Seria o Metallica tão gigante mesmo sem Cliff Burton, Dave Mustaine e o "Master of Puppets"?
Por Bruce William
Postado em 24 de fevereiro de 2025
Existem teorias que dizem que o mundo em que vivemos não é único, e que existem várias "realidades paralelas" onde acontecimentos históricos que tomaram outros rumos deram origem a situações completamente diferentes do que conhecemos. Mas vamos partir do pressuposto que as coisas são como são e que os acontecimentos passados são imutáveis e nos trouxeram até este momento de aqui e agora em que estamos vivendo.
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Vamos pensar no caso do Metallica, que é a maior banda de metal de todos os tempos, em termos numéricos, com turnês altamente lucrativas que rendem lucros equivalentes a 2,6 bilhões de reais em cerca de três anos, além de vendas de discos estimados entre 125 e 150 milhões de exemplares, conforme a wikipedia.
Estes mesmos números mostram que a maioria dos ouvintes do Metallica prefere o "Black Album" ao "Master of Puppets", mesmo este último sendo considerado a obra-prima da banda entre os fãs de heavy metal. O álbum de 1991 vendeu mais de 30 milhões de cópias no mundo, sendo 16 milhões apenas nos Estados Unidos, enquanto "Master of Puppets" vendeu cerca de 6 milhões de cópias no país, relata novamente a wikipedia.
Além disso, o "Black Album" atingiu um público muito maior. Suas músicas não se limitavam ao heavy metal, sendo executadas em rádios convencionais e alcançando ouvintes que nunca haviam tido contato com o thrash. Apesar de mais acessível, o disco ainda mantinha um peso característico, com faixas longas e atmosfera densa, o que o diferenciava de álbuns abertamente comerciais. Outro fator a considerar é o contexto da época. O grunge estava substituindo o hair metal, e o mercado estava mais receptivo a músicas sombrias e pesadas. O "Black Album" surgiu no momento certo, aproveitando essa mudança.
Sendo assim, é de se considerar a seguinte possibilidade: as coisas seriam assim caso o Metallica não tivesse passado pela sua fase mais agressiva e técnica nos anos oitenta? Se ao invés de evoluir de "Kill 'Em All" para "Ride the Lightning" e "Master of Puppets", o Metallica tivesse sido formado em 1991 por James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Jason Newsted e estreado direto com o "Black Album"? Sem a passagem de Dave Mustaine pela banda, sem Cliff Burton, sem as composições complexas e sem a reputação consolidada na cena do metal? Sem essa fundação, o sucesso teria sido o mesmo?
Se por um lado as enormes vendas do "Black Album" indicam que a banda poderia ter sido enorme mesmo sem essa base, há um contraponto. Os álbuns anteriores construíram a credibilidade do Metallica, conquistando uma base fiel de fãs e estabelecendo seu nome no heavy metal antes da guinada para o mainstream. "O 'Kill 'Em All' [primeiro disco do Metallica, lançado em 1983] foi o divisor de águas para mim, mas foi no 'Master Of Puppets' que eles aperfeiçoaram o som", disse Mike Portnoy. "A execução estava cada vez mais desafiadora. Então, foi no 'Master Of Puppets' que eles realmente deram esse grande passo. O 'Master of Puppets' os levou às alturas", emendou.
E se Dave Mustaine certamente exerceu uma grande influência sobre o Metallica, Cliff Burton foi imprescindível para que a banda se tornasse o que conhecemos. "Além de nos apresentar mais teoria musical, ele era o mais instruído de todos nós, tinha ido para a faculdade para aprender algumas coisas sobre música e nos ensinou algumas coisas", admite James Hetfield. "Nos alinhamos muito mais como amigos, no que diz respeito às nossas atividades, estilos musicais de que gostávamos, bandas de que gostávamos, política, visões de mundo, éramos muito parecidos (...). Mas, sim, ele tinha um caráter muito próprio e uma personalidade muito forte, que acabou se infiltrando em todos nós."
No fim, não há resposta definitiva. Se o "Black Album" tivesse sido o primeiro disco da banda, talvez o Metallica ainda fosse gigante. Ou talvez nunca tivesse se tornado o que é hoje. Mas sem um portal para realidades alternativas, essa é uma hipótese que seguirá sem solução...
Agradecimento especial a João Renato Alves por algumas das ideias desenvolvidas no texto.
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