Produtor do "The Wall" revela o membro do Pink Floyd em quem Roger Waters mais pisava
Por André Garcia
Postado em 03 de julho de 2025
Na década de 70 vários nomes do rock britânico se tornaram verdadeiros gigantes: Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Queen, Rolling Stones, The Who, David Bowie… e seria um sacrilégio não incluir nessa lista o Pink Floyd.
Ao longo daquela década Roger Waters e companhia lançaram uma sequência de álbuns que eu ousaria dizer se tratar de uma das mais incríveis de toda a história do rock! Com uma consistência invejável, era uma obra-prima a cada dois anos:
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"Meddle" (1971); "Dark Side of the Moon" (1973), "Wish You Were Here" (1975), "Animals" (1977) e "The Wall" (1979). Pena que a década de 70 durou só 10 anos!
Álbum duplo mais vendido de todos os tempos, a autobiográfica ópera rock "The Wall" é um trabalho magnífico, mas foi durante sua produção que aquela versão da banda chegou ao fim. Roger Waters, cada vez mais egocêntrico e autoritário, botou aquele projeto debaixo do braço e começou a tratar seus colegas como vassalos musicais.
Àquela altura do campeonato, tanto Waters quanto o guitarrista David Gilmour já eram capazes de produzir o álbum sozinhos. Só que, como na época, eles dois já discordavam em tudo, solução adotada para suas frequentes e constantes divergências criativas foi a contratação do veterano produtor Bob Ezrin para servir de mediador entre eles.
Conforme publicado pela Rock and Roll Garage, em entrevista para a CBC, Ezrin comparou Waters a um valentão que faz bullying com os mais fracos no pátio da escola:
"Rolava muito bullying de pátio escolar, de vez em quando. Roger era muito duro com o Rick [Richard Wright]. Ele estava decepcionado com a contribuição do Rick para o disco — o que era injusto, porque ele era fantástico. E no momento em que ele tocava ou cantava, aquilo virava Pink Floyd. Ele era uma parte essencial do som da banda. Mas também era um cara muito sensível e estava se sentindo meio escanteado do processo desde a gravação de 'Animals' [1977]."
"Acho que Rick estava inseguro, e Roger […] reconhece a fraqueza na hora em que vê. Ele sente o cheiro de sangue e ataca. Então eu acho que de forma inconsciente, mas instintiva, o Roger começou a ficar puto [com a insegurança do colega]."
"A gravação do 'The Wall', foi o momento em que Roger estava, de certa forma, declarando o que ele via como sua autoridade dentro da banda. Como a história do disco era baseada na vida dele, ele tinha um sentimento muito profundo de posse sobre toda a narrativa e o projeto. Desde o início, ele era resistente às contribuições dos outros caras."
"Mas aí aquelas ideias [de David Gilmour] começaram a surgir, como 'Comfortably Numb', 'Young Lust' ou 'Run Like Hell' […]; mesmo que houvesse uma resistência inicial, no momento em que a coisa começava a soar bem, Roger embarcava."
As pessoas mais próximas ao Pink Floyd dizem que desde o começo Waters vivia pisando em Wright — e com o passar do tempo a coisa só foi piorando. No final da década de 70, além dos desgastes internos com a banda, o tecladista ainda passava por um divórcio e andava sofrendo com um vício em cocaína que o causava um bloqueio criativo, e o levava a se isolar da banda.
Richard Wright chegou a ser demitido por Roger Waters durante as gravações do "The Wall", mas foi contratado como músico de apoio para a turnê. Por ironia do destino, a produção daquela turnê foi tão cara que mesmo sendo um sucesso deu prejuízo. O único membro que ganhou dinheiro com aquilo foi o tecladista, que tinha seu salário garantido.
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