Quando bandas de Hard Rock lançaram discos "grunge".
Por Gabriel Henrique.
Postado em 09 de outubro de 2023
Quando bandas de Hard Rock começaram a lançar álbuns "grunge", muitos de vocês, caros leitores, devem ter ficado surpresos ao ler o título deste artigo. Mas não se preocupem, não se trata apenas de um "clickbait". Para entender um pouco melhor esse fenômeno, é necessário recapitular um pouco a história da época.
Nos anos 90, as bandas de hard rock, que antes eram gigantes e enchiam estádios, começaram a perder seu brilho. Motivado pela saturação do gênero e pelo excesso de drogas, festas e virtuosismo musical, o estilo não estava mais conectado com a juventude. Esta nova geração buscava algo mais simples e temas mais sóbrios, algo que bandas como Bon Jovi, Skid Row e Motley Crue, que anteriormente dominavam as paradas, não podiam mais oferecer. Assim, surgiram novos fenômenos como Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains, que rapidamente tomaram o lugar das bandas antigas nas gravadoras, rádios e na MTV.
Vendo sua popularidade declinar, algumas dessas bandas antigas decidiram se reinventar, sendo influenciadas pelo novo som e estética. Muitas delas, incluindo as mencionadas anteriormente, ajustaram seu estilo, lançando discos que rivalizavam com os das bandas de Seattle. Neste artigo, vamos explorar três desses álbuns "grunge" gravados por bandas dos anos 80, que conseguiram se renovar e criar verdadeiras obras-primas. (É importante observar que bandas como Kiss também tentaram adotar o grunge, mas o resultado foi um tanto desastroso com o álbum "Carnival of Souls").
Agora, vamos às resenhas. Vou apresentar os álbuns e destacar algumas músicas.
Bon Jovi - These Days, 1995
"These Days" é o sexto álbum dessa grande banda de "Pop Metal", uma das mais bem-sucedidas do gênero. A razão de sua longevidade e relevância foi a habilidade de se reinventar, algo que poucas bandas de sua geração conseguiram fazer. No início dos anos 90, John Bon Jovi e sua equipe já davam sinais de mudança. Em 1992, lançaram o incrível "Keep the Faith", um álbum que abandonava a sonoridade oitentista de trabalhos anteriores. "These Days" é um álbum mais pé-no-chão, com uma sonoridade crua e direta. Na capa, já é possível notar a ausência do baixista original, Alec John Such, e as mudanças visuais em todos os músicos. O álbum representa uma transformação completa: a sonoridade, os temas das letras, tudo foi alterado. É uma obra soberba, com uma sonoridade mais pesada e sombria do que qualquer coisa que eles já tenham feito antes. Destaque para músicas como "Hey God", com seus riffs de guitarra irados, "Something for the Pain", uma mistura envolvente de balada e rock de arena, e claro, "These Days", faixa-título do álbum, que apresenta belos sons de piano e um solo de gaita, algo inusitado para o som da banda.

Após o lançamento de "These Days", a banda continuou a lançar discos, sempre com uma ou duas músicas boas, mas nunca mais conseguiram produzir um álbum inteiro tão excepcional quanto este.
Faixas:
01. Hey God
02. Something for the Pain
03. This Ain’t a Love Song
04. These Days
05. Lie to Me
06. Damned
07. My Guitar Lies Bleeding in My Arms
08. (It’s Hard) Letting You Go
09. Hearts Breaking Even
10. Something to Believe In
11. If That’s What It Takes
12. Diamond Ring
Skid Row - Subhuman Race, 1995
Se esta banda não tivesse lançado o magnífico "Slave to the Grind" em 1991, eu afirmaria que este álbum resenhado seria o melhor de sua discografia. A cada lançamento, a sonoridade da banda se tornava mais pesada, mas neste trabalho eles abandonaram completamente o hard rock e incorporaram o grunge ao seu som. O terceiro e último álbum gravado com Sebastian Bach nos vocais, "Subhuman Race", é uma experiência intensa do início ao fim, com guitarras graves, baterias sólidas e baixo distorcido. Rachel Bolan sempre foi um grande músico, mas aqui ele estava "punk" tem horas que ele queria soar como Lemmy do Motorhead, e consegue. O álbum, produzido por Bob Rock, outro gênio do som pesado, inclui até uma de suas músicas na trilha sonora do filme "Anjos Rebeldes" do mesmo ano: a excelente balada "Breakin' Down".

No entanto, minhas maiores recomendações são para as faixas furiosas que abrem o disco: "My Enemy" e "Firesign". São verdadeiras pedradas que demonstram toda a potência da banda. Após o lançamento deste álbum, o Skid Row nunca mais foi o mesmo, e a formação clássica chegou ao seu fim. "Subhuman Race" é tão impactante que poderia ser descrito como uma mistura arrebatadora de Pantera e Alice in Chains. Recomendo ouvir em volume máximo e sem restrições, pois é uma experiência sonora que merece ser apreciada intensamente.
Faixas:
1. My Enemy
2. Firesign
3. Bonehead
4. Beat Yourself Blind
5. Eileen
6. Remains to be Seen
7. Subhuman Race
8. Frozen
9. Into Another
10. Face Against My Soul
11. Medicine Jar
12. Breakin' Down
13. Ironwill
Mötley Crüe - Mötley Crüe, 1994
Essa banda lendária, conhecida como os reis da excentricidade e da loucura, fez sucesso nos anos oitenta, mas quando os anos noventa chegaram, enfrentaram brigas internas e a saída do cantor Vince Neil. Era hora de se adaptar à nova onda musical da época. Com o lançamento deste álbum autointitulado, eles conseguiram exatamente isso. A banda estava afiadíssima, com o poderoso vocal de John Corabi, criando um dos melhores álbuns grunges de uma banda que não era grunge.
O disco começa com "Power to the Music", uma verdadeira explosão musical. Bob Rock, um produtor quase onipresente naquela época, retornou para ajudar não apenas o Mötley Crüe, mas também bandas como Metallica e Bon Jovi a redefinirem seus sons. "Uncle Jack" é uma música pesada, não apenas em termos de timbres de guitarra, mas também em sua letra, que exploram um tema sombrio e pesado. Outro destaque é a balada "Misunderstood", uma canção sóbria e bonita, com belos arranjos de violão folk. Apesar de ter sido esquecido na discografia da banda, este álbum é tão bom quanto os anteriores. Até o guitarrista Mick Mars considera este seu álbum favorito entre todos que gravou. Um verdadeiro marco na carreira da banda!
Faixas.
01. Power To The Music
02. Uncle Jack
03. Hooligan’s Holiday
04. Misunderstood
05. Loveshine
06. Poison Apples
07. Hammered
08. ‘Til Death Do Us Part
09. Welcome To The Numb
10. Smoke The Sky
11. Droppin’ Like Flies
12. Driftaway
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rick Rubin descartou uma das maiores bandas do grunge; "Não acho que sejam muito bons"
Fabio Lione afirma que show do Angra no Bangers Open Air será legal
A foto polêmica em que Stevie Nicks mostrou mais do que queria e depois se arrependeu
A regra não escrita que o Iron Maiden impõe nos solos de guitarra, segundo Adrian Smith
"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
Tecladista do Guns N' Roses defende "Chinese Democracy"
A música apocalíptica do Metallica lançada há mais de 40 anos que ainda faz sentido
Por que em "Ride the Lightning" o Metallica deu um grande salto em relação a "Kill 'Em All"
As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
Baterista do Arch Enemy afirma que saída de Alissa White-Gluz não foi uma surpresa
5 discos obscuros de rock dos anos 80 que ganharam nota dez da Classic Rock
Neal Schon rebate declarações de Arnel Pineda sobre pedido de demissão
"Provavelmente demos um tiro no próprio pé" diz Rich Robinson, sobre o Black Crowes
Frontman do Corrosion of Conformity, Pepper Keenan lembra teste para baixista do Metallica
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden


A banda brasileira que "faz o Sepultura parecer o Bon Jovi", segundo a Metal Hammer
Universal Studios confirma estar trabalhando em cinebiografia do Bon Jovi
A banda de rock que mudou Jon Bon Jovi para sempre: "é a razão pela qual escrevo músicas"
Jon Bon Jovi participará da entrada em campo no Super Bowl LX
Richie Sambora acusa Jon Bon Jovi de sabotar sua carreira solo para forçá-lo a voltar
Jaco Pastorius: um gênio atormentado
Para entender: o que é rock progressivo?


