Legado Estridente: O que será da música nos tímpanos da geração Nutella?
Por Michel Sales
Postado em 11 de agosto de 2023
Desde os primórdios até hoje em dia, o universo musical vem constantemente evoluindo. Dessa forma, na história da música, a humanidade já produziu diversas formas de sonoridade, trabalhando importantes elementos harmônicos entre ritmo, melodias e vocalizações capazes de situar ou transportar o ouvinte nas mais diferentes esferas do espaço e tempo, resgatando memórias seculares, reacendendo emoções vibrantes.

E viajando de encontro as raízes musicais nos deparamos na pré-história, quando a humanidade extraia os ruídos das ondas, o estalo dos trovões, a comunicação entre os bichos, a sonoridade do vento colidindo nas florestas, o pulsar do coração, ou seja, tudo isso influenciando a criação da música. Assim, a sonoridade foi se desenvolvendo no Egito, Grécia, China, Índia e por toda a Terra sendo registrada nas paredes, nos papéis, sobretudo, na memória.
Já no mundo contemporâneo, a música ganhou espaço na prensagem dos mais diversos acervos: LPs, fitas K-7, CDs e streaming, por exemplo, favorecendo o consumo da música na amplitude colecionável, com milhares de pessoas consumindo estilos sonoros variados de timbre, intensidade, altura, densidade e duração.
Mas ainda nos dias atuais - em relação a aquisição de compactos musicais - observamos um universo confinado no encarecimento de produtos, escassez em lojas, também advindos do desinteresse do público mais jovem desvalorizando a cultura musical como acervo histórico, onde não somente a música é o destaque final, mas tudo aquilo que particulariza a obra: fotografias, letras, desenhos, diagramação e produção.
Então, o que pensar da música nos próximos séculos? Certamente, ela continuará "evoluindo", mas será a música consumida de uma forma banal, descartável tanto quanto um guardanapo sujo pelas gerações Nutella?
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