Anos 80: canções nacionais com nomes de garotas

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Por Roberto Rillo Bíscaro
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Do LP de estreia (1984) do Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, Alice (Não me Escreva Aquela Carta de Amor) tinha Paula Toller cantando sob perspectiva masculina, visto que o letrista principal era Leoni.

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Na década de 80, dançávamos e nos emocionávamos com canções sobre o holocausto nuclear. Em 83, o Rádio Táxi estourou com Eva, versão do italiano Umberto Tozzi, sobre um casal que foge numa astronave, da Terra devastada. (Quem lembra que sacaneávamos a letra, cantando "minha pequena égua"?)

Sílvia (1984), de Vincius Cantuária, é homenagem à filha de Chico Buarque de Holanda.

Em 86, os baianos do Camisa de Vênus lançaram Viva, registro de um show em Santos (SP). O álbum também continha uma canção chamada Sílvia, mas, dessa feita o tom era bem diferente do da canção de Vinícius Cantuária! Claro que a canção não foi feita para a filha de Chico.

Em 85, o Ultraje a Rigor vendeu que nem pão quente e tocou à exaustão. Uma das faixas de Nós Vamos Invadir Sua Praia é Zoraide, sobre um cara que não quer namorar, pois quer variedade.

Que eu saiba a banda Grafite só teve um sucesso, versão da dupla italiana Ricchi e Poveri. Mama Maria (83) é sobre uma mãe que não deixa a filha sair sozinha com o namorado. Para os filhos atuais jogarem na cara dos pais quando reclamarem que "hoje só tem porcaria". Mas, que é divertido, ah isso é!

Ainda em sua fase New Wave, os Titãs colocaram Dona Nenê em seu álbum Televisão (1985). É sobre uma senhora que desaparece num peg-pag (houve época em que supermercado era chamado assim, jovens! Mas nos anos 80 já falávamos supermercado).

Em 86, o Capital Inicial estreou com LP homônimo, que traz Fátima, letra de Renato Russo sobre os segredos da Nossa Senhora de Fátima.

Em 1985, Léo Jaime lançou Solange, versão de So Lonely, do Police. A mulher do título era a chefona da Censura Federal, responsável por trucidar trabalhos artísticos.

Em 89, os Inimigos do Rei fizeram sucesso com a gracinha sem graça Adelaide. Anos 80 no fim e no fundo do poço.

Fausto Fawcett é fascinado por loiras, daí seu sobrenome artístico, em homenagem à ex-pantera Farrah Fawcett. Em 87, sua Kátia Flávia, Godiva do Irajá que rouba carros de polícia, entrou para trilha de novela global e tocou no país todo. Funk, rap, pop e a palavra "calcinha" contribuíram para o sucesso.

Em 1981, a Gang 90 & as Absurdetes chacinaram Christine, da
Siouxsie and The Banshees.

Também de 81 e bem melhor é a História de Lili Braun, letra de Chico Buarque sobre uma cantora de cabaré que se casa e tem que abandonar a vida na ribalta.

Em 1984, anos antes de virar sinônimo de canção natalina torturante, Simone duetou com Chico Buarque, em Iolanda (Iólandaaa). Teve muita gente que gostou, pois a canção tocou bastante.

Em 87, os gaúchos do Nenhum de Nós estouraram nacionalmente com Camila, Camila, sobre uma adolescente agredida (pelo menos é o que acho...).

Em 84, Débora Bloch ganhou alguns prêmios como melhor atriz pelo filme Bete Balanço, sobre uma mineira que vai para o Rio tentar ser pop star. A canção-título era do Barão Vermelho.

Uma tia Josefina, louca, mas muito legal era a homenageada de uma canção do Balão Mágico (1984), grupo-armação que se entupiu de sucesso por uns três anos, graças ao carisma de Simony e Cia. Todo mundo gravou com eles, do Dominó a Djavan, o que quer dizer muito, em vários sentidos!

Em 1983, quando alguém ficava nervosinho não era incomum ouvir um "calma, Betty, calma!", graças ao sucesso Betty Frígida, da Blitz, banda que imperou nas rádios e TVs na primeira metade da década.

Nem Sansão Nem Dalila foi título de um filme de Oscarito na década de 50 e em 86 deu nome a um rockão meio carnavalesco do Hanoi Hanoi (Duran Duran, Talk Talk...), em seu álbum de estreia.

Os anos 80 no Brasil gostavam do nome Beth. No primeiro LP, o Camisa de Vênus mostrou sua verve punk com Bete Morreu, sobre uma garota estuprada e morta.

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Sobre Roberto Rillo Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário e edita o Blog do Albino Incoerente desde 2009.

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