Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
Resenha - Rise of the Damned - Headhunter DC *[
Por Durr Krampus
Postado em 29 de junho de 2026
Há bandas que fazem discos e existem outras que constroem trincheiras. O Headhunter D.C. pertence à segunda categoria.
Enquanto grande parte da indústria musical se curva aos algoritmos, às métricas, aos patrocinadores e à lógica da mercadoria, os baianos seguem fazendo aquilo que sempre fizeram desde 1987: Death Metal como arma, identidade e resistência.

Rise of the Damned... chega às ruas em 06/06/2026 - o simbólico 6/6/(2)6 - e não poderia haver data mais apropriada. Afinal, o álbum soa como um manifesto escrito com sangue, fogo e décadas de convicção.

Logo na abertura, "40 Years' Deathmarch" funciona como uma saudação aos quarenta anos de história do Death Metal mundial. Não há nostalgia barata aqui. Há reconhecimento de uma tradição construída por gente que carregou amplificadores nas costas, prensou demos na raça e manteve viva uma cultura que o mercado jamais compreendeu.
Gustavo Anunciação Lenza | Luis Alberto Braga Rodrigues | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Em seguida, "Unblessed by the Unsacred" e "No Salvation from Above" deixam clara a proposta do álbum: não esperar salvação de cima. Nem do céu nem dos patrões nem dos políticos burgueses. Muito menos das corporações.
Uma mensagem que soa particularmente poderosa num mundo onde milhões produzem toda a riqueza social enquanto uma minoria continua apropriando seus frutos.
Musicalmente, as influências estão todas ali. O caos controlado do Immolation. A violência primordial do Possessed. A brutalidade dos primeiros discos do Death. A agressão do Slayer de outrora. A fúria militante do Kreator clássico. O espírito de guerra do Sepultura dos anos oitenta.
O resultado final continua sendo cem por cento Headhunter D.C..
"Burn the Book of Lies" surge como uma das declarações mais contundentes do disco. Um ataque frontal às estruturas que sobrevivem através da mentira, da manipulação e da alienação. O título diz tudo. Queimem os livros das falsas promessas. Questionem as verdades oficiais. Desconfiem daqueles que pedem obediência em troca de sofrimento.
"Gospel of Doom" e "The Dysangelist" aprofundam ainda mais esse mergulho na crítica à autoridade religiosa e aos mecanismos de dominação ideológica. Afinal, não existe poder duradouro sem algum tipo de narrativa destinada a convencer os explorados de que sua exploração é inevitável.
Quando chega "One Thousand Apocalypses", primeiro single do álbum, a banda já está em pleno estado de guerra. Os riffs atropelam tudo pela frente. A bateria avança como uma coluna blindada. O resultado é devastador.

Após o ritualístico "Praeludium ad Ascensionem Haereticorum", chega a faixa-título e aqui está o verdadeiro coração do álbum porque os "condenados" que se erguem em "Rise of the Damned" podem ser interpretados como todos aqueles que a sociedade descarta.
Os esquecidos. Os marginalizados. Os trabalhadores tratados como peças substituíveis. Os derrotados que se recusam a permanecer derrotados.
É deles que sempre nasceram as grandes transformações da história e é deles que nasce a força deste disco.
A reta final é impecável. "Possessed, Obsessed" celebra a obsessão que mantém vivo o underground há décadas. Já "In Death Metal We Trust", segundo single lançado, encerra tudo como um verdadeiro hino de guerra. Não apenas uma música, mas uma profissão de fé para quem acredita que o Death Metal ainda pode ser perigoso, subversivo e relevante.
Sérgio Baloff continua sendo uma das grandes vozes do metal extremo brasileiro. Quase quatro décadas após ingressar na banda, permanece soando tão convicto quanto nos primeiros dias. Sua interpretação transmite exatamente aquilo que tornou o Headhunter Death Cult uma instituição do underground nacional: autenticidade absoluta.
Ao seu lado, Danilo Coimbra - membro fundador da igualmente essencial Malefactor ao lado do meu camarada Lord Vladimir Senna - mostra por que se tornou peça fundamental da formação atual. Seus riffs equilibram violência e inteligência de forma impressionante, conduzindo o álbum com personalidade própria.
O que mais impressiona em 'Rise of the Damned...' é que ele não parece um disco de veteranos tentando reviver glórias passadas. Parece um opus de gente que ainda acredita e marcha no lado esquerdo da escuridão.
Num tempo em que tudo é transformado em mercadoria, conteúdo ou produto descartável, o Headhunter D.C. continua defendendo valores cada vez mais raros: lealdade ao underground, independência artística, resistência cultural e desprezo absoluto pelas exigências do mercado.
O sistema quer música dócil, mas Headhunter D.C. entrega guerra. Uma banda que ainda luta e recusa-se a ajoelhar-se.
Um destaque especial merece a apresentação visual com a impressionante arte de capa criada pelo artista brasileiro Nauseaimage - MMiller, nome conhecido entre os apreciadores do metal extremo por trabalhos para bandas como Desaster, AMEN CORNER e Exterminate.
Complementando o trabalho, todo o layout foi novamente confiado às mãos experientes de Alcides Burn, cuja identidade visual já se tornou parte inseparável do universo da banda.
E sob a bandeira da Mutilation Records, selo que mais uma vez reforça seu papel fundamental na preservação e fortalecimento do underground extremo brasileiro, esta obra-prima chega às mais imundas lojas ao redor do mundo.
Gustavo Anunciação Lenza | Luis Alberto Braga Rodrigues | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Vida longa aos condenados que continuam se levantando.
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