Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Resenha - Para Bellum - Testament
Por André Luiz Paiz
Postado em 03 de abril de 2026
Se existe uma banda que define a resiliência do Thrash Metal, essa banda é o Testament. Desde o debute com The Legacy (1987), o grupo californiano trilhou um caminho de integridade absoluta. Enquanto gigantes se perdiam em experimentos duvidosos nos anos 90, Chuck Billy e Eric Peterson mantiveram a chama acesa, flertando com o Death Metal quando necessário e refinando a técnica a cada década.
Após o aclamado Titans of Creation (2020), o mundo parou. Para uma banda que vive do palco e da criação coletiva, os cinco anos de hiato foram um teste de paciência. Mas, como diz o ditado em latim que dá nome ao novo disco: Si vis pacem, para bellum (Se quer a paz, prepare-se para a guerra). E o Testament voltou armado até os dentes.

Poder de Fogo e Produção Esmerada
Lançado em 2025 pela gigante Nuclear Blast e distribuído no Brasil pela Shinigami Records, Para Bellum é um triunfo sonoro. A produção, assinada pela própria dupla dinâmica Chuck Billy e Eric Peterson, é cristalina e devastadora.
A grande novidade na linha de frente é o jovem prodígio Chris Dovas. Após a saída de Dave Lombardo por conflitos de agenda, Dovas não apenas assumiu o posto; ele incendiou o kit. Sua performance traz uma urgência moderna, com bumbos duplos que beiram o Black Metal, elevando as composições de Peterson a um novo patamar de agressividade.
O Disco: Faixa a Faixa
A jornada começa com "For the Love of Pain", um soco no estômago que exibe a influência do projeto Dragonlord de Peterson. É rápido, furioso e com um toque sombrio que prepara o terreno.
Os singles mostram a versatilidade da banda. "Infanticide A.I." é um petardo curto e grosso, trazendo uma crítica afiada à desumanização causada pela inteligência artificial. Aqui, Skolnick e Peterson entregam harmonias que desafiam a lógica. Já "Shadow People" é o hino do headbanging. Com um riff hipnótico, a letra mergulha nos traumas e obsessões da mente humana, provando que o terror psicológico é tão pesado quanto o som da banda.
O álbum ainda encontra espaço para a surpresa. "Meant to Be" é a balada densa que você esperava: começa melódica e emocionante, mas cresce em um épico de sete minutos que mostra o alcance absurdo das cordas vocais de Chuck Billy. Por outro lado, "High Noon" traz uma vibe de "bang-bang italiano" versão Thrash, pintando um cenário de duelo no deserto com uma ferocidade implacável.
Momentos como "Witch Hunt" e a cadenciada "Nature of the Beast" mostram que o Testament sabe quando acelerar e quando dar espaço para o ouvinte respirar, sem nunca perder o peso. Perto do fim, "Room 117" e "Havana Syndrome" trazem ganchos vocais que grudam na mente, preparando o grandioso encerramento com a faixa-título, uma marcha de guerra definitiva que encerra o disco com a sensação de missão cumprida.
Veredito
Considerando que os líderes da banda já cruzaram a marca dos 60 anos, o que ouvimos em Para Bellum é sobrenatural. É o primeiro de três álbuns previstos no novo contrato, o que nos deixa aliviados: o Testament não vai descansar. Eles continuam sendo os guardiões da elite do metal mundial, fugindo da mesmice e entregando um trabalho que agrada tanto ao fã da velha guarda quanto ao novato que acaba de descobrir o gênero.
Prepare-se para a guerra. O Testament já venceu.
Ficha Técnica: Para Bellum (2025)
Formação:
Chuck Billy: Vocais
Eric Peterson: Guitarra
Alex Skolnick: Guitarra
Steve DiGiorgio: Baixo
Chris Dovas: Bateria
Produção: Chuck Billy e Eric Peterson
Selo: Nuclear Blast
Distribuição no Brasil: Shinigami Records
Tracklist:
For the Love of Pain
Infanticide A.I.
Shadow People
Meant to Be
High Noon
Witch Hunt
Nature of the Beast
Room 117
Havana Syndrome
Para Bellum
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Narrador do Sportv, Luiz Carlos Jr. toca Dio no Rock and Roll Hall of Fame
Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
Quando o Black Sabbath quase arruinou a gravação de um dos discos mais vendidos da história
"Eu não erro nunca", disse Mikkey Dee ao entrar no Scorpions
A música do Metallica de 1984 que James Hetfield não quer ver nem pintada de dourado
A música do Deep Purple que cutucava os "guardiões da moral" dos anos 70
O disco que transformou o Iron Maiden em uma banda realmente global
A primeira música que o Queen tocou quatro anos antes de transformá-la em clássico
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
O clássico do Slayer que é faixa de um álbum "terrível", segundo a Metal Hammer
Tarja Turunen precisou deixar a Finlândia após demissão do Nightwish
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
Wacken Open Air está próximo e confirma 172 atrações em 4 dias de shows
Para Kerry King, escrever músicas sobre o capeta é puro entretenimento
A melhor banda de todos os tempos, segundo os leitores da Classic Rock


Chuck Billy (Testament) conta como foi ter Rob Halford escrevendo prefácio de sua biografia
Integrantes do Testament viviam como estrelas do rock, segundo Chuck Billy
O disco do Testament pelo qual Chuck Billy gostaria de ser lembrado
O álbum do Metallica que Chuck Billy gostaria que nunca tivesse sido lançado


