Opinião: Há relação entre boicote do Rock in Rio 85 e nacionais em palco separado do Knotfest?
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de outubro de 2024
A primeira edição do Rock in Rio foi realizada em 1985 e enquanto artistas como Iron Maiden, Queen e Scorpions tocavam com todos os equipamentos e luzes à disposição os brasileiros como os Paralamas do Sucesso precisaram se contentar com uma infraestrutura meia bomba.
Agora em 2024, nada menos do que 40 anos depois, a história parece ter se repetido com o Knotfest, festival idealizado pela banda americana Slipknot que desembarcou em São Paulo cometendo os mesmos erros que a produção de Roberto Medina fez nos anos 1980.

Na época do Rock in Rio, havia uma desculpa para a tamanha diferença do som dos gringos e dos brasileiros, conforme explicou o engenheiro de som Framklim Garrido, que trabalhou no evento.
"Na época do primeiro Rock in Rio, fiz o som de uns seis artistas e colaborei também com o Paralamas do Sucesso. Nós brasileiros não tínhamos hábito de sound check. Havia confusão porque nosso lado técnico e de produção não era tão profissional. Nós não tínhamos experiência com aquele tamanho de P.A. Certa vez, liguei o som e veio alto para caramba!", resumiu.
Na sua visão, não houve boicote e seu argumento é bem compreensível: "Já ouvi pessoas dizendo que os gringos estavam sabotando as bandas brasileiras. Isso é lenda. Me dei muito bem com o cara da empresa de som gringa lá. Os gringos não tinham ideia do quanto nós brasileiros sabíamos. É natural que o headliner soasse com mais pressão. Isso, com os anos, foi sumindo", concluiu.
Mas então como que no Knotfest os brasileiros sofreram, por exemplo, com apagões e som baixo, como relatou reportagem de Mateus Ribeiro sobre o Ratos de Porão? Dessa vez não há a desculpa de que não estávamos familiarizados com a tecnologia. E como explicar o apartheid em que os brasileiros tocam num palco MUITO menor?
Esses questionamentos só a produção poderá responder. E claro, os brasileiros também tem sua parcela de culpa, já que assinaram os papeis e se sujeitaram a isso. Não dá para reclamar, obviamente, já que não tem como recusar a oferta de tocar num festival desse porte. Mas que é sacanagem, isso é.
Portanto, a resposta à pergunta do título é: não há muita relação. Se antes reinava a insegurança e o desconhecimento, hoje impera a mão do mais forte – que são as bandas estrangeiras. Mas enquanto festivais de porte semelhante ou maior decidem misturar as coisas, é curioso que haja um remando contra a maré.
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