AC/DC: Análise vocal de Bon Scott

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Por Danilo F. Nascimento
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Ronald Belford Scott, mais conhecido como Bon Scott, foi vocalista da formação clássica de uma das maiores bandas de todos os tempos, o AC/DC.

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O contato de Scott com a música deu-se muito cedo, e aos 14 anos, já havia aprendido a tocar bateria, flauta doce (Seasons of Change) e gaita (It's a Long Way to the Top).

Aos 18 anos, formou a sua primeira banda, a "The Spektors". Inicialmente Scott era o baterista da banda, entretanto, ocasionalmente, arriscava-se nos vocais de algumas canções.

Scott gostou da experiência de cantar, e já tinha até um ídolo à ser seguido. Sim, a voz seca e cortante de Scott, é propositalmente inspirada na voz de Little Richards.

A partir de então, Scott estabilizou-se como vocalista, e integrou bandas como "The Valentines", "Mount Lofty Rangers", "The Winstons" e "Fraternity". Scott dizia que adorava tocar bateria, mas preferia estar à frente dos microfones, pois segundo ele, "os vocalistas pegavam mais mulheres".

Entretanto, é óbvio que o novo posto ainda não lhe garantia dinheiro suficiente. Para sustentar-se, Scott trabalhou como carteiro, barman, empacotador e motorista.

O primeiro contato de Scott com os futuros companheiros de AC/DC ocorreu quando ele mudou-se para Adelaide, onde acabou trabalhando como ajudante geral e motorista. Scott era o responsável por dirigir a van do AC/DC, já que até então, o vocalista da banda era Dave Evans.

Os irmãos Young chegaram a conclusão de que Evans não era o cara certo para a banda. Comentaram com Scott que a banda precisava de um novo membro, e o mesmo foi taxativo:

"Posso ser o baterista de vocês".

Mas os irmãos Young não estavam precisando de um baterista, e sim de um vocalista. Scott topou na hora, e o resto da história, todo mundo conhece.

Bon Scott nunca frequentou fonoaudiólogos e muitos menos treinadores vocais, e apesar da latente ausência de técnica vocal, conseguia preencher esta deficiência com um feeling extremamente peculiar.

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Como dito anteriormente, a forma com que Scott cantava era baseada na forma como Little Richard cantava, ou seja, a "técnica" mais utilizada por Scott era o drive.

O drive já fora meramente discutido por aqui, mas é sempre importante relembrar. Existem algumas particularidades neste recurso, bem como, formas diferentes de fazê-lo.

Confira:

- Drives vocais glóticos (ex.: fry, creaky voice e screech)

- Drives vocais estruturais (ex.: false chords e epiglotis drive)

- Drives vocais compostos e mistos (ex.: scream, growl e death drive/gutural)

Dentre as três categorias citadas acima, os tipos de drive mais utilizados por cantores de hard e heavy metal são:

- Drive Creacky voice: Drive de natureza glótica e constitui-se em um subtipo do drive fry.

- Drive de epiglote: Drive de natureza estrutural, produzido pelo abaixamento parcial da cartilagem epiglote em direção ao ádito da laringe, realizado pelo músculo ariepiglótico.

Conceitos e termos acima são de cortesia do treinador vocal Ariel Coelho. Para mais informações:
http://www.arielcoelho.com.br/analises-vocais/

Para um cantor iniciar a sua jornada na realização do drive, é preciso que ele já tenha noções elementares sobre técnica vocal, bem como, compreenda as limitações de sua tessitura e extensão. Sustentação, apoio, respiração diafragmática e ressonância craniana são essenciais para que o drive seja executado de forma correta.

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Um dos exercícios mais utilizados por professores para externar este recurso aos alunos, é o exercício fonoaudiólogo "fry", que é conceito baseado em registro basal.

É imprescindível também que o drive seja, prioritariamente, executado por intermédio do palato mole e não da garganta. É extremamente recomendável que o cantor procure um treinador vocal experiente para orientá-lo.

Scott nunca teve este tipo de orientação, e exatamente por isto, na maioria das oportunidades utilizava o drive por meio de constrição laríngea, que é tecnicamente inadequado.

Em algumas canções Scott utilizava o drive de epiglote, executando-o de, sabe-se lá como, de forma correta.

Mas o drive não era o único recurso de Bon Scott. Embora tenha auto-didata, Scott não mediu esforços para dominar outras técnicas vocais, que vieram a tornar-se a sua marca registrada. Dentre elas, é possível citar:

- Belting pleno: Dupla adução com preponderância de TA (Músculo Tireoaritenoídeo - músculo intríseco da laringe), com selamento glótico pleno.

- Mixed voice: Dupla adução com sinergia de TA (Músculo Tireoaritenoídeo - músculo intrínseco da laringe) e CT (Músculo Cricotireóideo - músculo intríseco da laringe), com selamento glótico pleno

Scott também possuía uma impostação invejável para um auto-didata, e conseguia empurrar a sua voz para cima de forma assustadora, produzindo uma sonoridade extremamente alta, com volume considerável.

Confira algumas características vocais de Bon Scott:

Timbre - Tenor
Faixa cantada - A2-G♯5
Alcance total - A2-G♯5

Notas altas significativas

E6 ("Gone Shootin")

C6 ("If You Want Blood (You Got It)", "Jailbreak")

B5 ("The Jack" live at 1979)

A5 ("Dog Eat Dog" live Oakland 1979, "Johnny B. Goode" live, "Let There Be Rock" live)

G♯5 ("High Voltage" live, "If You Want Blood (You've Got It)", "The Jack" live at Countdown, Holland 1979)

G5 ("Dog Eat Dog" live Oakland 1979, "If You Want Blood (You've Got It)", "Girls Got Rhythm", "Problem Child" live, "Ride On" live London 1980, "Sin City" live Oakland 1979, "Stick Around")

F♯5 ("Let There Be Rock" live, "Love Hungry Man", "Problem Child" live)

F5 ("Hell Ain't a Bad Place to Be" live, "Love Hungry Man", "Sin City" live, "The Jack" live, "Whole Lotta Rosie" live)

E5 ("Beating Around the Bush", "Dog Eat Dog" live, "High Voltage" live, "Highway to Hell", "Let There Be Rock", "Live Wire" live, "Rocker" live, "Sin City" live, "Shot Down in Flames", "Touch Too Much", "Whole Lotta Rosie")

E♭5 ("Gimme a Bullet", "Night Prowler", "Whole Lotta Rosie" live)

D5 ("Carry Me Home")

C♯5 ("Get It Hot", "Gone Shootin'", "If You Want Blood (You've Got It)")

C5 ("Carry Me Home", "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", "Get It Hot", "Girls Got Rhytm", "Go Down", "Hell Ain't a Bad Place to Be", "Kicked in the Teeth", "Problem Child", "Riff Raff", "Rocker", "She's Got Balls", "Up to My Neck in You", "What's Next to the Moon", "Whole Lotta Rosie", "You Ain't Got A Hold On Me")

Notas baixas significativas

A2 ("Ride On", "The Jack")

B2 ("Big Balls", "Dirty Deeds Done Dirt Cheap")

C3 ("Big Balls", "If You Want Blood (You've Got It)" Volts version, "Love at First Feel", "Ride On")

A revista Rolling Stone elegeu as melhores performances da carreira de Bon Scott, elencando-as da seguinte forma:

1. Love Hungry Man

2. Let There Be Rock

3. Kicked in the Teeth

4. Whole Lotta Rosie

5. Night Prowler

6. Highway to Hell

7. You Ain't Got a Hold on Me

8. Beating Around the Bush

9. Love Song

10. Ride On

O legado de Bon Scott é imensurável, além de ter influenciados inúmeros vocalistas, teve a honra de ter uma estátua sua concebida na Austrália.


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Sobre Danilo F. Nascimento

Administrador por casualidade. Músico por instinto. Escritor por devaneio. Fascinado por música, literatura e cinema. Seu primeiro contato com o mundo do rock data de meados dos anos 90, uma época de transição entre o analógico e o digital, e, principalmente, uma época onde a MTV ainda era aprazível e relevante. Idolatra e cultua o legado instituído pela maior banda de todos os tempos, o Queen.

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