A canção do The Doors gravada com uma baixista que detestava a história da banda
Por Bruce William
Postado em 15 de janeiro de 2024
Antes de "Light My Fire", The Doors era uma banda underground de Los Angeles, e foi a partir da explosão desta música, lançada no seu álbum de 1967 e cujo single atingiu o primeiro posto das paradas, vendendo mais de um milhão de cópias e tendo sido o primeiro hit número 1 da gravadora Elektra. Foi a partir dela que o grupo, formado por Jim Morrison no vocal, Ray Manzarek no teclado, Robby Krieger na guitarra e John Densmore na bateria, alcançou o sucesso e se tornou conhecido em escala nacional, e depois em nível mundial.
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Boa parte dela foi escrita por Krieger, embora na época todas as músicas do The Doors levassem créditos de todos os integrantes, tanto que há uma cena sobre a origem da música no filme de Oliver Stone, The Doors, de 1991, que foi incluída sob sugestão do guitarrista, que se irritava pelo desconhecimento geral das pessoas que ele havia sido o autor. A ideia de Robby era abordar um dos quatro elementos: fogo, ar, terra ou água. "Perguntei para Jim sobre o que eu deveria escrever, e ele me disse: 'Algo universal, que não desaparecerá daqui a dois anos. Algo que as próprias pessoas possam ter sua interpretação'. Então pensei nisto por causa da música dos Rolling Stones, 'Play With Fire', foi assim que aconteceu", contou Robby, que se baseou na melodia de "Hey Joe" na versão de Jimi Hendrix para compor a música.
Jim Morrison deixou anotações onde dizia que não gostava da música e odiava tocá-la, além de parecer ressentido pelo fato da popularidade da banda derivar dessa música, onde ele teve uma participação muito pequena, basicamente a inserção do verso "Try to set the night on fire", pois a ideia original de Krieger era encerrar com "Come on baby light my fire".
Inicialmente a canção tinha uma pegada meio folk, mas acabou tomando contornos distintos ao ganhar a introdução de órgão feita por Manzarek, com o Densmore acelerando um pouco o ritmo, tendo os famosos e lisérgicos solos estendidos de órgão e guitarra no miolo sido inspirados em duas obras do saxofonista John Coltrane: "Ole" de 1961 e o cover jazz da música "My Favorite Things" do filme "The Sound of Music".
E apesar do The Doors não ter um baixista oficial, há uma linha de baixo na canção, feita por Carol Kaye, uma profissional de estúdio na época que registrou muitos sucessos gravados em Los Angeles, incluindo várias produções de Phil Spector. Sobre seu envolvimento, ela contou ao Songfacts: "A banda não estava lá, somente alguns caras estavam na cabine. Toco nela, mas não gosto de falar sobre isso porque há muitos fanáticos por essas coisas. Sou reservada e nã uso drogas, acho algo totamente estúpido. Acho que as pessoas usam drogas e morrem no palco, acho isso tão estúpido e totalmente desnecessário... Então, evito falar sobre isso. Mas estou no contrato, sim, e toquei nela conforme era necessário".
Em 1968, a Buick ofereceu ao The Doors 75 mil dólares para usar a música em um comercial. Com Morrison ausente em viagem, Krieger, Densmore e Manzarek concordaram. Quando Morrison retornou e descobriu, ele teve um ataque e acabou com o negócio. Em 2013, o baterista John Densmore escreveu um livro inteiro baseado neste incidente, onde ele usa a história para explorar questões sobre integridade artística, se vender ao sucesso e o legado que Jim Morrison deixou para trás. Densmore afirma que a banda nunca mais foi a mesma depois do comercial, pois Morrison não confiava mais neles como uma banda de irmãos.
"Light My Fire" foi a última música que Jim Morrison tocou ao vivo com a banda, durante o show do Doors no The Warehouse em Nova Orleans em 12 de dezembro de 1970. No meio da música, Morrison ficou exasperado, quebrou seu microfone no chão e encerrou o show. Também foi a última música que o Doors tocou ao vivo como um trio, já que continuaram sem Morrison após sua morte. Sua última apresentação foi no Hollywood Bowl, em Los Angeles, em 10 de setembro de 1972. A chama se extinguiu. Ou não. Na verdade, ela continua acesa até hoje, na mente e coração dos fãs.
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