O hit da Legião Urbana que revela crítica de Renato Russo a hábito de apresentadoras infantis
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de outubro de 2024
A música "Índios", lançada pela Legião Urbana no álbum "Dois", é uma das mais famosas da carreira da banda, com quase 30 milhões de reproduções no Spotify. Em vídeo no seu canal no YouTube, Júlio Ettore destrinchou o significado do hit mostrando como diferentes escritores se debruçaram sobre ela.
"Em particular, ela pode ser visto como um retrato de qualquer nação, império ou reino, devido à sua universalidade, que abrange operários, trabalhadores, explorados e até os povos originários", explica o youtuber fazendo alusão ao livro "Renato, O Russo", escrito por Julliany Mucury.
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O curioso é que, seguindo outra análise, do filósofo Marcos Carvalho Lopes, no livro "Canção, Estética e Política. Ensaios Legionários", Ettore comenta a sutil crítica que "Índios" faz sobre a apresentadora infantil Xuxa.

O próprio Renato explicou em entrevista resgatada pelo canal essa citação à Xuxa: "Eu queria fazer uma brincadeira inspirada na Xuxa, pegar algo muito sério e tratar de um jeito totalmente banal. A música começa com uma entonação que lembra uma criança falando. Não sei se você percebeu, mas tem um toque que remete à Mara Maravilha ou até ao Menudo.
"Ele sugere que Renato estava criticando a informação que era transmitida às crianças através de programas infantis como o ‘Clube da Criança’, apresentado por Xuxa na Manchete.
Além disso, o filósofo encontra inspiração de Renato Russo em Jean-Jacques Rousseau, filósofo que Renato lia. Rousseau defendia a ideia de que o homem nasce bom, mas é corrompido pela sociedade.
"À medida que a ciência e as artes avançam, nossas almas se corrompem. Por trás da polidez das regras sociais, muitas vezes, esconde-se um egoísmo vil. Essa visão crítica da sociedade, unida à ideia da degeneração da inocência natural, é central em ‘Índios’, que se torna uma reflexão sobre a corrupção do ser humano", analisa.
Ainda segundo Ettore, Renato Russo chegou a declarar em 1992 que, ao compor músicas como "Índios" e "Tempo Perdido", percebeu que era possível abordar política sem ser panfletário. "E assim, ela não se limita a ser uma música sobre a conquista da América pelos europeus, mas uma meditação mais ampla sobre a condição humana", finaliza.
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