Quarteto alemão Capacopter debuta com seu stoner rock de ótima qualidade
Resenha - Capacopter - Capacopter
Por Mário Pescada
Postado em 03 de maio de 2026
Nota: 9 ![]()
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Pensou em stoner rock, pensou em deserto, certo? A imagem daquela imensidão de montanhas e mais montanhas de areia dourada sob um céu infinito se tornou referência em tantas capas de discos, letras e vídeos do estilo, que a associação é inevitável. Mas daí como que fica então uma banda alemã se o seu país não tem um deserto? Problema criativo nenhum no final das contas, como comprovado pelo quarteto Capacopter.
Natural de Mannheim, o grupo formado em 2021 desde então vinha lançando singles virtuais até que em janeiro desse ano lançaram de forma independente em CD e vinil seu primeiro disco, o ótimo debut autointitulado.

A capa remete a um registro ao vivo, mas não é nada disso. São oito músicas de estúdio muito bem gravadas pela própria banda, tudo de forma análoga, o que acredito ter contribuído positivamente para que seu som ficassse mais encorpado e soasse natural, creio eu.
O Capacopter investe em músicas mais limpas, sendo que aqueles pedais atolados de fuzz não passam por aqui. Já o ar psicodélico, setentista (isso sim um pré-requito para toda banda de stoner rock) mais um toques de progressivo dão as caras em todas as músicas que, na média, beiram ali seus cinco minutos de duração.
O que mais gostei foram os vocais melódicos que se encaixam perfeitamente ao instrumental coeso do grupo. Não é preciso ser um seguidor ferrenho do stoner rock para curtir o som do grupo, quem gosta de rock bem feito, com guitarras vivas e bateria forte, deve dar uma conferida no disco.
Ao ouvir faixas como "Borderline Steal Circus", "Half'N Inch" e "JP's Horse" já sabia que estava diante de um ótimo disco, só achei que "Wandering Stones" ficou um pouco deslocada no meio de tudo, deve ter sido pela falta dos vocais, mas ainda assim, uma boa faixa.
Não teve como evitar: ao final da audição descobri que havia sido metamorfoseado em um "Capadillo", forma carinhosa com que a banda trata seus seguidores. Azar de Gregor Samsa que não conheceu o som do Capacopter, teria sido uma metamorfose bem mais agradável.
Formação:
Hannes: guitarra, vocais
Andi: guitarra
Jan: baixo, vocais
Jon: bateria
Faixas:
01 600 Years
02 Borderline Steal Circus
03 Caravan
04 Kings And Crowds
05 Half'N Inch
06 JP's Horse
07 Temple Son
08 Wandering Stones (instrumental)
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