Os fins do Natiruts e de alguns ciclos nas vidas das pessoas
Por João Noé
Postado em 25 de junho de 2024
Uma das evidências da passagem do tempo é o fim de algumas bandas que sempre estiveram conosco. Aquelas bandas com as quais nos acostumamos a amadurecer, aquelas que fizeram parte de momentos marcantes de nossa vida, seja num show, seja numa canção que ouvimos durante um beijo. É difícil ver o fim dessas bandas, porque o fim dessas bandas é também um pouco o fim de uma parte da nossa vida.
Foi um pouco o que senti um dia desses quando soube do fim do Natiruts. Li, por acaso, em uma notícia na internet, que a banda se preparava para o último show no Rio de Janeiro. Me lembro de como a banda surgiu para mim na Rádio Cidade, com "Beija-Flor", enquanto eu era um adolescente, ainda descobrindo o reggae. E (perdão pelo clichê) aquilo que eu, como um adolescente na segunda metade dos anos 1990, associaria ao reggae: a maconha.
A minha ardilosa memória diz que meu primeiro contato com a cannabis foi junto a uma parede externa do Teatro Mário Lago, no Colégio Pedro II, em São Cristóvão, Rio de Janeiro. Deve ter sido em 1997, quando eu tinha uns 13 anos. Havia entre amigos algo que eles chamavam maconha. E fumávamos algo que eles chamavam de baseado. Era uma espécie de origami amador no qual ateamos fogo. Não me lembro de ter sentido qualquer coisa. Talvez eu não tenha tragado, talvez aquilo nem mesmo fosse maconha.
Mas isso não era o importante. O Natiruts nada tinha a ver com essa minha experiência. Eu fumaria maconha mesmo sem eles. Eu fumaria maconha até sem o Planet Hemp. Talvez mesmo sem outras bandas que fizeram parte daqueles momentos da minha vida, mas que acabaram: O Rappa, Charlie Brown Jr., Raimundos... Bem.... O Raimundos ainda existe, mas já nem sei muito bem o que anda fazendo.
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Aquela crise do Raimundos em 2001, aliás, coincidiu com algumas crises na minha própria vida. Eu me alcoolizava por causa de paixões não correspondidas, fumava baseados de verdade e me via aterrorizado diante do vestibular. Já o Rodolfo virou religioso e largou a banda, envergonhado de letras repletas de palavrões e menções ao uso da cannabis, entre elas o "Reggae do Manero". Nunca me tornei religioso, mas, hoje, eu também me envergonho de ter apreciado algumas letras do Raimundos. Por motivos muito diferentes dos que tinha Rodolfo. Eu, ele e o que sobrou do Raimundos, todos nós, seguimos caminhos diferentes. Muito diferentes.
Com o Natiruts, não. Eles sempre permaneceram por perto. Com letras que não eram tão envergonháveis quanto as do Raimundos. Naquele ano de 2001, lançaram uma canção que ouço até hoje, "Andei Só". Eu tinha 17 anos e cantava: "preciso demonstrar pra ela que mereço seu tempo pra dizer um pouco das ideias novas dos lugares de onde viajei". Eu até sabia quem era a minha "ela", mas, infelizmente, ainda não tinha viajado para muitos lugares...
Nunca fui a um show do Natiruts, apesar de eles terem cantado a trilha sonora de uma parte importante da minha vida. Na verdade, eu nunca fui um grande fã do Natiruts, desses mais devotos, mas sempre gostei deles. Por outro lado, eu já tinha ido a um show do Raimundos, tinha álbuns deles (na verdade, a fita cassete de Lavô Tá Novo e o CD de Lapadas do Povo). Ou seja, a minha admiração pelo Natiruts não era a mesma que eu sentia pelo Raimundos. Era algo mais estável e sereno, por assim dizer. Isso não impediu que, hoje, o Natiruts ocupe uma gostosa fatia da memória afetiva da minha juventude. Mas a banda vai acabar.
Acho que outras gerações também passaram por isso. O fim de bandas decreta também o fim de uma era. Os ciclos são assim. Depois daquele primeiro "baseado" no Pedro II, eu deixei de ser adolescente (?) e já ouço até mais samba do que rock e reggae. Mas o Natiruts continuou como parte da minha vida.
O término da banda, então, diz algo para mim. Talvez que alguns ciclos devem se encerrar. Que a gente deve se tornar mais adulto, que devemos nos engajar em outros projetos. Hoje, eu já não fumo baseados como um ato de rebeldia juvenil. Outro dia, decidi que iria tentar não beber mais. O tempo passa... Mas poxa... Como eu sinto falta daqueles dias de Pedro II...
Aquelas eras terminaram e eu quase me lamento por isso. Talvez, eu devesse ter ido a um show do Natiruts. Talvez, eu devesse ter comprado mais álbuns deles, na época em que as pessoas ainda compravam álbuns. Talvez, talvez, talvez... Talvez, tudo isso já seja passado. Contudo, eu sorrio porque meu esperançoso coração me diz ser preciso crescer, "independente do que aconteça".
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Bono e The Edge explicam o que mantém o U2 unido há 50 anos
A pergunta estranha que Clive Burr teria feito a Nicko McBrain
Nicko McBrain reconhece que Iron Maiden foi injusto com Blaze Bayley
A banda nova que Rob Halford e Robb Flynn defendem e o The Guardian detona
O gênero musical que Slash considera mais vibrante que o rock atualmente
Os "aditivos legais" que Dave Lombardo consumiu durante as gravações de "Reign in Blood"
A banda que Dave Grohl chamou de circo e comparou a cerveja velha e sem graça
Os graves erros que Mick Mars cometia no palco do Motley Crue, segundo Tommy Lee
Akira Takasaki (Loudness) sobe ao palco com o Angra para tocar clássico do Deep Purple
A banda de metal que Gene Simmons dizia que iria tomar o lugar do Kiss
O instrumento que Steven Tyler quebrou gravando um clássico do Aerosmith e ninguém consertou
A canção de dois adolescentes que impediu "Bohemian Rhapsody" de chegar ao topo das paradas
O disco mais odiado do Metallica que Jimmy Page e Jack White adoraram
A delicada música do Black Sabbath que Tony Iommi escolheu para seu casamento
Lobão detesta metaleiro, mas põe Sepultura acima de todas as bandas de rock
Floor Jansen compartilha momento pós-treino e deixa fãs empolgados
O hit do Pink Floyd que foi última canção escrita por Roger Waters e David Gilmour juntos
Por que Herbert Vianna gosta muito do riff de "Eu Quero Ver o Oco" do Raimundos?

Acender sinalizadores em shows é uma tremenda besteira
O rock e o heavy metal se misturam com a política, sim (e você provavelmente sabe disso)
A declaração de James Hetfield não surpreende, considerando de onde veio
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
O fã não é nenhum idiota, e merece mais respeito
Rock in Rio quer o nome do rock, mas não seu compromisso
Heavy Metal: Bem vinda, Nova Geração da Velha Escola
