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Exilio Angel

O Teatro Mágico: O reencontro encantado da trupe

Por Homero Pivotto Jr.
Fonte: Abstratti Produtora
Postado em 25 de setembro de 2018

Não é nenhum truque de ilusão, senhoras & senhores: O Teatro Mágico está de volta com formação completa! A reunião da trupe ocorre depois de um hiato criativo que durou quase dois anos — tempo em que o mentor do grupo Fernando Anitelli dedicou-se à apresentações no formato violão e voz. O reencontro, que inclui uma curta turnê pelo Brasil, marca os 15 anos de uma carreira repleta de encantamentos e realizações.

São seis espetáculos especiais de aniversário, sendo um deles em Porto Alegre, dia 13 de outubro, no Opinião (Rua José do Patrocínio, 834). Nesses shows, o OTM resgata a magia pela qual ficou conhecido ao unir música, poesia, teatralidade, elementos circenses e interatividade com a plateia.

Aproveitamos a oportunidade para trocar uma ideia com o cantor, compositor e performer Fernando Anitelli. Na entrevista a seguir, ele responde questões sobre o retorno ao formato artístico plural, as novidades da tour e o sucesso do bando.

Em razão de você estar com shows solo em formato acústico, a trupe d'O Teatro Mágico diminuiu o ritmo de shows? Quantas apresentações o grupo deve fazer este ano? Há algum critério para definir os momentos em que o conjunto completo se apresenta? Caso sim, qual é?

Fernando Anitelli — O Teatro Mágico fez uma pausa criativa em 2016. Somos uma trupe formada por artistas independentes (compositores, criadores, arranjadores, bailarinos e intérpretes), e cada um foi regar um pouco da própria semente, da caminhada. Eu não fiz diferente. Passei a realizar algumas apresentações de voz e violão. A ideia era que fossem poucas, mas se transformou em uma turnê que já tem um ano e meio — indo para dois. Foram mais de 100 shows em um aspecto completamente distinto do espetáculo que é O Teatro Mágico. O voz e violão dá a capacidade de improvisar, de ter a participação muito próxima do público, com texto e com música. Esse é um formato que o OTM nunca havia apresentado. São as músicas em sua essência, naquela primeira intenção da ideia. O repertório também passa a ser distinto, eu posso levar — e levo — faixas que inspiraram outras, toco lados B’s. Tem também composições que não gravamos, mas que lançamos na rede. Enfim, tem tudo isso. Naturalmente agora, que estamos fazendo 15 anos, era inevitável voltar com a trupe para celebrar. Então, neste segundo semestre, faremos uma pequena turnê: seis apresentações que reúnem pessoas de cada fase d’O Teatro Mágico. No ano que vem a ideia é lançar um álbum e continuar fazendo shows da turnê com a trupe. E o voz e violão permanece. É um formato que não largo jamais, pois é uma delícia esse encontro com a plateia nessa perspectiva de sarau. Já o OTM é aquele espetáculo com imagem, movimento, dança, parte aérea, instrumentos, vários personagens, interferências de circo… Ficamos felizes por esse retorno para celebrar os 15 anos e já estamos ansiosos, preparando material para lançar em 2019.

A formação que vem a Porto Alegre é a mesma de quando o grupo estava fazendo as apresentações normalmente, antes da pausa criativa?

Fernando Anitelli — Tem gente de todos os álbuns. Misturando tudo isso daí, fizemos uma trupe dos 15 anos e estamos muito felizes de poder apresentar isso. É uma grande feijoada criativa, polifônica, sonora e corporal.

Como é retomar o espetáculo ao lado de outros artistas após mais de um ano e meio com formato intimista?

Fernando Anitelli — É uma delicia, um tesão! Voltar a trabalhar com pessoas com as quais já se trabalhou na sua caminhada, que se sabe o tipo de resposta e de solução, soma e agrega. A reação deles com o público, o carisma de cada um, o respeito profissional, a criatividade… Tratar com gente de quem se gosta, de quem se é amigo, traz uma outra força. É uma troca sensível na música. Para além da questão profissional, obreira, técnica e burocrática, o OTM é esse encontro de personalidades em que se tem uma construção pré-show que é a qualificação na relação. Isso impacta em como a gente joga tudo isso para o palco, como a gente brinca lá em cima, o que estamos dizendo e trazendo. Tem relação com qual é a intenção, o que a gente coloca no olhar, na palavra, no corpo e no gesto.

A reação do público é diferente quando você toca com a trupe toda e com violão e voz? Quais são as diferenças e semelhanças?

Fernando Anitelli — É completamente diferente. São apresentações distintas, todas com muita pressão e presença, mas uma coisa é completamente distinta da outra. Em um show acústico, tem a voz, o violão, a harmonia, o olhar, a visceralidade que está na cara do artista nessa troca. Outra é a apresentação d’O Teatro Mágico, com gente voando pela sua cabeça, guitarra, bateria, sonzeira, iluminação. O show do OTM é uma experiência, tem de estar presente.

Por falar nisso: as apresentações da trupe aqui — e é provável que em qualquer lugar, na verdade — demonstram um sintonia bem intensa entre quem está no palco. Como é criar essa química com todos os envolvidos?

Fernando Anitelli — Existe um trabalho pré-concebido antes das apresentações. A gente ensaia, se encontra, lê as letras, discute o que a gente está imaginando para o palco. As pessoas participam, opinam, dão ideias. Tipo: qual é a intenção desse momento? Qual é a explosão? Como vai ser feita a interferência? Quem vai estar em tal lugar quando algo acender ou apagar? Quem sai? Tudo isso é combinado, ensaiado e conversado. As pessoas já entram sabendo qual é a dinâmica do mapa do show. Sabemos que em determinados momentos dá para rolar improvisação, mas, essencialmente, sabemos o que está acontecendo.

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E com o público, há alguma fórmula para gerar essa conexão? A interatividade, talvez?

Fernando Anitelli — É olhar no olho, conversar, trocar, convidar. É ser convidativo, intuitivo, interessante. Tem de fazer um show que seja foda. Tem de cuidar do público e ter respeito por ele.

A face multifacetada d'O Teatro Mágico, unindo música, poesia e malabares, também ajuda a chamar atenção da plateia? Aliás, seria essa uma das razões para o sucesso da trupe, em sua avaliação?

Fernando Anitelli — Na verdade, acho que a pergunta deveria ser: a maneira plural d’O Teatro Mágico é uma das razões do nosso sucesso? Uma delas, sem dúvida. Existem vários motivos para que uma obra possa se acontecer, ter personalidade e vigor. Ter vida durante 15 anos e movimentar, ainda, uma galera. Desde o início, a ideia era fazer com que o OTM fosse uma companhia artística na qual pudéssemos misturar música, poesia, teatro, circo e improviso. Algo em que a música não fosse só a música, mas tudo aquilo que a envolve: o movimento, o olhar, o corpo, as cores. Tudo isso está relacionado. Então, quem tem a experiência de estar em um show do OTM tem uma opinião. Quem só escuta o disco trabalha só a parte sonora, não dá para comparar. Uma coisa é só som, outra são as sensações que envolvem esse corpo criativo e plural. Isso é, sem dúvida, algo que faz a plateia pulsar junto com a gente.

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O repertório para o show de outubro deve ter alguma novidade? Pode falar qual?

Fernando Anitelli — Sim! Mostraremos duas canções inéditas que estamos lançando no segundo semestre. Estamos trabalhando, inclusive, em um clipe e num material imagético muito bonito para o nosso público. E, para além dessas músicas, tem as versões que fizemos dos grandes sucessos desses 15 anos de carreira.

O grande prazer agora é, justamente, garimpar o que entra no repertório. Mas sabemos que ele vai ser muito cheio de força da palavra, da atualidade do país, da nostalgia do OTM, da melancolia, da graça, da provocação. É nesse viés.

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Sobre Homero Pivotto Jr.

Pai do Benjamin, jornalista e assessor de imprensa. Idealizador e apresentador do videocast O Ben para todo mal (que entrevista pessoas ligadas à música para falar sobre filhos e som). Vocalista da Diokane e da Tijolo Seis Furos (TSF).
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