a gente trabalhou umas pré-produções antes do álbum, eles já estavam familiarizados com a banda. Já chegamos praticamente com tudo pronto, com timbres, com ideias, uma coisinha ou outra que mudou na hora da gravação, 99% era já o que tava feito.

Pedrock Press: As participações desse novo disco estão bem especiais, chamativas, Alex do Krisiun cantando ZZ Top... Fernanda Lira (Nervosa), Edu do Nervochaos...

Amílcar: A gente sempre teve participações especiais nos discos, eu lembro do Fernando do Oligarquia no The Unholy Spell", ele fez o refrão... e eu lembro do Marcão do Claustrofobia no disco "Pandemonium", sempre teve. Sempre quando tem a oportunidade de chamar um amigo pra participar, nós chamamos. E esse disco novo eu me senti muito orgulhoso, porque é muito especial mesmo. O Dave Imgram, ex vocalista do Benediction, Bolt Thrower, faz parte da influência da banda. Tivemos um contato com ele pela gravadora Secret Service, a gravadora que lançou os disco do Torture na Europa, ele já conhecia a banda, pra ele foi um prazer fazer essa participação, ele disse isso pra nós. Participou cantando a música "Hate", fazendo uma dobradinha de voz com a May. O Edu Lane do Nervochaos que é um cara fora de série...

Castor: Um pilar da nossa cena

Amílcar: Um pílar da cena brasileira, e é um grande amigo há muitos anos. O Edu é muito importante na história do Torture. A gente começou a fazer turnês brasileiras. O Edu Lane foi o primeiro que marcou uma turnê brasileira, nós fizemos com o Nervochaos em 2002. "The Unholy Legion Tour", 2002/2003. Foi uma entrada no mundo das tours, sempre foi um querido amigo. Baterista... então ele fez uma narrativa na "Cursed By Disease". Ficou muito legal.

Mayara: Ele fez como se fosse o guardião da tumba do faraó

Amilcar: Ele tem cara de guardião da tumba do faraó (risos)

Mayara: Mas ele é mesmo, da Tumba Productions (risos)

Castor: Tivemos a ideia também de convidar o Louzada, conhecido como Batatinha da baixada Santista, ele participa dividindo as vozes na faixa "You Must Proclaim". Conhecemos ele nos primeiros shows do Torture. Na época que ele era do Chemical Disaster, junto com o Leão, Queixo e Arthur. Hoje ele também faz parte do Vulcano, o nosso Venom! Haha.

Amilcar: O Alex do Krisiun cantando ZZ Top. Krisiun... heróis... a gente divide essa paixão por uma banda que é o ZZ Top. Eu aprendi a amar ZZ Top indo na casa dos irmãos e vendo o quanto eles gostavam, de ir na casa deles e eles estavam lá assistindo ZZ Top. E aí pintou essa ideia de fazer essa versão e o convidamos pra cantar. Eu estava comentando esses dias que eles curtiram muito a versão. O Alex, o Moyses e o Max depois comentaram que curtiram muito a versão. E isso pra mim... Eu não preciso do Hetfield falar que a versão é do caralho, pra mim o ok deles, o Krisiun ter gostado, não devem nada pra ninguém. A gente ficou muito feliz, eles curtindo... eles são headbangers muito verdadeiros, então é um ok da vida, sabe? A gente ficou muito feliz de ter o Alex também cantando, que é um grande amigão da gente.

Amilcar: A Fernanda cantando Coroner, era pra ter saído de uma das versões do disco "Esquadrão de Tortura", essa gravação é da época do "Esquadrão..." e acabou não saindo, ficou na gaveta. E teve essa oportunidade de lançar como bônus do lançamento europeu, e aí fizemos a remixagem e aí foi lançado. Também é muito legal, porque o Coroner também é uma das nossas grandes influências.

Castor: E também tem a participação do Marcello Schevano tocando hammond na "Torture in Progress". Era um arranjo de baixo que eu tinha, o Amilcar também ficava trabalhando no ensaio, é uma música bem diferente, bem progressiva. Tem um vibe anos 70, né,cara?!

Amilcar: E por essa vibe 70 veio a ideia de então colocar hammond... em homenagem ao John Lord... e hammond mesmo, e ele fez um puta trabalho.

Castor: A gente fez uns ensaios, mostramos a música pra ele, falamos pra ele: a ideia é nesse tempo, faz um solo em cima, e agora desenvolve, ele fez a cara dele.

Amilcar: O Marcelo é um grande músico, grande compositor, grande roqueiro, tem um grande estúdio que é o "Orra Meu", que está gravando todas as bandas hoje. É muito especial as participações do disco novo. Acho que não esquecemos de ninguém (risos)

Castor: Quem tocou baixo no disco? (risos)

Pedrock Press: Se vocês pudessem convidar algum herói do metal pra participar do disco, quem seria?

Amilcar: Fora esses... eu ainda tenho o meu sonho de ter o Andreas Kisser (Sepultura).

Mayara: David Vincent (Morbid Angel)

Amilcar: Sei lá, cara... tanta gente... ressuscitar o Cliff Burton. (risos)

Pedrock Press: Vocês tão pensando em gravar um novo clipe para esse novo disco?

Amilcar: Sim, o videoclipe da "Don't Cross My Path" tá pra sair, com imagens gravadas do nosso show aqui em São Paulo, no Fabrique Clube, na turnê com o Zumbis do Espaço. Vai ser o primeiro videoclipe do disco novo, e aí a gente vai sair na sequência de gravação de mais 2 videoclipes,"No Fate" e "Blood Sacrifice". Nesse ano com certeza sai esses três videoclipes.

Pedrock Press: Falem um pouquinho das letras do novo disco, e como é a forma de compor da banda?

Mayara: Na parte das letras, assim como nos riffs é bem livre, porque a gente não tem essa coisa de "ah, eu sou vocalista, eu só vou compor letra, sou guitarrista só vou compor riff". Se você tem uma ideia que dá pra aproveitar na banda, você traz no ensaio e a gente desenvolve. Eu escrevi três letras nesse álbum, uma tem um cunho... vou explicar, que é a "No Fate", que fala de um dos meus filmes favoritos que é o "Exterminador do Futuro"...

Pedrock Press: Meu também!

Rene: Meu também!

Amilcar: Meu também. (risos)

Mayara: Todos nós aqui. É comum esse gosto. Todo mundo na banda curte bastante filmes, HQ's, etc, tem frases emblemáticas do Exterminador na música, são conselhos da Sarah Conner, como se fossem conselhos da Sarah para o John Connor. E as outras duas músicas tem um cunho mais mitológico, a "Blood Sacrifice" fala da Kali, que é uma deusa mitológica hindu, e ela faz parte do panteão da destruição desse plano em alguns cultos e conhecimento também, e na "Cursed By Disease" fala sobre a maldição do faraó de Tutancâmon, que na verdade era uma doença que era causada pelas pinturas nas paredes da tumba dele, quando ela foi aberta, essa tinta criou um fungo que se a pessoa tinha uma imunidade mais baixa, era letal, então muitas pessoas morreram durante as expedições de exploração desse tumba. Aí a letra trabalha com esses dois lados: como se fosse uma maldição, porém, relata efeitos da própria doença que consumia os pulmões, e a pessoa acabava falecendo. E tem bastante letra do Amilcar também. Não é um álbum conceitual como o "Esquadrão de Tortura", mas você consegue conectá-las.

Amilcar:"Don't Cross My Path", como o próprio nome já diz, 25 anos de banda, podem falar o que quiser, podem fazer o que quiser, mas não atravessa o nosso caminho, independente do que acontecer, nós vamos estar aqui fazendo a nossa música e acreditando no nosso som. E tem uma letra muito especial nesse disco, não é minha, é do Bruce Lee (risos). São filosofias de vida do Bruce Lee. Eu gosto muito de arte marcial e principalmente do jeito de encarar a vida que o Bruce Lee tinha. Do Jeet Kune Do,que é a arte marcial que ele fundou, que a regra era ter nenhum meio como meio, tendo nenhuma limitação como limitação. Então isso eu vou levar pro caixão, pro meu estudo de batera, pra tudo na minha vida e as filosofias de vida dele, são muito puras, muito verdadeiras. Então a "Hero for The Ages" desse disco, é só filosofia de vida do Bruce Lee. As letras da banda, a gente fala de tudo, dá essa abertura pra todos, falar o que a gente acha, a gente pode meter o pau na política, anti-religião, falar de um herói que é o Bruce Lee.

Castor: You Must Proclaim" que fala da roubalheira que tá no nosso país, da corrupção que está desenfreada.

Amilcar: Que fala pras pessoas não ficarem quietas, tem que denunciar, ir pra cima. É o que achamos.

Castor: Falamos de tudo, desde o lance mitológico até a realidade que nós estamos vivendo. O disco está bem variado.

Pedrock Press: Os planos da banda pra 2018

Amilcar: Nós temos uma turnê na Europa marcada, dia 10 de agosto a 1 de setembro. Nesse período da Europa estamos pensando em ir pela primeira vez pra Rússia. Nós não sabemos se ainda vai ser possível, mas há fortes indícios (risos), talvez dê. Estamos trabalhando também para se concretizar uma turnê brasileira celebrando os 10 anos do "Hellbound".

Amilcar: Tocar o disco na íntegra. Fazer os shows esporádicos no Brasil. Agosto ou setembro ir pra Europa, tentar fazer a primeira vez na Rússia e tentar entrar no cast de uma outra tour também, de uma outra banda na Europa. Gravar os videoclipes, na volta da Europa fazer essa turnê do "Hellbound", com um show em São Paulo, especial. Tá no nosso radar em gravar um cd e dvd ao vivo da turnê do "Far Beyond", porque a gente tá curtindo muito os shows e eu acho que seria legal gravar um dvd com essa formação. Nós temos o "Death Chaos And Torture Alive" na época do "Pandemonium" em 2004, temos o "Coup' Eta Live" que é do Esquadrão de Tortura, que nós fizemos como trio, então eu acho que seria legal registrar essa nova formação.

Pedrock Press: Como é conciliar família com a banda, outros compromissos, pra vocês como tem sido?

Amilcar: Tem que saber lidar com as agendas. A música, a banda, ela determina a nossa vida. Aí tudo vem ao redor disso. No meu caso as aulas de batera, as idas ao cinema (risos). As andadas de skate, tudo gira em torno disso. Sou muito pé no chão com a minha vida, tento não dar um passo maior que a perna, financeiramente falando, em relação a tempo, em relação a tudo. Então, eu acho que por isso que a banda está aí com essa longevidade, 25 anos sem parar, ensaiando, compondo, gravando disco, saindo em turnê. Eu acredito que na vida de todos é assim.

Castor: Pra mim o lance de conciliar com a família,eu nunca tive esse problema. Sempre tive o apoio da minha mãe e tal, as pessoas que estão na minha vida também compreendem. A banda sempre foi em primeiro lugar. Desde o primeiro ensaio até hoje, sempre a minha meta foi a banda.

Rene: Pra mim o mesmo também, desde as outras bandas, sempre equilibrando esse lance, as namoradas que eu tive, família, sabem que o meu negócio é música. A música que determina 99% da minha vida.

Mayara:As pessoas que gostam de você, querem ver você bem, fazendo o que você gosta. Não é fácil conciliar família com banda, nós convivemos mais entre nós do que com qualquer outra pessoa que também é importantes na nossa vida. Acaba rolando algumas cobranças: "poxa, você não para em casa, não vai ver sua avó...".

Pedrock Press: Aniversário que nunca vai estar presente...

Amilcar: Datas comemorativas é um fato mesmo, eu até os 15 anos eu estava lá, festa de família eu sempre estava, de repente você não está mais. Porque você está muito focado. Aí muda a vida mesmo.

Mayara: Ainda bem que a tecnologia está aí pra ajudar também. Eu estava em turnê e participei de um almoço da família. (risos)

Amilcar: Pegou um macarrãozinho?

Rene: Me passa esse aplicativo aí. (risos)

Mayara: E em certo momento me conectei com eles e pude ver todos os meus parentes. E viram que eu tava em turnê, falei com todos. Você não está ali pessoalmente, mas está de uma outra forma. E quando tem uma oportunidade que a banda está mais tranquila, aí você encontra com todos.

Castor: Faz parte da nossa vida.

Amilcar: É muito legal, você passa dois, três meses em turnê, e quando você volta você reencontra os amigos, toma uma com os amigos, revê família. É uma forma de recarregar. Por isso que ,quando a gente convida os amigos pra ir aos shows, não é tipo pra pagar ingresso pra gente ganhar dinheiro, não é, é porque quando o amigo está num show, a energia é muito legal, a gente se recarrega de ver amigos queridos nos shows. Nisso não só na capital, não só na nossa cidade, porque hoje podemos falar que temos amigos no mundo todo. Por isso que a gente convoca mesmo os amigos nos shows.

Rene: Nessa vibe de turnê, convívio, quando você vai ver passou 3 anos, e parece que foram 6 meses.

Amilcar: É o que acontece com essa formação. Desde quando a May e o Rene entraram até hoje, a gente fez muita coisa. Gravamos o ep, saímos em turnê do ep, gravamos o disco, saímos em turnê do disco, turnê na Europa, turnê brasileira, turnê sul-americana.

Castor: Interior de São Paulo em turnê duas vezes.

Rene: Duas no Brasil inteiro, Europa, América do Sul, fora as mini-tour, fomos pro Rio Amazonas, fizemos Portel, altas luas de mel (risos).

Pedrock Press: Última pergunta: Como vocês estão vendo o cenário do metal nacional?

Amilcar: Eu, particularmente, vejo a cena bem forte. Vejo boas bandas. Vejo a cena forte de público também. Nós não podemos reclamar, porque o Torture Squad tem fãs. Tem fãs da música. E o que nós fazemos é ir até eles. Nós abrimos mão da vida pra ir até eles tocar nossa música. Então, nós temos essa possibilidade, e nisso eu vejo a cena muito forte. Com bandas tocando conosco nas noites, bandas muito boas.

Castor: Organizadores já sabendo o que a banda precisa.

Amilcar: A cena mais evoluída. De estrutura, de cabeça de produtor, com lance de horários.

Castor: Cada ano você vê que está dando um upgrade.

Amilcar: É só tende a melhorar. Eu acho isso ,você ficar ancorado a valores antigos, o Brasil é terceiro mundo, não rola show de semana, nunca vai rolar, as pessoas só chegam meia noite, se ficar com esse papo não vai dar certo.

Castor: Não compram mais cd, é o que dizem, pra nós é uma outra realidade, nas turnês nós vendemos bem cds.

Amilcar: Se você se segura nesses antigos valores, nada vai acontecer com a sua banda. Agora se você quer uma mudança, se você acredita que a Europa já passou por isso, os Estados Unidos também, o Brasil vai ficar estagnado,o Brasil não vai evoluir?Não, né?! A gente tem que fazer. Eu vejo que o Torture é um instrumento dentro da cena que pode fazer isso. E nós estamos fazendo a nossa parte. De evolução da cena.

Pedrock Press: Vocês inovaram tocando de segunda a segunda...

Amilcar: Porque a gente acreditou que era possível. Contra tudo e contra todos. Como a gente fala na letra da "Don't Cross My Path". Pegamos uma van, tocamos às segundas e terças, começando as 20:30 pra dar tempo de todo mundo voltar pra casa, pegarem transporte público pra irem trabalhar no outro dia. Quando que nós íamos saber que em Vitória da Conquista na Bahia, duas turnês seguidas que nós tocamos na segunda feira, e é maravilhoso, o show cheio, lotado. Bahia, Alagoas, Sergipe, Aracaju, Recife, Maceió. Uma semana: segunda, terça quarta, quinta e sexta. E todos os shows foda. A gente só pode viver pela nossa atitude de acreditar que é possível. Então, eu vejo que tem uma parcela que não acredita, que só reclama. Que vive reclamando. Então, você vive reclamando aí, que nós vamos fazer o nosso. E fazendo o nosso, não é só o nosso, nós estamos ajudando toda uma cena. O promotor que fez uma terça nossa à noite, ele vai levar público até daquele cara que está reclamando lá, porque a gente fez o produtor acreditar que é possível.

Castor: Teve cidades que os produtores não acreditavam com a quantidade de gente nos shows

Rene: Ficaram surpresos

Castor: Não sabiam que existia uma cena forte na própria cidade. "Eu não sabia que segunda, terça, quarta feira, tinha essa galera chegando nesse horário e pagando esse valor". Os promotores diziam.

Castor: Eles achavam que só sábado e olhe lá, que poderia dar esse público.

Amilcar: Então, envolve muita coisa. Nós estamos muito felizes com toda a conquista. São conquistas mesmo. E a gente celebra muito isso. E daqui pra frente só tende a melhorar. Hoje no Brasil tem muitas agências de shows. De dois, três anos pra cá isso. Se você nunca acreditar que nunca teria, você vai ficar estagnado. A palavra estagnação é uma palavra que não existe no dicionário do Torture. Não existe mesmo.

Mayara: E você também não tem que esperar que as pessoas façam algo, você tem que ir atrás e fazer. Eu sou de Santo André, e recentemente eu fiquei muito feliz de ver a união da galera lá, dessa região do ABC.Eles montaram um coletivo, e eles estão levando propostas culturais até os governantes dos municípios para fazer eventos voltados pro rock. E em decorrência disso está tendo muitas palestras gratuitas que estão informando as bandas de como começar um trabalho. Porque muitas bandas começam, não sabem nem pra onde ir. "Poxa, lancei um disco, o que eu vou fazer agora? Como eu posso conseguir tocar, lançar, distribuir meu disco?". E eles se uniram pra isso, para profissionalizar, orientar as bandas novas e antigas também, porque muita gente não sabe como trabalhar. E bater na porta dos políticos e falar assim: o povo tem direito à cultura, e o pessoal do rock tá unido pra isso. Isso tá sendo muito legal. Esse edital que nós comentamos que estamos querendo participar desse festival de Paranapiacaba, é fruto disso, é o trabalho desse pessoal, desse coletivo, dessa região. E em São Paulo também, nós tivemos o Rock na Praça, que foi uma batalha do Ravelli, querendo colocar uma data no calendário de São Paulo reservado ao rock, isso dá uma magnitude muito grande.

Amilcar: E abrangendo o Brasil, ela falou de Santo André, São Paulo,e eu posso falar aqui do último show que a gente fez em Belo Horizonte. Idealização de um promotor particular de shows de metal em BH.

Mayara: Bloco dos Camisas Pretas. Que é o dono do Stonehenge. Um bar muito legal em Belo Horizonte.

Amilcar: Montou uma estrutura em uma das avenidas principais de BH. Dois palcos. Mais de 10 mil pessoas no evento. Cachorro Grande, nós, o Hatefulmurder, o Tuatha de Danann. Só bandas da década de 90 pra cá. Não tinha nenhum medalhão do metal nacional, tipo Sepultura, Ratos de Porão, Angra, Krisiun. Só bandas que tem um trabalho sério. Então, sobre a cena brasileira, eu vejo muita evolução.

Mayara: Na turnê da América do Sul, nós participamos de um evento no Peru,na cidade de Piura, que foi idealizada por um banger também, o Rafo, ele se juntou com a prefeitura local e fizeram o primeiro evento com o apoio da prefeitura. E juntou muita gente também. Recebemos um certificado de agradecimento da prefeitura por a gente ter participado. E nos levaram pra conhecer museu, ter o contato com a cultura deles, comemos um ceviche da hora.

Amilcar: Muito carinhosos, sabe? Fizeram uma homenagem para o Torture, subiram no palco para homenagear a banda, foi demais!

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