King in The Belly: as pessoas estão geralmente deixando álbuns por playlists

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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KING IN THE BELLY é uma banda brasileira ou australiana? Com integrantes de ambos os países, mas radicada no Brasil, a banda acaba de lançar pela Ditto Music Brasil o seu novo single, "Intimate Strangers". Com influências do Grunge e do Rock Australiano, a canção foi inspirada em um caso de polícia ocorrido na Austrália em 2016 que abalou o país. "Um indivíduo conheceu uma mulher no Tinder, os dois foram para o seu apartamento e, após muita bebida e sexo, entraram em uma briga, até que após ser agressivamente atacado, ele a trancou para fora da varanda. A mulher tentou descer para o apartamento de baixo, acabou caindo e morrendo". Conversei com Luke Kiernan, baixista, que é originário do estado de Queensland e mora no Brasil há quase quatro anos (além dele, estão na banda os brasileiros Ted Bertoloni, guitarrista e vocalista, Diogo Silvério, guitarrista, e Vinícius Boareto, baterista). Falamos não só sobre o novo single, mas também sobre vários outros assuntos, sobre como é ser um australiano em uma banda brasileira, sobre como o mundo da música tem se voltado para singles ao invés de álbuns ("As pessoas estão geralmente deixando de ouvir álbuns e passando a ouvir mais playlists") e várias outras coisas. Confira abaixo.

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Foto: site oficial
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Daniel Tavares: Em primeiro lugar, para todo mundo que ainda não os conhece, apresentem-se, contem-nos com o que o seu som se parece e quais as maiores influências que podemos encontrar na sua música.

Luke Kiernan: Nós todos temos influências musicais diferentes, então é arriscado dar nome a elas. Por exemplo, o Ted (vocais e guitarra) é bem influenciado pelo prog rock, enquanto o Diogo (guitarra) é mais conectado a bandas como AUDIOSLAVE, além de diferentes estilos brasileiros. Eu diria que nosso som é bem roqueiro e grunge, mas eu também tenho ouvido pessoas comentarem que nós temos um som de rock psicodélico também.

Daniel Tavares: Como vocês começaram esta banda "multinacional"? Que dificuldades vocês tem que encarar ao ser de uma banda parte brasileira e parte australiana?

Luke Kiernan: Depois que eu me mudei para o Brasil, cerca de seis anos atrás, eu comecei a tocar junto com alguns amigos por diversão. Na Austrália, a cena de música original pe realmente forte, então, soou bem natural começara a trabalhar em nosso próprio material. Nós começamos a levar as coisas mais a sério, compor e gravar, cerca de dezoito meses atrás. Dentro da banda, eu não sendo brasileiro não cria muitos problemas, eu não acho. Nem sempre eu entendo alguma piada e algumas vezes eu confundo a nota Si com C... hahaha, mas a gente vai em frente. [Nota: nos países anglófonos, as notas Do, Re, Mi, Fa, Sol, La e Si, são expressas por meio de letras - C, D, E, F, G, A e B. A pronúncia de C, em inglês é ci. Daí a confusão. ] Todos nós somos muito pacientes, então nós damos conta da maioria dos problemas de linguagem.

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Daniel Tavares: Quais são os seus planos para uma release completa e como vocês tem visto a reação aos singles que vocês já lançaram até agora?

Luke Kiernan: O plano é lançar o nosso EP debut em julho ou agosto deste ano. Estamos terminando de gravar as últimas canções agora. Nossos primeiros singles tem sido realmente bem recebidos, tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Nosso primeiro single, "Behind", chegou na Ditto Music Australian Hitlist, e nosso terceiro single, "Magic Town", foi recentemente incluído numa coletânea na Inglaterra, então isso tem sido positivo.

Daniel Tavares: Não há nenhum álbum físico de vocês até agora, certo? Mas ao menos 100 mil pessoas já ouviram à sua música graças aos serviços de streaming. Como vocês vêem a indústria da música hoje e quão é mais difícil (ou mais fácil), comparando com algumas décadas atrás, conquistar o sucesso com uma banda?

Luke Kiernan: Sim, nós fizemos um esforço consciente para focar nossa atenção nos serviços de streaming. As pessoas estão geralmente deixando de ouvir álbuns e passando a ouvir mais playlists, então, estamos tentando dar um bocado de atenção para cada canção. Nós temos trabalhado com o pessoal da Ditto Music que tem sido maravilhoso. Todo mundo lá apoia demais e eles tem uma paixão verdadeira pela música.

Luke Kiernan: O negócio da música mudou completamente. Antes, as gravadoras provavelmente procuravam bandas em um estágio inicial, com um grande potencial, e as nutriam completamente. Esses dias se foram. Agora as bandas precisam ser muito mais auto-suficientes e proativas, o que eu acho que não é uma coisa ruim. Isso ajuda os artistas a realmente entender o que está envolvido. Então, quando surge uma oportunidade, você realmente aprecia.

Foto: site oficial
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Daniel Tavares: "King in The Belly" vem de uma expressão brasileira "Rei na Barriga"? Se sim, o que há por trás deste nome? Se não, de onde vem?

Luke Kiernan: Ah, eu estava dando uma aula de inglês e discutindo expressões e seus significados nas duas línguas com um aluno. Ele me contou sobre "Rei na barriga". Em inglês soa bem absurdo e engraçado, e eu achei que seria um nome legal para uma banda ...... e isso ficou preso na minha cabeça.

Daniel Tavares: "Intimate Strangers" vem de um mundo em que as mídias sociais ganham espaço enquanto outros tipos de comunicação perdem. E também ocorre em um momento em que é difícil diferenciar um "assédio sexual" de uma conversa boba pra "quebrar o gelo" no mundo real. Como você lê tudo isso?

Luke Kiernan: Em relação às questões relacionadas ao assédio sexual, acho que, embora os métodos de comunicação possam ter mudado, os princípios básicos de respeito não mudaram. Tudo se resume ao respeito... tanto pelos outros como por você mesmo. Em termos de inspiração para "Intimate Strangers", o que me impressionou foi como a dinâmica das mídias sociais nos aproximou de algumas maneiras, mas nos isolou um do outro ao mesmo tempo.

Foto: site oficial
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Daniel Tavares: Quais são os seus planos para shows, Brasil, Austrália, Europa, EUA? Como está a sua agenda?

Luke Kiernan: Nós temos tocado muito, regionalmente e em São Paulo. Temos alguns anúncios de festival pra rolar e estamos realmente querendo fazer uma turnê mais extensa no Brasil.

Luke Kiernan: Fazer uma turnê internacional é um dos principais objectivos da banda ao longo dos próximos anos. Temos trabalhado duro e conversando com contatos sobre isso e as coisas estão parecendo positivas.

Daniel Tavares: Agora, este é o espaço para você falar o que quiser. Envie uma mensagem para nossos leitores.

Luke Kiernan: Nós realmente queremos agradecer a todos que ouvem nossa música e comparecem aos shows. Nós amamos tocar ao vivo e isso realmente nos dá um impulso quando vemos pessoas cantando junto com nossas músicas e entrando em nossa música... então fique ligado, há mais coisas a caminho...

Foto: site oficial
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Ouça "Intimate Strangers":
http://hyperurl. co/vcocwo

Mais informações:
http://kinginthebelly.com.br




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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