Heavy Metal: Verdades, imagens e aparências

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Por Roberto Muñoz, Fonte: pictaram
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Quando GARY HOLT usou uma camiseta-resposta com a mensagem: “Kill the Kardashians” – valeu João Victor Oliveira pela matéria – ele estava sendo muito claro. Sim, claro aviso aos oportunistas e modistas de plantão, que sempre pegam carona em “tendências”.

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Desde a massificação do GUNS’N’ROSES, que deixou de ser uma banda para tornar-se um produto, passando pelo dramático álbum da cobrinha do METALLICA, que deixou de ser uma banda para tornar-se uma marca, o Heavy Metal foi cerceado pelas idiossincrasias do mundo fashion musical.

O que foi aquilo? METALLICA com LADY GAGA no Grammy? A postura desta moça em palco foi típica daqueles manés que acham som pesado coisa de “mucho doido”. Aí, no melhor estilo epilético, ela requebrou atabalhoadamente para “parecer” entendida do negócio. Yeah, fuckin’ business... Deus não mata, mas castiga, e Euterpe liquida com as ilusões musicais. O que foi aquele microfone danificado, senão mais um sinal dentre os diversos equívocos pós CLIFF BURTON da banda?

Claro, mentalidades pragmáticas menosprezam simbólicas, afinal, para elas, somente o Jornalismo tem o dom do “papo reto”. Leitura de obras perenes, huh, nem pensar! O grande escritor Octávio de Faria, que, evidentemente, as massas – ricas ou pobres – desconhecem, já tinha dado a grande barbada sobre as pseudo brasilidades em sua obra “Maquiavel e o Brasil”, (1931). Para que estudarmos poéticas se temos jornais, não é mesmo?

Voltando, faz-se necessário ter postura no âmbito do Rock’n’Roll. OZZY urinou no Álamo vestido de mulher e já cheirou carreiras de formigas. NIKKI SIXX e TOMMY LEE enfrentaram um pelotão de policiais no Japão após estourarem uma garrafa de uísque no vidro de um dos compartimentos do trem bala. GARL SAMUELSON era regado à heroína. E o METALLICA? Tirava fotos com garrafas de cerveja nas mãos bancando a alcunha de “Alcoolica”. Ora, um jovem roqueiro bebe, normal. Não se trata aqui de defender desregramentos, mas sim de analisar até que ponto a pose finge a verossimilhança.

Nos anos 80, o CELTIC FROST estourou com o álbum “To Mega Therion”, (1985). Porém, três anos depois a banda lançou um glamouroso álbum com um visual identicamente glamouroso. Interessante nisso tudo eram os fãs de black metal que sempre ridicularizavam publicamente os fãs de Glam Rock na referida década. Não me recordo de bandas de Hard Rock ou Glam enveredando para o black metal.

Por outro lado, o Glam também falhou, não por falta de coerência, mas por não enfrentar o business e os empresários de punhos cerrados, como o caso do RATT, que pagou caro por deslumbramentos infantis e por ceder em demasia para os empresários, enorme talento desperdiçado com gravações por demais pasteurizadas. Basta ouvir o primeiro EP, (1983), da banda, e comparar com “Dancing Undercover”, (1986), ou “Reach for the Sky, (1988).

Ainda sobre o Glam Rock, outro absurdo foi a proposta mui estranha do roteiro da obra cinematográfica “Rockstar”, (2001), de Stephen Herek, onde toda “podridão” do Rock parece ter sido criada pelas bandas do gênero. Francamente, o protagonista readquire toda a sua “pureza” ao cortar o cabelo e cantar em barzinhos cool tocando a sua viola? Até parece... Quem não viu neste ato uma paparicação dos anos 90/ grunge/ EDDIE VEDDER? À propósito, o próprio PEARL JAM, após a obra-prima “Ten”, (1991), também nunca mais foi o mesmo, devido às pressões.

De qualquer forma, num mundo onde RITA LEE é considerada “rainha do rock” as coisas tornam-se complicadas para o Heavy Metal. O discernimento entre Pop e Rock’n’Roll fica essencialmente prejudicado por turvas interpretações, e os achismos com seus “juízos de gosto” sobrepõem-se às análises onde os “juízos de valor” determinam as questões. Assim, nesta terra, resta jogar golfe calçando chinelos, pois aqueles que mandam não passam de “caboclos querendo ser ingleses”.

Roberto Muñoz, escritor

Post Scriptum: Não conheço pessoalmente João Paulo Andrade, mas seu esforço, juntamente com a sua equipe, em manter o site Whiplash.net de pé simplesmente escancara um caráter altamente empreendedor. Infelizmente, a cultura do Mecenato, algo tão comum na Europa e nos EUA, parece inexistir em Terra Brasilis. Óbvio, para os “famosos” ou para os “filhos de” as coisas são diferentes, mais fáceis, course. Depois, os nativos assistem filmes como “Brazil”, (1985), de Terry Gilliam, ou Bananas, (1971), de Woody Allen, não entendem nada, e ficam todos ofendidinhos. Quanta injustiça dos gringos!!!

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Sobre Roberto Muñoz

Roberto Muñoz é escritor, 49, gaúcho de Porto Alegre. Pós-graduado em Cinema/ PUC-RS, integrou a equipe de direção do curta-metragem “A Vida do Outro”, 1997, realizado pelos alunos do curso, filme premiado com Candango de melhor roteiro, 16 mm/ Festival de Brasília-1997 e com Kikito de melhor atriz, 16 mm/ Festival de Gramado-1998. Com três obras ainda inéditas sobre metafísica, poética e outros assuntos existenciais, o autor já tem artigos publicados no Jornal do Brasil, Correio do Povo e Zero Hora.

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