Shining: depressão, falso suicídio e violência em pleno palco

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Por Bruno Rocha, Fonte: Blabbermouth
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Varg Vikernes, Euronymous, Samoth, Faust, Gaahl, Blackthorn... A lista com os músicos mais insanos da cena nórdica de Heavy Metal dos anos 90 é grande. O que diabos deveria haver na água da Escandinávia naquela época para brotarem tantas figuras polêmicas? A resposta é essa mesma: só poderia ser o Diabo! Apesar da Noruega ser o país protagonista de tantos acontecimentos insensatos, a Suécia também tem os seus representantes. E nenhuma lista como a que encabeça este parágrafo ficaria completa sem a nomeação de Niklas Kvarforth (SHINING).

Kvarforth nasceu em Halmstad, Suécia, em 7 de dezembro de 1983. Multi-instrumentista precoce, fundou sua principal banda, o SHINING, com apenas 12 anos de idade, em 1996. Desde então, a temática lírica da banda sempre tendeu a temas como depressão e suicídio, fugindo do lugar-comum de bandas de Black Metal que adotam o satanismo em suas letras. Suas apresentações ao vivo sempre foram regadas de horror e polêmica. Niklas nunca poupou palavras torpes a quem quer que fosse e costuma se cortar e se queimar nos concertos, além de partir para a violência se alguém simplesmente olha torto para ele. Sua imagem sempre está associada às cicatrizes que carrega no antebraço.

'Eu odeio tudo' é uma frase recorrente na boca de Niklas. Se todas as polêmicas em torno de suas pregações em suas letras e entrevistas é levado a sério por ele ou se é puro marketing, o fato é que o indivíduo se automutila e cria histórias dantescas para promover sua banda. Uma delas, talvez a mais controversa, será tema no texto que segue. Seguem imagens talvez fortes para quem tem estômago fraco. Mas você, leitor, se está lendo este excurso, é porque você é um True-Black-Metaller-Das-Florestas-Do-Norte. Então, aguentará.

Em julho de 2006 foi noticiado na imprensa especializada que Niklas estava desaparecido há semanas e que ninguém sabia ao certo o seu real paradeiro. Logo foram levantadas hipóteses de suicídio, tomando por base o que ele sempre pregava nas suas letras. Hipóteses estas confirmadas por seus companheiros de SHINING da época. Segundo consta, Niklas havia tirado sua própria vida e deixado um bilhete, onde ele pede que sua vontade seja feita no que se refere ao seu sucessor na liderança da banda, sucessor esse denominado 'Ghoul'. Porém, nem mesmo os membros remanescentes do SHINING sabiam informar com precisão quem era o tal de 'Ghoul'.

Tal comunicado, em seus detalhes, pode ser lido no link abaixo:
1813 acessosShining: membros comentam suicídio de vocalista

A data do retorno do SHINING aos palcos se aproximava e ninguém sabia quem era Ghoul. Chegou então o dia do esperado concerto, na cidade-natal de Niklas, Halmstad, na casa de espetáculos 'Diezel', com censura de 13 anos. O show contaria com alguns convidados. Talvez alguns dos pré-adolescentes ali presentes não esperassem nem um décimo do que aconteceria naquele concerto macabro, um dos mais polêmicos do Heavy Metal.

De acordo como publicado no site Blabbermouth, quando do início do concerto, um vocalista com mascara de crânio entra e começa a entoar as canções. Aquele era ninguém menos que Attila Csihar, o histórico vocalista do MAYHEM. Era ele o tal de 'Ghoul'? Não. Pois eis que, de repente, surge no pequeno palco um homem todo cheio de cicatrizes e com uma maquiagem grotesca que começa a espancar Attila Csihar. Era Niklas Kvarforth, em carne e osso. E sangue, muito sangue. O infame vocalista havia premeditado seu próprio desaparecimento e seu suposto suicídio e estava ali de volta, mais insano do que nunca. Sua maquiagem, cicatrizes, sangue e calça completamente esfolada e de zíper aberto o faziam parecer mais um zumbi louco por carnificina.

Um fã bêbado tentou pegar em sua genitália. Foi a última coisa que ele fez antes de sentir um furioso chute de Niklas em sua cabeça. O vocalista então chamou Maniac (ex-MAYHEM) para o palco, que chegou logo derrubando Niklas e desferindo chutes em sua coluna, antes de quebrar um copo de vidro no palco, cujos estilhaços se espalharam pelo público. Niklas se recupera e começa a se cortar novamente, distribuindo suas navalhas usadas para o público. É chamado então Nattefrost (CARPATHIAN FOREST), que entra trazendo uma garrafa para Niklas, que bochecha seu conteúdo e cospe no público. Tal conteúdo supostamente era urina.

Depois deste show de horrores, a imprensa sueca abordou fortemente o caso. O responsável pela casa de shows, em entrevista a uma TV sueca, disse que, se soubesse do quão irresponsável seria o show, teria cancelado, e que pensaria duas vezes antes de trazer uma banda de Black Metal novamente para o 'Diezel'. Por telefone, o próprio Niklas disse à matéria que 'não voltaria atrás em nada'.

Em entrevista ao site Qvadrivivm, Attila Csihar relata seu ponto de vista:

'Niklas veio até mim explicando todo o seu plano e perguntando se eu não gostaria de ser Ghoul, já que ele me via como um tipo de personificação do alter-ego dele. [...] Algo grandioso aconteceu naquele show. Dividir o palco com Maniac e Nattefrost foi muito especial e nós estivemos em uma festa muito louca depois. [...] Não vejo Niklas desde então, o que não é uma surpresa. Não sei o que aconteceu com o SHINING e não me importa se Niklas ainda está vivo. Espero que sim.'

Mas também, depois de apanhar do cara em pleno show...

O lendário baterista Hellhammer (MAYHEM, ARCTURUS, ex-DIMMU BORGIR, etc.) também estava escalado para o escandaloso concerto, mas sua bateria não chegou no local. Bom para ele, que se safou sabe-se lá do quê.

Maiores detalhes sobre o concerto em Harmstad, no link abaixo. Vídeos de qualidade duvidosa do concerto são facilmente encontrados no Youtube.
5000 acessosShining: agressão, navalhas e sangue na Suécia

O SHINING continua na ativa, tendo lançado até hoje nove álbuns de estúdio, o mais recente intitulado 'IX - Everyone, Everything, Everywhere, Ends' (2015). Confira abaixo o clipe para a música 'Vilja & Dröm'.

youtube player
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Talvez até mesmo Satã duvida...

link para a entrevista de Attila Csihar:

http://qvadrivivm.blogspot.com.br/2011/11/mayhem-interview-f...

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Sobre Bruno Rocha

Cearense de Caucaia, professor e estudante de Matemática, torcedor do Ferroviário e cafélotra. Entrou pelas veredas do Heavy Metal na adolescência e hoje é um aficionado e pesquisador de todos os gêneros mais tradicionais desta arte e de suas épocas. Tem como forte o Doom Metal, não obstante o sol de sua terra-natal.

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