O Ápice de uma Era: Battle Beast e a Forja Implacável de "Steelbound"
Resenha - Steelbound - Battle Beast
Por André Luiz Paiz
Postado em 05 de maio de 2026
Ao longo da última década, o Battle Beast se tornou um fenômeno de resiliência. Após a cisão traumática com seu principal compositor em 2015, muitos previam o declínio do sexteto de Helsinque. No entanto, o que testemunhamos em seu sétimo registro de estúdio, "Steelbound", não é apenas uma sobrevivência, mas o ápice absoluto de uma identidade lapidada sob pressão. O disco é um monumento ao "Power Metal Moderno": uma fusão audaciosa onde o peso das guitarras não apenas coexiste com os sintetizadores oitentistas, mas os utiliza como combustível para hinos de arena.

O Equilíbrio entre o Riff e o Synth
Com uma duração de aproximadamente 40 minutos, Steelbound é um exercício de concisão e energia. Ao contrário de muitos contemporâneos que se perdem em orquestrações intermináveis, a banda aqui entrega um material direto, sem um segundo sequer de descanso para o ouvinte.
A produção de Janne Björkroth atinge o ponto ideal de saturação. Faixas como a faixa-título e "Watch The Sky Fall" sintetizam a proposta: refrões "chiclete" que remetem ao brilho do Europop, mas sustentados por uma base rítmica de puro aço. Há momentos de experimentação estratégica, como em "Twilight Cabaret", que introduz uma percussão quase latina e um clima teatral, e na épica "Blood of Heroes", onde a banda abraça suas raízes nórdicas com riffs que evocam melodias celtas, criando um crossover digno de grandes trilhas sonoras. Já "Here We Are" traz o contrapeso, desbravando o lado pop sem qualquer perda de equilíbrio.
O Canto do Cisne de Noora e o Futuro Brasileiro
Inundado por uma carga emocional extra, Steelbound marca o ponto final na histórica parceria com a icônica Noora Louhimo. Durante anos, Noora foi a força da natureza que manteve o Battle Beast no topo, e neste disco ela entrega sua performance mais versátil. Sua voz transita com maestria entre a agressividade cortante e uma doçura melódica inesperada, provando que sua saída para a carreira solo ocorre no auge de seu poder vocal.
Mas o fim de um capítulo é o prólogo de outro que nos toca de perto. A confirmação da brasileira Marina La Torraca (Phantom Elite, Exit Eden) como a nova frontwoman traz um frescor revigorante. Se Noora deixou um legado de imponência, Marina já demonstra - como visto nas recentes e elogiadas apresentações na Austrália - que possui o alcance e a presença de palco necessários para herdar essa coroa.
Veredito
Steelbound não tenta reinventar a roda, mas a faz girar com uma velocidade e brilho nunca antes vistos na carreira do grupo. É um álbum que ignora o purismo estéril para focar no que o Metal deveria ser mais vezes: empolpante, divertido e impactante. Para quem buscou riffs memoráveis e melodias que grudam na mente como se tivessem sido forjadas em 1984, este disco não é apenas uma recomendação; é um clássico instantâneo da discografia finlandesa.
Ficha Técnica – Steelbound
Lançamento: 2025
Gravadora: Nuclear Blast (Mundial) / Shinigami Records (Brasil)
Produção: Janne Björkroth
Mixagem: Janne Björkroth (JKB Studios)
Masterização: Mika Jussila (Finnvox Studios)
Formação da Banda:
Noora Louhimo: Vocais
Joona Björkroth: Guitarra e backing vocals
Juuso Soinio: Guitarra
Eero Sipilä: Baixo e backing vocals
Janne Björkroth: Teclados e backing vocals
Pyry Vikki: Bateria
Tracklist:
The Burning Within
Here We Are
Steelbound
Twilight Cabaret
Last Goodbye
The Long Road (Instrumental)
Blood of Heroes
Angel of Midnight
Riders of the Storm
Watch the Sky Fall
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