A música com mensagem positiva que chegou do nada e disse o que eu precisava ouvir
Por Mateus Ribeiro
Postado em 14 de novembro de 2025
Descobrir uma música por acaso é um evento inesquecível - ainda mais quando a canção surge sem aviso e parece conversar diretamente com o que estamos vivendo. Foi o que aconteceu comigo recentemente, quando "I Beg to Differ (This Will Get Better)", da banda canadense Billy Talent, apareceu de forma completamente inesperada - e, de alguma forma, necessária.
Na ativa desde o início da década de 1990, o Billy Talent faz um som difícil de rotular e muito agradável de ouvir. A sonoridade do grupo combina elementos de rock alternativo, punk rock e hardcore, resultando em uma mistura intensa, melódica e cheia de energia.
Conheci o Billy Talent por acaso, em 2018, graças a uma recomendação do YouTube. O álbum "Dead Silence" (2012) foi a porta de entrada, e bastaram poucas audições para que eu me tornasse fã.

Alguns anos depois, voltei a cruzar com a banda. Eu vivia um momento conturbado e triste da minha vida pessoal, o que me levou a promover algumas mudanças - uma delas foi trocar de academia. No segundo dia de treinos no novo local, coloquei "Dead Silence" para tocar enquanto me deslocava até lá. Deixei o celular no armário e comecei a me exercitar.
Quando terminei o treino, percebi que o player ainda estava ligado. "I Beg to Differ (This Will Get Better)" tocava, e decidi ouvi-la no caminho de volta pra casa. Definitivamente, uma decisão muito sábia da minha parte.
"I Beg to Differ (This Will Get Better)" me pegou de surpresa. A melodia vibrante e a letra otimista criaram um contraste imediato com o que eu sentia naquele momento. Era como se cada verso dissesse exatamente o que eu precisava ouvir - um lembrete de que as coisas melhoram, mesmo quando o presente parece pesado demais.
A letra fala sobre resistência e autocompaixão e nos incentiva a enfrentar dias sombrios sem perder a esperança. Logo nos primeiros versos, o vocalista Benjamin Kowalewicz canta: "One day you're gonna wake up from this dream / To find out that your life ain't what it seems" ("Um dia você vai acordar desse sonho / E perceber que sua vida não é o que parece"). A identificação foi imediata. Era como se a música reconhecesse o sentimento de estar perdido, mas, ao mesmo tempo, estendesse a mão e falasse: "As time goes on this will get better" ("Com o passar do tempo, tudo vai melhorar").
Quando Benjamin repete "Don't suffer through the dark days / Let up on the barricades / Try to face the pain and let it go" ("Não sofra nos dias sombrios / Deixe as barreiras de lado / Tente encarar a dor e deixá-la ir"), a mensagem soa quase terapêutica. Esse trecho convida o ouvinte a enfrentar o próprio sofrimento e, aos poucos, libertar-se dele. Logo depois, o verso "No matter what they all say / You can find another way / Never have to battle this alone" ("Não importa o que todos digam / Você pode encontrar outro caminho / Nunca precisa travar essa batalha sozinho") reforça a ideia de que a solidão e a tristeza podem ser combatidas pelo apoio que encontramos ao redor.
É curioso como certas músicas têm esse poder de aparecer na hora certa, quase como se carregassem uma forma silenciosa - ou barulhenta - de empatia. Às vezes, o que não conseguimos expressar em palavras se revela em uma canção que simplesmente nos entende - escrita por seres humanos que mal sabem da nossa existência.
No fim das contas, "I Beg to Differ (This Will Get Better)" não mudou a realidade de um dia para o outro, mas trouxe uma fagulha de energia - aquele impulso que faltava para continuar. Em pouco mais de três minutos e meio, essa música me lembrou que a dor é passageira - tal qual algumas pessoas - e que o amanhã sempre reserva novas possibilidades, mesmo quando tudo parece nebuloso.
Obrigado, Billy Talent. Deixo aqui meu agradecimento pela música com mensagem positiva que chegou do nada e disse o que eu precisava ouvir.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dirk Verbeuren, do Megadeth, agradece Pete Sandoval por ter inspirado "legiões de bateristas"
Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
Moyses Kolesne manda recado a quem reproduz discursos de Lemmy sobre política
Novo disco de Tony Iommi mantém acesa a chama do Sabbath, segundo resenha da Classic Rock
A humilhação que Ozzy Osbourne sofreu num show e Tony Iommi jamais esqueceu
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Slayer toca "Reign in Blood" na íntegra no México; confira setlist e vídeos
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
Devido à demanda, U2 anuncia data extra no Brasil
"Stairway to Heaven" nem "Comfortably Numb"? O solo que Slash coloca acima de todos
O astro do country de quem Dave Mustaine tem mágoa até hoje: "É uma implicância minha?"
A música do Metallica que desencadeou a batalha contra o Napster
Marko Hietala arrisca palpite sobre o que levou Floor Jansen a sair do Nightwish
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro
A noite em que Chuck Berry invadiu show de banda punk e deixou todo mundo de queixo caído

O rock e o heavy metal se misturam com a política, sim (e você provavelmente sabe disso)
A declaração de James Hetfield não surpreende, considerando de onde veio
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
O fã não é nenhum idiota, e merece mais respeito
Engenheiros do Hawaii - A reunião que não acontece
Rock in Rio quer o nome do rock, mas não seu compromisso
Heavy metal: radicalismo ou preconceito?


