De Pink Floyd a Led Zeppelin, a cultura dos bootlegs
Por Isaias Freire
Postado em 23 de março de 2024
Lá nos primórdios do rock clássico e do heavy metal, era comum que grandes bandas levassem vários anos para lançar seu disco ao vivo. Foi assim com o Black Sabbath, que só foi lançar o "Live Evil" na era do Dio; com o Led Zeppelin, que só lançou "The Song Remais the Same" depois do "Presence", seu sétimo disco e com o Scorpions, que lançou seu ao vivo "Tokio Tapes" como seu sexto álbum. Isso só para exemplificar a ideia dominante da época. Com isso, foram abertas as portas para a cultura do "pirata". Na época, era assim que se chamavam os bootlegs (só muito tempo depois a expressão "pirata" deixou de ser utilizada).

Os cultuados bootlegs eram objetos de desejo e sua posse elevava o status de qualquer coleção. Eram raros, difíceis de se encontrar e seus preços eram exorbitantes, porém, todos queriam, independente da qualidade da gravação. Achar um bootleg com som de boa qualidade era tirar a sorte grande, mesmo assim, valia a pena, conseguíamos ouvir como as bandas soavam. Era maravilhoso pegar aquele LP sem informação nenhuma, capa normalmente com designer caseiro e selos completamente em branco: isso nos deixava somente com a banda, ao vivo.
Na cultura dos bootlegs, é comum encontrar na discografia quantidades maiores que a quantidade dos próprios shows da banda, isso se deve por existirem 3, 4, 5 ou mais títulos para um mesmo show. No caso do Led Zeppelin, hoje temos listados mais 2000 bootlegs no mercado, variando entre LP´s e CD´s. Quantidade que também julga-se ser a discografia de bootlegs do Bob Dylan.
Vários bootlegs possuem histórias interessantes: Frank Zappa, com o afã de diminuir a procura pelos seus bootlegs, lançou "Beat the Boots" uma série de três superboxes com vários de seus bootlegs que infestavam o mercado. Quem tem as versões originais está montado numa grana. O Led Zeppelin tem registrado como seu primeiro bootleg o "Pb", um LP de capa cinza com somente "Pb" estampado, nos selos, somente a indicação de que "Pb" é Pure Blues e que a gravação é ao vivo, mais nada. O Black Sabbath teve, durante anos, o "Live at Last" com status de bootleg, passando a figurar como oficial muitos e muitos anos depois -- inclusive apareceu na integra no CD duplo "Past Lives" lançado em 2002. O King Crimson oficializou vários de seus bootlegs, até lançou um ótimo box com quatro CD´s chamado de "The Great Deceiver". O Pink Floyd tem um bootleg totalmente dedicado a Richard Wrigth, chamado de "The Great Rick In The Sky". O famoso show do KISS no Maracanã, em 1985, tem também sua versão bootleg, porém, nunca viu sua cara ser oficializada. E por aí vai: U2, Prince, Beatles, Iron, Red Hot e muitos outros.
Com o advento do YouTube e das redes sociais, o que era raro e difícil de se encontrar está disponibilizado para todos a qualquer momento, no entanto, o charme e a procura pelos bootlegs físicos nunca deixarão de existir.
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