Metal, lágrimas e saudade: o dia que assisti o show mais intenso da minha vida
Por Mateus Ribeiro
Postado em 31 de outubro de 2022
A minha infância não foi muito fácil (principalmente no aspecto financeiro), mas eu tive bons momentos. Um desses momentos foi quando meu amado pai me deu uma fita com a trilha sonora do filme "Mortal Kombat", inspirado no famoso jogo de videogame homônimo.
Pelo que me recordo, ganhei a citada fita no início de 1996, quando tinha 10 anos de idade. Naquela época, a música não era exatamente meu passatempo preferido. Eu "conhecia" um pouco de rock and roll e heavy metal porque meu irmão ouvia em casa, mas na minha cabeça, Deicide e Nelson poderiam ser colocados no mesmo pacote, afinal de contas, era tudo rock.
Pois bem, a fita de "Mortal Kombat" me fez começar a olhar com um pouco mais de atenção para o metal por conta de uma música: "Zero Signal", do Fear Factory, faixa número 9 da trilha sonora do filme (que assisti várias vezes, por sinal). Pela primeira vez, eu estava ouvindo uma música de uma banda de heavy metal ciente do que estava fazendo. A partir daquele momento, o Fear Factory começou a ter um espaço especial em meu coração.
O tempo passou, eu comecei a me interessar por outras bandas, como Metallica, Ramones, Black Sabbath, Slayer, Megadeth e Iron Maiden. Mas o Fear Factory e a música "Zero Signal" sempre estavam presentes em minhas fitas, CDs gravados e posteriormente, nas playlists.
Fear Factory no Brasil
Embora não seja a banda número 1 da minha vida, eu sempre quis ver um show do Fear Factory. Mal sabia eu que esse dia iria chegar e seria um dos momentos mais intensos de toda a minha vida.
Dino Cazares e seus parceiros se apresentaram em São Paulo dia 10 de outubro de 2015. A banda fez um show em comemoração aos 20 anos do clássico "Demanufacture", lançado em junho de 1995. Eu estava ansioso para a apresentação, porém, alguns dias antes, o meu mundo caiu por conta da pior notícia que eu recebi na minha vida: meu querido pai, que há anos lutava contra problemas de saúde, faleceu dia 1 de outubro de 2015.
Confesso que pensei em não ir ao show, mas após pensar bastante, resolvi ir, afinal de contas, a vida e o show devem continuar. Felizmente, não desisti, pois presenciei o espetáculo mais intenso da minha vida.
Eu e um grupo de queridos amigos fomos de van até São Paulo e tudo correu muito bem no caminho. Tomamos algumas cervejas, eu contei muitas piadas e todos demos muitas risadas, principalmente por conta do melhor momento da viagem, quando todos os presentes cantaram "Quando Gira O Mundo", música de Fábio Jr. que chega ao fundo do ser humano.
Como eu contei há alguns parágrafos, estava abalado pela morte do meu pai. Tentava não pensar nele, mas era inevitável. E em um dos momentos da viagem, aconteceu algo que jamais esquecerei: eu me lembrei de quando ele deu a fita com a trilha sonora de "Mortal Kombat". Então, veio uma mensagem na minha cabeça, alertando que eu iria ouvir "Zero Signal" ao vivo. A música que ele me fez conhecer e que de uma forma ou de outra, me ajudou a empurrar para o heavy metal.
Depois que pensei nisso, fiquei mais animado para o show, mas sabia que iria passar por um turbilhão de emoções quando o Fear Factory começasse a tocar "Zero Signal". Dito e feito. Logo nos primeiros segundos, veio o filme na minha cabeça. Eu me lembrei de quando coloquei a fita no rádio e fiquei impressionado com tanto peso. Estava vendo aquele massacre ao vivo. Nove dias depois da morte do meu pai, a pessoa que mais amei na vida e que mesmo sem saber, me apresentou o Fear Factory.
Eu nunca imaginei na minha vida que iria chorar em um show do Fear Factory. Fiz isso ouvindo uma música extremamente pesada, enquanto batia cabeça e pensava na influência que meu pai tinha (e continua tendo) em minha existência.
Mesmo em outro plano, Seu Carlos se faz presente em meus dias. Eu jamais me esquecerei dos ensinamentos, dos conselhos e de tudo o que vivemos juntos. Ah, e também nunca esquecerei aquela fitinha com a trilha sonora do "Mortal Kombat".
Obrigado, papai. Obrigado, heavy metal.
Observação: agradecimento especial aos amigos que me acompanharam nesse show e proporcionaram tal relato. Vocês sabem quem vocês são e eu tenho muito carinho por cada um de vocês.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
50 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil agora em março
Ao ser acordada ao som de Sepultura, participante do BBB tem reação inesperada
Pacote VIP para show do Rush custa mais de 14 mil reais
Mike Patton admite que o Faith No More não volta mais
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Edu Falaschi revela como surgiu convite para reunião com o Angra no Bangers Open Air
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
Tobias Forge explica ausência da América do Sul na atual tour do Ghost
Tommy Aldridge explica ausência do show de despedida de Ozzy Osbourne
O lendário álbum dos anos 1970 que envelheceu mal, segundo Regis Tadeu
Bruce Dickinson sobe ao palco com o Smith/Kotzen em Londres
Baixista explica atitude do Anthrax ao não mudar o setlist e manter os clássicos
Rush anuncia tecladista Loren Gold como membro da banda de apoio
A música mais ouvida de cada álbum do Megadeth no Spotify



Ex-vocalista se recusa a autografar último álbum que gravou com o Fear Factory
Vibraram por abrir pro Ozzy, mas depois viram que o bagulho era louco; "levei muita cusparada"
Confirmado: Axl Rose gosta de sorvete de baunilha


