O clássico do Pink Floyd que David Gilmour não toca mais por ser "violento demais"
Por Bruce William
Postado em 19 de março de 2026
David Gilmour comentou em conversa com a Mojo que existe um ponto em que certas músicas do passado deixam de "bater" do mesmo jeito - não por falta de carinho por elas, mas por como a letra e o clima pesam quando você volta a cantar décadas depois. Entre os exemplos que ele deu, está uma faixa que muita gente associa imediatamente a The Wall: "Run Like Hell".
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Ele diz que gosta da faixa e gosta do que criou musicalmente ali. O incômodo vem do tom da letra, daquele tipo de urgência quase ameaçadora que funciona dentro do personagem e do contexto do álbum, mas que ele já não tem vontade de "encarnar" no palco hoje. "Há músicas do passado que eu não me sinto mais confortável cantando. Eu adoro 'Run Like Hell' (The Wall). Eu adorava a música que eu criei pra ela, mas todo aquele (canta) 'You'd better run, run, run…' hoje eu acho isso… sei lá… meio assustador e violento."
Na mesma conversa, Gilmour colocou outras duas fora do baralho, e aí a coisa fica bem prática para quem gosta de setlist: "Another Brick in the Wall" e "Money": "'Another Brick In The Wall' é outra que eu não vou fazer. (…) O mesmo com 'Money'. Eu não vou fazer isso. Eu vou ficar com as que são essencialmente a minha música, e com as quais eu sinto algum senso de 'propriedade'. 'Comfortably Numb', 'Wish You Were Here', 'Shine On You Crazy Diamond', talvez…"
Isso também ajuda a entender por que algumas faixas viram "menos óbvias" nos shows solo dele, mesmo quando são amadas pelo público. "The Wall" é um disco em que a narrativa e o personagem importam tanto quanto o riff ou o refrão. "Run Like Hell", em especial, tem aquele motor de perseguição e paranoia que, no álbum, encaixa como luva - mas, fora dali, ele prefere não carregar essa energia por escolha pessoal.
E tem um histórico aí. Depois que o Pink Floyd seguiu sem Roger Waters, Gilmour virou o rosto e a voz do Pink Floyd, e ele mesmo já descreveu como sabia que teria gente indo ao show só para gritar pelo antigo líder. Em entrevista antiga, ele falou daqueles momentos em que parte do público fazia questão de interromper o silêncio com gritaria sobre a ausência do Roger - e mandou uma pergunta bem simples para esse pessoal: por que pagar ingresso, então?
No caso específico de "Run Like Hell", existe ainda um dado objetivo que os fãs costumam rastrear: a última vez em que ele tocou a música ao vivo foi em 2016, no Royal Albert Hall. É o tipo de detalhe que vira "marco" quando o próprio cara diz que não pretende voltar a incluir a faixa, e aí a música passa a ter um lugar mais fechado na cronologia dos shows.
A lista que ele puxa ("Comfortably Numb", "Wish You Were Here", "Shine On…") desenha um norte bem claro: ele quer ficar com as músicas em que se reconhece por inteiro, hoje, no palco - e deixar de lado aquelas que pedem uma pele que ele não está afim de vestir de novo.
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