Pink Floyd: 53 anos de "Live at Pompeii"
Por Isaias Freire
Postado em 12 de outubro de 2024
"Live at Pompeii" é um dos filmes mais icônicos e inovadores da carreira do Pink Floyd, gravado em outubro de 1971 em um dos cenários mais inusitados da história da música: as ruínas do anfiteatro romano de Pompeia, na Itália. Lançado como um filme-concerto, a produção vai além de um simples registro ao vivo, oferecendo uma experiência audiovisual profunda e psicodélica que traduz o som e a atmosfera do Pink Floyd no auge de sua era experimental.
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A escolha de gravar sem plateia, em um local desolado e histórico como Pompeia, foi uma decisão ousada que reflete a essência da banda naquele momento. Ao invés de capturar a energia de um show lotado, "Live at Pompeii" cria uma ambientação contemplativa e quase surreal, reforçada pelas tomadas do ambiente vulcânico e pelos sons atmosféricos da banda. As imagens de vastidão, ruínas e desolação parecem dialogar diretamente com o som expansivo e experimental que o Pink Floyd estava desenvolvendo na época.
A setlist inclui faixas icônicas do álbum "Meddle", como "Echoes", uma peça de 23 minutos que funciona como o centro gravitacional do filme, além de outras como "A Saucerful of Secrets", "Careful with That Axe, Eugene" e "One of These Days". A longa duração dessas faixas, repletas de texturas sonoras, improvisações e dinâmicas progressivas, cria uma atmosfera hipnótica que reflete a abordagem mais cerebral e menos convencional da banda. Cada canção é envolvida por paisagens sonoras densas e atmosferas imersivas que combinam perfeitamente com o ambiente misterioso e histórico de Pompeia.
A direção de Adrian Maben é extremamente eficaz ao captar a essência da performance sem recorrer a clichês comuns de filmes de shows. Em vez de se concentrar apenas nos músicos, ele alterna entre cenas da banda tocando e imagens das ruínas, vulcões e céu, quase como se estivesse visualizando a música. A montagem não segue um padrão linear, mas sim uma fluidez que ecoa as transições psicodélicas e os crescendos dos arranjos instrumentais. As tomadas panorâmicas das ruínas ao som da bateria implacável de Nick Mason ou dos solos introspectivos de David Gilmour ajudam a intensificar a natureza cinematográfica do concerto.
Vale destacar que "Live at Pompeii" captura o Pink Floyd em um momento de transição criativa. Gravado pouco antes da criação de "The Dark Side of the Moon", o filme revela uma banda explorando as fronteiras da música experimental e do rock progressivo. Eles estavam aperfeiçoando seu som e estilo visual, e "Live at Pompeii" oferece uma janela interessante para esse período.
Algumas pessoas podem achar a ausência de uma plateia e a natureza introspectiva das filmagens menos envolventes em comparação com a energia de um show tradicional. Para os não familiarizados com a música progressiva ou com o estilo experimental do Pink Floyd, as longas passagens instrumentais e a ausência de uma narrativa tradicional podem parecer estranhas ou até alienantes. No entanto, para os fãs da banda e para aqueles dispostos a mergulhar na experiência sensorial, "Live at Pompeii" é uma obra-prima que captura a verdadeira essência artística do Pink Floyd.
O filme também ganha relevância histórica por ser uma das primeiras experiências audiovisuais desse tipo, contribuindo para a evolução da relação entre cinema e música. Em um tempo onde os videoclipes ainda não tinham se consolidado como formato de arte, "Live at Pompeii" mostrou que a música poderia ser visualmente expressiva sem precisar de grandes artifícios comerciais ou narrativos.
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