Sepultura - o que música da banda tem a ver com o filme "Ainda Estou Aqui"?
Por Wander Verch
Postado em 26 de fevereiro de 2025
Assim como milhares de brasileiros, fiquei muito feliz com a FERNANDA TORRES ter faturado o Globo de Ouro como melhor atriz em filme de drama. Sua atuação no filme "Ainda Estou Aqui", com a direção de WALTER SALLES, está realmente impecável!
Mas o que isso tem a ver com o Rock? A sombria Ditadura Militar me remeteu diretamente à música "Dictatorshit", do álbum "Roots", de 1996, do SEPULTURA. A letra da música, de autoria de MAX CAVALERA, é curta, simples e direta, assim como a sua melodia, uma verdadeira pancadaria sonora.
Pois bem, a FERNANDA desbancou estrelas internacionais como NICOLE KIDMAN, ANGELINA JOLIE e KATE WINSLET. Detalhe que em 1999 o filme "Central do Brasil" faturou o Globo de Ouro como o melhor filme estrangeiro, também com a direção de SALLES. No papel principal, a mãe de TORRES, FERNANDA MONTENEGRO. O filme "Ainda Estou Aqui" aborda um dos períodos mais sombrios da história brasileira, que foi o da Ditadura Militar.
Vendo toda a repercussão do filme, me veio em mente a canção "Dictatorshit", do disco "Roots", do SEPULTURA, lançado em 1996. A banda estava no seu auge com o MAX CAVALERA no vocal e guitarra, o IGGOR CAVALERA, seu irmão, na bateria, ANDREAS KISSER na outra guitarra e o PAULO XISTO no contrabaixo. A letra da música, de autoria do MAX, é simples, curta e direta, assim como a sua melodia, uma verdadeira pancadaria sonora.

O título da música faz um trocadilho com a palavra "dictatorship", que em inglês significa "ditadura". Foi feita uma fusão de "dictatorship" e "shit", "ditadura" e "m___a", ficando "Dictatorshit". A letra começa mencionando o ano de 1964, que é o ano que começa a Ditadura no Brasil. E pasmem, ela se estendeu até 1985! Foram 21 anos de Ditadura Militar no Brasil, é quase que inacreditável...
Em seguida temos uma expressão em francês, "Coup d'ètat", que quer dizer "golpe de estado". Ela é usada internacionalmente inclusive. A letra segue com "Military force, Hundreds dead". Pois é, a Comissão Nacional da Verdade lista 434 mortes e desaparecimentos políticos no seu relatório sobre a Ditadura Militar, mas especialistas apontam que esse número chega a casa de 10.000 pessoas!
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Seguindo com a letra, "Why did they dissappear?", questionando por que as pessoas desapareceram, sendo presas, torturadas e mortas. Depois do refrão, "Dictatorshit", vem o grito de "Tortura Nunca Mais". Esta, uma menção ao grupo "Tortura Nunca Mais", que foi criado no Rio de Janeiro em 1985, se espalhando depois por vários estados do Brasil. O objetivo era denunciar pessoas que tinham alguma ligação com os atos de tortura durante a Ditadura.
A música segue com o ano de 1995, que foi quando a letra foi escrita pelo MAX. Daí vem "Spirit still alive, We still hear the cry, From the one that survived". Uma paulada aqui, dizendo que ainda ouvimos o choro daqueles que sobreviveram. As cicatrizes deixadas pela Ditadura ainda são sentidas, elas se perpetuam. Novamente vem os questionamentos sobre os desaparecimentos e o refrão. Uma música que vai direto ao ponto, sintetizando um período da nossa história marcado por repressão, censura, violência, dor, morte, injustiças, muita tristeza, famílias destruídas...

É muito bacana ver uma banda como o SEPULTURA, que estava no auge em 1996, abordar um assunto tão importante. É a música servindo como uma forma de alento às vítimas, e ao mesmo tempo, lutando contra toda forma de opressão.
Confira vídeo especial sobre este assunto abaixo.

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