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Rush Of Blood To The Head - Coldplay

Por Ricardo C. Seelig | Em 02/07/04
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O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash! ou de seus editores.

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Tenho apenas duas religiões na vida. A primeira, não participei da escolha. Nasci, cresci, e, quando percebi, era católico. A segunda, descobri aos quatorze anos, e me tornei um fiel dedicado e apaixonado, daqueles que não consegue passar um dia sem olhar o evangelho. Só que, neste caso, as palavras sagradas atendem por nomes como Hallowed Be Thy Name, Run To The Hills e Powerslave.

Agora passo por um momento único. E ele tem nome: Coldplay. Primeiro, era apenas a banda daquele clipe editado de trás para frente. Depois, os caras daquela música. Aos poucos, se transformou na trilha de uma grande paixão, de momentos únicos vividos a dois. E agora, ao abrir os olhos, vejo ao meu redor muitos mais: A Rush Of Blood To The Head não é apenas um disco, é a reunião dos sentimentos que a gente vive todos os dias, nesta nossa eterna tentativa de encontrar um par para o coração, um sorriso no rosto ou apenas uma boa história para contar.

O Coldplay simplesmente não existe sem Chris Martin. O vocal, compositor, pianista e eventual guitarrista é a alma da banda, de uma maneira tão clara que poucas vezes se viu no rock. Sua voz, suas letras, traduzem de uma forma única as esperanças, as alegrias, as tristezas de uma geração da qual faço parte, a geração destes caras que já não são tão jovens para serem chamados de adolescentes, nem tão maduros para serem considerados adultos. Essa geração de vinte e poucos anos que, da noite para o dia, se vê enfrentando desafios sem nem ao menos saber se está preparado para isso.

Não vou falar das letras. Acho que a música fala por si. O sentimento que tenho ao ouvir determinada canção é o que me mantém ligado a ela. Politik, que abre o disco, é um grande exemplo disso. Com uma das mais belas frases de piano que já ouvi, alia desespero e esperança, tristeza e a certeza de um futuro melhor. O seu coração dá pulos, vai dos pés à cabeça, e, quando a música acaba, você fica tentando entender o que acabou de acontecer.

Sem tempo para respirar, seus ouvidos são invadidos por uma seqüência inacreditável de músicas. In My Place, God Put A Smile Upon Your Face, Clocks, Green Eyes, Warning Sing. E, claro, duas pequenas obras-primas: The Scientist e A Rush Of Blood To The Head.

The Scientist é a música do clipe editado de trás para frente. É aquela música daqueles caras. Uma destas canções que fazem a gente renovar o nosso amor pelo rock and roll. Belíssima, mostra um Chris Martin habitando outro lugar, acima de nossas cabeças e bem perto de nossos corações. A canção perfeita para dedicar para quem você ama, e para estar ao seu lado quando esse grande amor já não estiver na sua vida.

A Rush Of Blood To The Head mostra de novo, e mais uma vez, o que o Pink Floyd fez nas crianças daquela velha ilha. Começando apenas com uma levada de violão e voz, aos poucos vai crescendo e tomando forma, invadindo a sua vida sem pedir licença. E, quando você vê, sem querer está balbuciando to the head, to the head.

A maioria de vocês não me conhece. A maioria de vocês nunca me viu na vida, e, provavelmente, nunca me encontrará pessoalmente. Mas, mesmo assim, eu gostaria que cada um de vocês levasse um pouco do que eu senti, sinto e ainda vou sentir cada vez que ouço esse disco. Em um dia, apenas carinho. Em outro, companhia para a solidão. Hoje, a trilha sonora do meu coração. Amanhã, a forma de estar mais perto de quem me faz feliz.

Pensei que nunca iria viver isso. Pensei que passaria por este mundo sem que meus olhos vissem o que o meu coração sente. Estava errado.

Nasceu uma religião, e ela tem nome: Coldplay.

Converta-se.

Ouvindo:
Coldplay, Politik.



Ricardo C. Seelig, 31 anos, é gaúcho e publicitário, além de um grande colecionador de rock, quadrinhos e cinema. Esse e outros textos podem ser encontrados também em seu site pessoal, www.ricardoseelig.blogger.com.br.

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