A canção do Doors que nasceu no fim de uma relação, virou pesadelo no palco e foi pra guerra
Por Bruce William
Postado em 18 de março de 2026
A história de "The End" começa num lugar bem menos "místico" do que a fama da música sugere: um término. No verão de 1965, Mary Werbelow encerrou o relacionamento com Jim Morrison, que tinha acabado de se formar e andava sem rumo fixo - escrevendo, fumando ideias e, segundo ele mesmo, "consumindo um pouco de LSD".
Pouco depois, Ray Manzarek reencontrou Morrison numa praia (Venice Beach) e, naquela conversa, os dois chegaram ao ponto de combinar uma banda ali mesmo - e o nome "The Doors" já saiu desse primeiro embalo. Conforme relembra a Louder, a música que Morrison começou a rascunhar nos ensaios era uma despedida curta, quase "canção de adeus" mesmo.

O que mudou tudo foi a vida real de banda iniciante: tocar por horas em clubes, esticar arranjos, preencher espaço. "The End" cresceu, ganhou partes instrumentais longas e virou terreno para Morrison improvisar poesia por cima, até que, numa noite no Whisky A Go Go, ele soltou o trecho mais problemático, na linha de "Oedipus Rex", e isso custou o emprego: segundo Manzarek, o dono do clube subiu para demitir a banda na hora.
Quando chegou o momento de gravar a faixa, em agosto de 1966, ela já era outra coisa: mais de 11 minutos, clima denso, viradas inesperadas. Manzarek resumiu o estado do vocalista no estúdio com uma frase que virou parte do folclore do Doors: "Quando gravamos essa música, o Jim estava numa dose enorme de ácido."
Como quase tudo com Morrison, a sessão ganhou "lenda extra": a história de que ele teria destruído uma TV no auge da gravação. O engenheiro Bruce Botnick desmentiu o exagero: nada de explosão, fogo ou TV voando pela janela: ele diz que Morrison derrubou o aparelho no chão, a fita continuou rodando, e depois eles simplesmente seguiram o trabalho.
O próprio Morrison, anos depois, ajudou a manter a música "aberta" - não no sentido de explicar, mas no de admitir que nem ele fechava uma interpretação única. Em entrevista de 1969, ele disse que, cada vez que ouvia "The End", a música parecia significar outra coisa; que começou como despedida "provavelmente de uma garota", mas podia soar como adeus a uma fase inteira da vida.
E aí entra o pós-vida: em 1979, Francis Ford Coppola usou "The End" na abertura de Apocalypse Now - uma escolha que ajudou a colar de vez a música nesse lugar de "transe" e ruína, mesmo para quem nunca teve um disco do Doors em casa.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A sincera opinião de Ozzy sobre George Harrison e Ringo Starr: "Vamos ser honestos?"
Tony Iommi elege o maior riff de guitarra de todos os tempos; "difícil de superar"
Astros do rock e do metal unem forças em álbum tributo ao Rainbow
Com quase 200 atrações, Summer Breeze fecha cast para edição 2026
Por que Andreas Kisser ficou sem vontade de escrever no Sepultura após a saída de Eloy
Músico analisa Angine de Poitrine e diz que duo é "puro marketing e pouca música"
A banda que o Iron Maiden fez grande pressão para o Rock in Rio levar junto em 2019
Os músicos que, segundo Mick Jagger, sempre odiaram o rock dos Rolling Stones
Agora é oficial: Iron Maiden não irá ao Rock and Roll Hall of Fame 2026
A banda que Slash diz nunca ter feito um álbum ruim; "Todos os discos são ótimos"
Eloy Casagrande reflete sobre seus dois anos como baterista do Slipknot
As 4 melhores bandas de rock de New Jersey de todos os tempos, segundo a Loudwire
Greyson Nekrutman avalia seus dois anos como baterista do Sepultura
A lendária banda de thrash metal que os integrantes do Metallica iam assistir nos anos 80
As cinco maiores músicas do Alice in Chains de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
The Doors: O clássico "The End" é transcrito pelo canal Rock com Legendas
Os 10 piores músicos que passaram por bandas de rock clássicas
A canção do Doors que nasceu no fim de uma relação, virou pesadelo no palco e foi pra guerra
A música do The Doors que dava sono em Paul Gilbert: "isso era chato pra mim"
A época em que Regis Tadeu ganhava a vida fazendo covers de The Doors e Lou Reed
Jim Morrison: aparecendo como fantasma na Virgínia?
Doors - Perguntas e respostas e curiosidades


