Os fins do Natiruts e de alguns ciclos nas vidas das pessoas
Por João Noé
Postado em 25 de junho de 2024
Uma das evidências da passagem do tempo é o fim de algumas bandas que sempre estiveram conosco. Aquelas bandas com as quais nos acostumamos a amadurecer, aquelas que fizeram parte de momentos marcantes de nossa vida, seja num show, seja numa canção que ouvimos durante um beijo. É difícil ver o fim dessas bandas, porque o fim dessas bandas é também um pouco o fim de uma parte da nossa vida.
Foi um pouco o que senti um dia desses quando soube do fim do Natiruts. Li, por acaso, em uma notícia na internet, que a banda se preparava para o último show no Rio de Janeiro. Me lembro de como a banda surgiu para mim na Rádio Cidade, com "Beija-Flor", enquanto eu era um adolescente, ainda descobrindo o reggae. E (perdão pelo clichê) aquilo que eu, como um adolescente na segunda metade dos anos 1990, associaria ao reggae: a maconha.

A minha ardilosa memória diz que meu primeiro contato com a cannabis foi junto a uma parede externa do Teatro Mário Lago, no Colégio Pedro II, em São Cristóvão, Rio de Janeiro. Deve ter sido em 1997, quando eu tinha uns 13 anos. Havia entre amigos algo que eles chamavam maconha. E fumávamos algo que eles chamavam de baseado. Era uma espécie de origami amador no qual ateamos fogo. Não me lembro de ter sentido qualquer coisa. Talvez eu não tenha tragado, talvez aquilo nem mesmo fosse maconha.
Mas isso não era o importante. O Natiruts nada tinha a ver com essa minha experiência. Eu fumaria maconha mesmo sem eles. Eu fumaria maconha até sem o Planet Hemp. Talvez mesmo sem outras bandas que fizeram parte daqueles momentos da minha vida, mas que acabaram: O Rappa, Charlie Brown Jr., Raimundos... Bem.... O Raimundos ainda existe, mas já nem sei muito bem o que anda fazendo.

Aquela crise do Raimundos em 2001, aliás, coincidiu com algumas crises na minha própria vida. Eu me alcoolizava por causa de paixões não correspondidas, fumava baseados de verdade e me via aterrorizado diante do vestibular. Já o Rodolfo virou religioso e largou a banda, envergonhado de letras repletas de palavrões e menções ao uso da cannabis, entre elas o "Reggae do Manero". Nunca me tornei religioso, mas, hoje, eu também me envergonho de ter apreciado algumas letras do Raimundos. Por motivos muito diferentes dos que tinha Rodolfo. Eu, ele e o que sobrou do Raimundos, todos nós, seguimos caminhos diferentes. Muito diferentes.
Com o Natiruts, não. Eles sempre permaneceram por perto. Com letras que não eram tão envergonháveis quanto as do Raimundos. Naquele ano de 2001, lançaram uma canção que ouço até hoje, "Andei Só". Eu tinha 17 anos e cantava: "preciso demonstrar pra ela que mereço seu tempo pra dizer um pouco das ideias novas dos lugares de onde viajei". Eu até sabia quem era a minha "ela", mas, infelizmente, ainda não tinha viajado para muitos lugares...
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Acho que outras gerações também passaram por isso. O fim de bandas decreta também o fim de uma era. Os ciclos são assim. Depois daquele primeiro "baseado" no Pedro II, eu deixei de ser adolescente (?) e já ouço até mais samba do que rock e reggae. Mas o Natiruts continuou como parte da minha vida.

O término da banda, então, diz algo para mim. Talvez que alguns ciclos devem se encerrar. Que a gente deve se tornar mais adulto, que devemos nos engajar em outros projetos. Hoje, eu já não fumo baseados como um ato de rebeldia juvenil. Outro dia, decidi que iria tentar não beber mais. O tempo passa... Mas poxa... Como eu sinto falta daqueles dias de Pedro II...
Aquelas eras terminaram e eu quase me lamento por isso. Talvez, eu devesse ter ido a um show do Natiruts. Talvez, eu devesse ter comprado mais álbuns deles, na época em que as pessoas ainda compravam álbuns. Talvez, talvez, talvez... Talvez, tudo isso já seja passado. Contudo, eu sorrio porque meu esperançoso coração me diz ser preciso crescer, "independente do que aconteça".

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