Quando Gary Cherone entrou no Van Halen para participar do pior disco da banda
Por Yuri Apolônio
Postado em 29 de julho de 2023
A banda dos irmãos Alex e Eddie Van Halen é uma das poucas que conseguiu com sucesso substituir um vocalista consagrado e ainda assim manter-se relevante, quando na troca de David Lee Roth por Sammy Hagar em 1985.
Noves fora a polêmica sobre essa primeira troca, querer substituir um segundo vocalista que deu certo, é como querer que um raio caia duas vezes no mesmo lugar.
O curto período com Gary Cherone para o Van Halen, por exemplo, é marcado pelo lançamento pelo maior fracasso comercial da banda, o "Van Halen III", de 1998. Pelo menos, a parceria rendeu uma turnê que devolveu ao setlist canções clássicas, que não eram executadas com tanta frequência nos anos com Sammy Hagar.

Mas antes de nos aprofundarmos no álbum, vamos voltar um pouco no tempo para entender como que o ex-Extreme, Gary Cherone, foi parar no Van Halen.
Quando é anunciado, na metade dos anos 90, que Sammy Hagar não mais fazia parte do Van Halen, os fãs mais old school da banda ficaram animados com a possibilidade da volta de David Lee Roth, em especial depois que ele apareceu em público com o resto do grupo no MTV Video Music Awards de 1996.
Eddie e David haviam voltado a se falar recentemente, para escolher canções para a primeira coletânea oficial do Van Halen, o "Best of - Volume 1". Os dois se dão bem e chegam a gravar com o restante da formação original duas canções inéditas para o disco.
Contudo, o que poucos sabiam é que a ideia dos irmãos Van Halen era de fato buscar um novo vocalista para gravar um um disco de inéditas. Então, em paralelo, eles seguem fazendo testes com outros músicos.
Ocorre que o favorito para a vaga, Mitch Maloy, descobre a colaboração com David Lee Roth a partir da transmissão do VMA e então cai fora. Logo em seguida, Lee Roth anuncia publicamente ter sido vítima de um golpe publicitário dos irmãos Van Halen e do empresário do grupo para divulgar a nova coletânea.
Sendo justo, durante o próprio VMA, Eddie comenta que somente faria uma nova turnê depois da gravação de um álbum de inéditas e que com David Lee Roth em breve seriam lançados alguns clipes.
O que se passou além de tudo que foi divulgado, só os envolvidos podem ter certeza. Fato é que ninguém se entendeu, o Van Halen ficou sem a opção "caseira", sem o principal candidato para a vaga e trouxe Gary Cherone.
O problema é que ao invés de compor o "Van Halen III" com a velha banda e o novo vocalista, Eddie cria o novo álbum praticamente sozinha, com alguma participação do irmão e de Cherone. O baixista Michael Anthony só participaria de 3 faixas, as quais, segundo ele, com Eddie ditando como cada canção deveria ser tocada.
Dá pra citar como ponto positivo obviamente o trabalho de guitarra de Eddie, sempre muito acima da média, mas ele sozinho não resolve os problemas. Ao final, o que a gente tem é um álbum muito mais voltado para o pop rock do que para hard rock tradicional do grupo, um álbum sem muito direcionamento, com canções longas demais e uma mixagem bastante estranha.
Ao menos ao vivo, a parceria foi mais animadora. Além da competência do vocalista (não que isso fosse um problema com Hagar), muita canção que não era executava há mais de uma década volta ao repertório. Ocorre que o número de ingressos vendidos, provavelmente devido à má recepção do novo álbum, também acabou abaixo do esperado.
Após a turnê, o Van Halen chega a gravar algumas demos para mais um álbum com Gary Cherone, mas Eddie comenta que devido aos resultados comerciais poucos expressivos do "Van Halen III", a gravadora os obrigou a demitir o vocalista.
Depois disso, o Van Halen contaria em períodos diferentes com a volta de Sammy Hagar e David Lee Roth. Com o vocalista original, ainda seria produzido o último álbum de inéditas, em 2012, e haveria uma última turnê da banda, em 2015.
O período Cherone, depois disso, seria quase que "apagado" da história do Van Halen, com nenhuma de suas canções sendo executada ao vivo. Nem mesmo a segunda coletânea do grupo, a "The Best of Both Worlds" incluiria algo do "Van Halen III", deixando os fãs do período "Van Cherone" (se é que existem, risos) na saudade para o resto de suas vidas.
Para quem gostou do texto, convido a assistir o vídeo a seguir. Nele, falo de outras bandas de rock que passaram por situações similares, ao trocar o vocalista e ver seu sucesso comercial desabar.
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