A todo o mundo, a todos meus amigos: Megadeth se despede com seu autointitulado disco
Resenha - Megadeth - Megadeth
Por Mário Pescada
Postado em 19 de março de 2026
Nota: 8 ![]()
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Quando indicou na sua biografia "Mustaine: Memórias do Heavy Metal" (lançada no Brasil em 2013 pela Editora Benvirá) que uma aposentadoria dos palcos já era algo nos seus planos, os fãs do Megadeth ficaram de cabelo em pé. O tempo foi passando e a banda lançando discos, porém "Megadeth" (2026), que era para ser outro disco na longa fila de lançamentos da banda, acabou sendo o disco que ficará marcado como o último lançamento do grupo.
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A decisão de Dave Mustaine de encerrar uma vitoriosa e igualmente turbulenta carreira é devido a uma condição que ele desenvolveu em suas mãos, logo nelas, seu ganha pão e que o tornaram um guitarrista técnico reconhecido mundialmente. Mustaine sofre há alguns anos com fortes dores por conta da "contratura de Dupuytren", um enrijecimento progressivo que causa arqueamento nas mãos, também conhecida como "Doença Viking" (uma alusão ao fato de a mão ficar como se estivesse segurando o cabo de um machado).
Antes de entrar na análise do disco em si, não podemos esquecer dois pontos importantes: primeiro, o fato de ser um disco lançado pelo Megadeth já desperta por si só análises criteriosas, afinal, trata-se de uma banda referência, com ótimos discos lançados e comparações são inevitáveis. Segundo, o fardo de ser o último disco torna o olhar mais criterioso ainda, afinal, todo mundo quer saber: a banda terminou bem ou não sua história?
Produzido pelo próprio Mustaine junto de Chris Rakestraw (Danzig, Soulfly, Motorhead e também produtor de "Dystopia" e do anterior "The Sick, The Dying...And The Dead!"), "Megadeth" (2026) é outro bom registro para o vasto rol de lançamentos da banda (esse foi seu décimo sétimo lançamento, para ser mais exato) e tem agradado de forma geral fãs/mídia, tanto que atingiu a posição #1 no Top 200 da Billboard, superando o recorde anterior que pertencia a "Countdown To Extinction" (1992). Temos um clássico então? Não é para tanto, mas com certeza um bom disco que faz jus a uma carreira respeitosa.
Com mais uma reformulação (mudança no Megadeth é chover no molhado), as faixas vão direto ao ponto, sem firulas e carregam, cada uma, um pouco de tudo que a banda fez ao longo dessas quatro décadas: doses de speed, de thrash metal e melodias. Teemu Mäntysaari, guitarrista indicado pelo próprio Kiko Loureiro para substituí-lo, caiu como uma luva: guitarrista de mão cheia (perdão pelo uso do termo após relatar os problemas de Mustaine), ele não só mandou bem nas suas partes, como assinou boa parte das músicas, ao lado do chefe Mustaine que continua certeiro nas seis cordas, com palhetadas e solos precisos: "Tipping Point" chega chutando a porta com bons riffs, bons solos e mandando um recado para alguém que vacilou e que isso não vai ficar barato (tenho um palpite, mas deixa pra lá); "Let There Be Shred" é um speed/thrash metal que remete muito aos primórdios do Metallica (vamos falar mais dele daqui a pouco); "Obey The Call" carrega um ar mais sombrio e "I Am War", com uma letra muito pessoal, se destacam facilmente.
Vamos então ao assunto Metallica. Quando foi anunciado que o disco trazia uma versão para "Ride The Lightning", uma das últimas músicas registradas por Mustaine ao lado dos seus antigos colegas, houve, claro, muita expectativa. Não sei se foi efeito disso, mas eu esperava mais: o instrumental está impecável, mas os vocais de Mustaine soam fracos para uma música com tal pegada, faltou mais agressividade. Vejo a escolha de um cover do Metallica como forma de exorcizar de vez esse fantasma e por um ponto final na constante comparação entre as bandas (lembra quando falei das inevitáveis comparações, pois é), mas podia ter ficado melhor.
Hoje, aos 64 anos, já avô, muito mais maduro e resiliente para as mudanças da vida, tomar a decisão de sair de cena com sucesso, shows pelo mundo, bons patrocinadores e ainda com lenha para queimar não foi algo desejado, mas necessário. Como diz o verso de "The Last Note": "O rugido pelo qual eu vivia começa a morrer / E agora é hora de eu dizer o longo adeus".
Aos fãs brasileiros, dois lembretes antes de Vic Rattlehead e Mustaine terem seus merecidos descansos: a longa tour de promoção/despedida passa pelo Brasil no dia 2 de maio e "Megadeth" (2026) foi lançado em CD no Brasil pela Shinigami Records e em breve também sai em vinil.
Formação:
Dave Mustaine: vocais, guitarra
Teemu Mäntysaari: guitarra
James LoMenzo: baixo
Dirk Verbeuren: bateria
Faixas:
01 Tipping Point
02 I Don't Care
03 Hey, God?!
04 Let There Be Shred
05 Puppet Parade
06 Another Bad Day
07 Made To Kill
08 Obey The Call
09 I Am War
10 The Last Note
11 Ride The Lightning (Metallica cover)
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