O curioso motivo pelo qual Raul Seixas não gostava de um de seus álbuns mais famosos
Por Bruce William
Postado em 01 de março de 2025
Raul Seixas nunca teve medo de mudar de ideia, nem de olhar para sua própria obra com senso crítico. Entre os inúmeros sucessos que marcaram sua carreira, um álbum em particular se destacou comercialmente: "Gita" (1974). Com mais de 600 mil cópias vendidas, foi o maior sucesso de sua trajetória e rendeu ao cantor seu primeiro disco de ouro, conforme o wikipedia. No entanto, anos depois, ele confessou que não gostava tanto desse trabalho.
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A crítica de Raul a Gita não estava relacionada à música em si, mas ao tom do disco. Ele se incomodava com a ideia de soar doutrinário, como se estivesse tentando guiar seus ouvintes de maneira quase messiânica. "Já reparou na capa? Estou eu lá, de dedo pra cima, veja se é possível!", comentou em entrevista reproduzida no livro "Raul Seixas - Por Ele Mesmo", de Sylvio Passos (Amazon). Segundo ele, o álbum refletia um período em que assumia um papel semelhante ao de um pregador, algo que mais tarde passou a questionar.
A faixa-título do disco é uma das mais emblemáticas da carreira de Raul. Inspirada no Bhagavad Gita, um antigo texto sagrado hindu, a música traz versos marcantes como "Eu sou a luz das estrelas, eu sou a cor do luar". Segundo o próprio Raul, o significado da canção ia muito além do que muitos interpretavam: "Quando falo na letra 'Sou isso, sou aquilo', não sou eu. De maneira nenhuma. É cada um de vocês. Nós somos a coisa mais importante no universo".
Apesar de sua visão crítica sobre o tom do álbum, Raul reconhecia que Gita era um retrato fiel de quem ele era naquele momento. "Eu estava pondo pra fora o meu lado de Cristo, de Jesus, sabe como é, que adora sofrer pelas pessoas, mostrar o caminho às pessoas. Gita foi todo assim." A maneira como encarava sua música e sua presença de palco também mudou ao longo do tempo. Ele relembrou que, naquela fase, seus shows eram mais parecidos com discursos ou pregações, algo que depois passou a ver com certo distanciamento.
Mesmo que Raul tenha mudado sua percepção sobre "Gita", o álbum continua sendo um dos mais lembrados de sua carreira. Seja pela grandiosidade de sua produção ou pelo impacto de suas letras, o disco segue como uma peça fundamental da música brasileira, independentemente da relação do próprio artista com ele.
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