Como o Grateful Dead ajudou a seleção lituana de basquete masculino em 1992
Por João Renato Alves
Postado em 14 de março de 2026
Em 1992, a Lituânia tinha uma das seleções mais fortes do mundo no basquete masculino. No entanto, a equipe estava ameaçada de não participar do pré-olímpico da Europa, que aconteceu na Espanha semanas antes da Olimpíada de Barcelona. O fim da União Soviética deixou o país em grave crise financeira, o que fez com que o governo definisse outras prioridades e tenha optado por não ajudar o time.
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Foi quando, de forma um tanto quanto inusitada, o rock and roll entrou em ação. O Grateful Dead soube da história através de matéria do jornal San Francisco Chronicle, assinada por George Shirk. Dennis McNally, publicitário que trabalhava com a banda, mostrou o texto aos músicos, que se comoveram com a situação e resolveram ajudar.
O grupo contribuiu com US$ 5 mil, além de ter encomendado a criação de um uniforme de treino ao artista lituano Arturas Raila. A arrecadação com as vendas geraria mais valores, que seriam usados para bancar os custos extras. Jogadores da NBA também entraram na ação solidária, incluindo Chris Mullin, colega de Sarunas Marciulionis – um dos primeiros soviéticos na liga americana – no Golden State Warriors.
A Lituânia passou invicta pelo pré-olímpico, conquistando uma das quatro vagas europeias. As outras ficaram com a Croácia, Comunidade de Estados Independentes – denominação para a união de 12 das 15 ex-repúblicas soviéticas (Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão) – e Alemanha. Como país sede, a Espanha teve direito a entrar no torneio sem precisar passar pela disputa.
Em Barcelona, a equipe passou pela primeira fase com 4 vitórias e 1 derrota – justamente para os ex-compatriotas. Nas quartas-de-final, eliminaram o Brasil. Após virar o primeiro tempo perdendo para Oscar Schmidt e companhia, reagiram e fecharam com um categórico 114 a 96. Na semifinal, a missão impossível: o Dream Team, seleção dos Estados Unidos que é considerada até hoje por muitos a maior reunião de astros em um esporte coletivo. Derrota inevitável por 127 a 76.
Na disputa pelo bronze, a vingança sobre a Comunidade de Estados Independentes, em um jogo emocionante que acabou 82 a 78. Na hora do pódio, os atletas apareceram com as camisetas encomendadas pelo Grateful Dead, como forma de agradecimento. Mais bem estruturada, a Lituânia repetiria o bronze em Atlanta 1996 e Sydney 2000.
Em declarações posteriores, os músicos da banda demonstraram orgulho pela atitude. O baterista Mickey Hart classificou o episódio como "uma luta por vida e liberdade".
A história do feito lituano em terras espanholas foi contada no documentário "The Other Dream Team", que pode ser visto na íntegra no player abaixo.
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