Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Resenha - Sofisalma - Ju Kosso
Por Flávia Pais da Silva
Postado em 09 de abril de 2026
"Nunca estamos atrasados para o que é nosso" é uma máxima repetida por muitas pessoas - e que se confirma como uma realidade aplicável a diferentes esferas da vida, do campo pessoal ao profissional. É nesse percurso, marcado por reinvenções e amadurecimento, que se insere a trajetória de Juliana Kosso.

Juliana Kosso, ou simplesmente Ju Kosso, como passou a assinar seus trabalhos, é uma artista de presença marcante. Em suas redes sociais, define-se como cantora, rockeira, compositora, professora de canto popular, ex-Velhas Virgens e psicanalista. Embora sua caminhada musical anteceda a passagem pela banda, foi ao integrar o grupo paulistano Velhas Virgens - fundado em 12 de outubro de 1986 por Paulão de Carvalho e Alexandre Cavalo - que conquistou reconhecimento mais amplo. Como afirmou em entrevista ao portal Coleta Seletiva, "quinze anos não são quinze dias".
Com estilo autêntico, Ju Kosso se consolidou como um dos nomes expressivos do rock 'n' roll nacional. Ao longo da carreira, participou de tributos à saudosa Rita Lee, a Rainha do Rock Brasileiro, e construiu uma trajetória que reforça a presença feminina em um cenário historicamente dominado por homens.

Após deixar as Velhas Virgens, a artista não se afastou da música, mas ampliou seus horizontes ao se dedicar também à psicanálise. A área, longe de representar uma ruptura, surge como extensão de sua sensibilidade artística. Ao revelar conteúdos inconscientes que influenciam pensamentos e comportamentos, a psicanálise favorece o autoconhecimento e, consequentemente, amplia a capacidade de compreender o outro - algo que dialoga diretamente com a expressão musical.
Retomando a ideia inicial de que não há atraso para aquilo que nos pertence, Ju Kosso apresenta, em 1º de abril de 2026, o clipe de Sofisalma. O lançamento marca um novo capítulo em sua carreira e sintetiza um momento de renovação criativa. Mas o que sustenta esse conceito?

O título Sofisalma remete à figura do sofista, pensador da Grécia Antiga associado à retórica e à argumentação, muitas vezes mais preocupado com a persuasão do que com a verdade. A partir dessa referência, a obra propõe uma reflexão sobre o colapso das aparências e das identidades idealizadas. Nesse sentido, dialoga também com o conceito de persona, formulado por Jung, entendido como a "máscara social" construída para atender às expectativas externas.

Gravado em Los Angeles e tendo como convidado Felipe Andreoli (baixista Angra | Matanza), o single apresenta sonoridade intensa e direta, equilibrando peso e melodia com vocais marcantes. Energia crua, riffs acentuados e uma entrega que prende do início ao fim - Sofisalma mostra domínio de linguagem e identidade, equilibrando peso e melodia com precisão. Produção consistente e presença forte: dialoga com a cena, jamais perdendo a autenticidade. A letra reforça a crítica proposta, evidenciando o desgaste de discursos artificiais e a inevitabilidade das consequências.
Palavras distorcidas nesse jogo sujo
Mentiras bem contadas, verdades esquecidas
Em sedução
Todo esse teatro não funciona mais!
Ôôôôh… e desse jeito você vai ficar
Ôôôôh…
E desse jeito você vai ficar
Sem alma!
E desse jeito você vai ficar
Sem volta!
E desse jeito você vai ficar
Sem graça!
O seu papel já tá amassado
O que foi escrito lá não se desfaz
Você não consegue voltar pro passado
A tua beleza não é a mesma mais
Oh oh oh oh… E desse jeito você vai ficar
Oh oh oh oh…
E desse jeito você vai ficar
Sem alma!
E desse jeito você vai ficar
Sem volta!
E desse jeito você vai ficar
Sem graça!
E desse jeito você vai ficar
Sem alma!
E desse jeito você vai ficar
Sem volta!
E desse jeito você vai ficar
Sem graça!
A própria artista define Sofisalma como resultado de um "transbordamento criativo, após um período em que percebia sua expressão artística bloqueada". Segundo Ju Kosso, o processo de criação foi "visceral e inevitável", o que se reflete na intensidade da composição.
Ao fim, a pergunta que se impõe é retórica: haveria atraso entre artista e obra? A resposta parece evidente. Sofisalma chega no tempo exato - tanto para Ju Kosso quanto para o público que acompanha sua trajetória.
O clipe de Sofisalma está disponível nas plataformas digitais e pode ser conferido no canal oficial de Ju Kosso no YouTube, onde a artista apresenta, em imagens, a mesma força expressiva que marca o single.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O trabalho do Metallica que James Hetfield admite que não funciona bem ao vivo
O músico que mudou o som do Scorpions; "vamos tornar essa porra pesada novamente"
Registro perdido do Black Sabbath de 1970 reaparece com versão impressionante de clássico
Ian Hill anuncia a aposentadoria e Davey Rimmer assume o baixo no Judas Priest
A melhor música de glam rock de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
Scott Ian (Anthrax) lembra "derrota" quando tentou acompanhar Lemmy na bebida
Do início caótico ao último álbum, a discografia do Megadeth comentada por Mateus Ribeiro
"Civil war" do Guns N' Roses, uma profunda música de protesto
A música mais brutal gravada pelo Slayer, segundo a Metal Hammer
Dois discos do Pink Floyd que parecem feitos por bandas diferentes - qual é o melhor?
A música com andamento esquisito do Pink Floyd que todo mundo conhece
5 prisões de astros do rock que tiveram consequências muito além da cadeia
Os melhores álbuns de melodic death metal dos anos 90, segundo o Loudwire
O álbum do Pink Floyd que Roger Waters gostaria de refazer
Acidente de trânsito influenciou a criação de "Human", clássico do Death



Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
30 anos de "A Tempestade" - o álbum que se tornou a despedida de Renato Russo
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
Carach Angren - O preço de brincar com a morte em "Franckensteina Strataemontanus"
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Iron Maiden: "Senjutsu" é uma prova de que "The X-Factor" é um discão


