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A banda brasileira que "faz o Sepultura parecer o Bon Jovi", segundo a Metal Hammer

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Postado em 17 de março de 2026

Fundado em Salvador no ano de 1989, o Mystifier se tornou um dos principais nomes do black metal no país. Na edição 339, publicada em agosto de 2020, a revista britânica Metal Hammer publicou uma matéria exaltando os feitos da banda – com direito a ressaltar que eles "fazem o Sepultura parecer o Bon Jovi". Confira abaixo um registro do texto.

Foto: Season Of Mist
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A admiração exerce uma força gravitacional própria. Os três membros do Mystifier fizeram uma peregrinação ao Cemitério do Bonfim em Belo Horizonte, a quase 1.300 quilômetros ao sul de sua cidade natal, Salvador, localizada no litoral leste do Brasil.

Em meio a fileiras e mais fileiras de lápides e mausoléus góticos, ergue-se uma estrutura que se tornou o epicentro mais potente da cena underground do metal no país e além. Flanqueado por duas colunas escuras que sustentam um imponente santuário em arco, um Cristo crucificado em mármore branco contrastante observa, como se estivesse de luto pelo ato de blasfêmia cometido sob sua sombra.

Foi aqui, em 1987, que quatro adolescentes com cintos de balas e maquiagem macabra fotografaram a capa do álbum sem o qual o Mystifier, e várias outras bandas agora mergulhadas na escuridão, não existiriam: o marco do black/thrash metal de estreia do Sarcófago, "I.N.R.I.".

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O fundador e guitarrista da banda, Armando 'Beelzeebubth' da Silva Conceição, o vocalista, baixista e tecladista Diego Do'Urden e o baterista Eduardo 'Warmonger' Amorim estão sendo filmados para um documentário online sobre o Mystifier, "Dois dias na Capital do Metal da Morte".

Ao longo de seus 46 minutos reveladores, fica claro que a profunda e intensa conexão com suas raízes é inseparável da trajetória multifacetada, muitas vezes controversa e pioneira que percorreram desde sua formação, dois anos após o lançamento de I.N.R.I.

"Falar sobre emoções é bem fácil, não é, meus irmãos?", pondera um triunfante Beelzeebubth. "Falar sobre sensações é um pouco mais difícil."

Antes do lançamento de "I.N.R.I.", Beelzeebubth era um fã incondicional do Sepultura. O vocalista original da banda, Wagner Antichrist, os havia abandonado para se juntar ao Sarcófago, dando início a uma rixa interna. Inspirado a formar sua própria banda, em parte como uma homenagem ao frenesi sacrílego e explosivo de seus novos heróis, Beelzeebubth levou o Mystifier a lugares ainda mais sombrios e primitivos ao longo de duas demos e de seu álbum de estreia de 1992, "Wicca".

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Os rugidos bestiais do então vocalista Meugninousouan pareciam emanar de outro reino, evocando o tipo de atmosfera abissal que havia sido o Santo Graal tanto do death metal quanto do black metal em seus primórdios, concedido apenas àqueles cujo senso de propósito estava disposto a ir além dos limites da racionalidade. A banda chegou a encenar seu próprio ensaio fotográfico inspirado no "I.N.R.I.", apresentando um Cristo ensanguentado rastejando com uma cruz igualmente salpicada de sangue, enquanto os integrantes carregavam tochas flamejantes atrás dele.

"Eu tinha apenas 18 anos quando tiramos aquela foto para a contracapa de 'Wicca'", relembra Beelzeebubth. "Eu queria tirar a foto mais radical que qualquer banda no planeta já tivesse feito! Várias pessoas pararam seus carros para nos observar enquanto fazíamos a sessão de fotos."

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"Um amigo trouxe um cachorro para a sessão por algum motivo, e algumas pessoas cristãs disseram que era blasfêmia e chamaram a polícia. Mas foi libertador. Foi um período de muitas descobertas e muitas percepções na minha vida."

Se o lançamento de "I.N.R.I." foi um marco para alguns, nem todos embarcaram na onda desde o início. "Eram outros tempos", diz Beelzeebubth. "Algumas bandas de thrash, death metal e grindcore não apoiavam ou não gostavam de bandas de black metal. O Sarcófago enfrentou muita rejeição desse público, principalmente pela rivalidade com o Sepultura. Levou um tempo para os brasileiros abrirem suas mentes para bandas como a nossa, Sarcófago, Vulcano, Impurity e outras."

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No início dos anos 80, o underground brasileiro era dividido por facções: dentro das cidades, entre cidades e entre cenas rivais. A ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985 e os níveis extremos de pobreza profundamente enraizados em todo o país criaram um cenário propício à violência, que se refletia na natureza crua e visceral da música da época.

"O tribalismo era muito forte aqui no Brasil, com certeza", afirma o vocalista Diego. "Os skinheads tinham os nazistas e eram contra os punks. Mas eventualmente os metaleiros se juntaram aos punks e ao pessoal do hardcore para lutar contra os nazistas, porque os skinheads eram os verdadeiros vilões. Se ainda existem alguns hoje em dia, eles têm medo de se assumir. Ninguém mais vê um nazista em shows."

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No ano de formação do Mystifier, o Sepultura lançou "Beneath The Remains", o álbum que, a despeito das influências do Sarcófago na cena local, realmente os levou a romper com a cena brasileira e os transformou em um fenômeno internacional. Por mais que o thrash metal, com suas raízes na agitação social, sempre tenha estado presente no underground brasileiro, a transição da sonoridade sombria e mortal dos primeiros anos deixou as demais bandas brasileiras com sentimentos ambivalentes.

"Algumas bandas tentaram mudar um pouco para experimentar essa nova fórmula do Sepultura, e alguns dos fãs mais radicais ficaram chateados porque eles estavam se afastando da agressividade satânica dos dois primeiros discos", diz Diego. "Mas naquela época era muito difícil entrar no mercado internacional. Era uma questão de sorte e contatos. Então, quando o Sepultura ficou famoso, foi bom para nós, porque a cena brasileira ganhou destaque mundial. Pode-se até dizer que ajudou o Mystifier, porque fomos descobertos pela Osmose Productions depois disso."

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Lançados pela gravadora underground francesa, os dois álbuns seguintes do Mystifier, "Göetia" (1993) e o marco de 1996, "The World Is So Good That Who Made It Doesn't Live Here", transformaram a banda em um fenômeno cult mundial, ao mesmo tempo em que se recusavam conscientemente a se encaixar nos clichês do black metal. Até mesmo o uso de teclados, juntamente com os vocais operísticos em "The World Is So Good…", forjaram uma ligação própria e antagônica com os ideais fundadores e puros do black metal.

"Não gosto de repetir as mesmas fórmulas de sempre", afirma Beelzeebubth. "Estou sempre em busca de novas fontes de inspiração. Eu não queria soar como uma banda norueguesa tradicional, como muitas faziam por mera comercialização e lucro."

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Até hoje, o Mystifier continua sendo uma banda reverenciada. "Protogoni Mavri Magiki Dynasteia", de 2019, seu primeiro álbum em 18 anos após uma série de mudanças na formação, recebeu críticas entusiasmadas e seus shows ao vivo induziam a estados de êxtase selvagem. A crença fundamental do Mystifier nas forças mais sombrias e persistentes do metal é uma fonte inesgotável.

"Sou um ocultista", diz Beelzeebubth. "Sempre me interessei muito pelo mistério da verdade sobre nossa existência. Mantive meus olhos abertos durante a noite para enxergar na escuridão e sou devoto de bandas que escreveram letras sobre isso, como Slayer, Venom, Possessed e Cirith Ungol. Minha imaginação foi do Céu ao Inferno."

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"No Brasil", acrescenta Diego, "o satanismo era um movimento de rebeldia. Se você observar as bandas brasileiras que se destacaram na época, todas eram de origem humilde. Então, essa condição de pobreza e de viver uma vida muito difícil, perigosa e violenta nas favelas, nos dava o sentimento de rebeldia contra tudo o que era considerado 'certo'.

Isso inclui a Igreja e o governo, então o satanismo era um símbolo de oposição ao sistema, de oposição às 'pessoas boas' que, na verdade, não eram boas – os ricos que queriam dominar e escravizar os pobres. Era um símbolo de justiça para nós, uma representação da nossa luta."

Após a publicação, o Mystifier lançou a compilação "Demo-Nized" (2021) e o split "Under Satan's Wrath" (2022), em parceria com o Lucifer's Child, da Grécia. O documentário "Dois Dias na Capital do Metal da Morte" pode ser conferido nos players abaixo.

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Sobre João Renato Alves

Nascido em 1983, jornalista graduado e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.
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