Está na hora dos haters do Dream Theater virarem o disco
Por Mateus Ribeiro
Postado em 17 de fevereiro de 2026
Recentemente, enquanto navegava pelo cada vez mais exaustivo universo das redes sociais, me deparei com um debate protagonizado por entusiastas da música. No trecho que assisti, os envolvidos teciam críticas à banda norte-americana de metal progressivo Dream Theater.
Em poucos minutos, surgiram clichês já desgastados. A duração das músicas e o suposto excesso de virtuosismo da banda foram alguns dos temas abordados.
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Antes de tudo, é bom deixar claro que ninguém é obrigado a gostar de nada. Isso vale tanto para a obra do Dream Theater quanto para podcasts, debates, mesas-redondas e afins.
O Dream Theater ultrapassou quatro décadas de carreira. Nesse período, o quinteto lançou 16 discos de estúdio, todos disponíveis em um recurso relativamente antigo ao qual boa parte da população mundial tem acesso: a internet. Ouvir a discografia completa - atitude que poderia evitar a repetição de discursos prontos - está longe de ser algo inacessível. Ainda assim, repetir críticas vazias parece mais confortável, inclusive para alguns especialistas.
Não é função deste que vos escreve ensinar adultos a apreciar o trabalho de uma banda. Como cidadão e fã, porém, me sinto no direito de discordar de determinadas afirmações.
Começo pela eterna crítica às composições longas. Quem não conhece o catálogo do Dream Theater e escuta esse argumento imagina que todas as faixas superam 15 minutos. Uma rápida análise dos tracklists assinados por John Petrucci e companhia mostra que uma parte significativa das canções gira em torno de seis ou sete minutos. E, acredite, há várias que sequer chegam aos cinco.
É verdade que o grupo tem temas extensos, como "Octavarium", "In the Name of God", "A View from the Top of the World", "A Change of Seasons" e "In the Presence of Enemies". Essas faixas - e outras maratonas musicais do conjunto - exigem mais tempo e disposição. Em um mundo de agendas lotadas, é compreensível que uma música de 24 minutos assuste à primeira vista. Cabe a cada um encarar o desafio e formar a própria opinião.
Para os fãs, tratam-se de obras épicas, que se aproximam de viagens sonoras ou trilhas de produções cinematográficas. Para os detratores, podem soar como capricho egocêntrico. Independentemente do lado em que você esteja, vale um exercício: imagine se críticos de cinema levassem apenas a duração em conta ao analisar produções como "...E o Vento Levou", "Cleópatra" ou "Um Estranho no Ninho"...
Sobre o suposto exibicionismo, é inegável que os integrantes do Dream Theater são virtuosos e criativos. Reduzir o talento do grupo a meras tentativas de impressionar o ouvinte, no entanto, parece raso - ou apenas a repetição de um discurso requentado. Os solos de guitarra, teclado e bateria servem à proposta musical apresentada. E, sejamos honestos, em fevereiro de 2026, dificilmente os músicos precisam provar algo para alguém, menos ainda para quem sente prazer em achincalhar o que fazem.
Outro ponto frequentemente citado é a alegada falta de feeling. Mesmo sabendo que os críticos não gastarão seus preciosos minutos com o que consideram cansativo, segue uma "pequena" lista com faixas capazes de desafiar essa percepção: "Another Day", "Voices", "Space-Dye Vest", "Hollow Years", "Take Away My Pain", "The Spirit Carries On", "I Walk Beside You", "The Answer Lies Within", "Forsaken", "Prophets of War", "Wither", "The Best of Times", "This Is the Life", "Far from Heaven", "Along for the Ride", "Paralyzed" e "Bend the Clock".
Há ainda quem classifique o som como sonolento. De "Pull Me Under" a "Night Terror", passando por "As I Am", "Fall into Light", "The Mirror", "The Root of All Evil" e "Panic Attack", a discografia reúne diversas faixas mais intensas - que servem, vejam só, até para "bater cabeça".
Para encerrar, vale mencionar outra lenda urbana repetida à exaustão: "eles fazem músicas para músicos". A título de curiosidade, este que vos escreve é fã declarado do Dream Theater e mal sabe diferenciar um lá menor de um dó no violão. Não é preciso ter ouvido absoluto ou formação técnica para apreciar o som. Às vezes, a pessoa simplesmente gosta ou se identifica.
Dito isso, deixo um recado aos haters: está na hora de virar o disco. Repetir as mesmas frases feitas - muitas delas frágeis - torna vocês tão previsíveis e chatos quanto julgam que os fãs são.
Tenham uma boa semana e ouçam música. Pode ser aquela de 30 segundos ou "Six Degrees of Inner Turbulence", com seus 42 minutos. O importante é escutar o que faz bem aos ouvidos e ao coração.
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