RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

A música do Iron Maiden que "deveria ter sido extinta", segundo o Heavy Consequence

O guitarrista que The Edge disser ser uma das vozes que "define" a guitarra

O álbum que é para quem tem capacidade cognitiva de ouvir até o fim, segundo Regis Tadeu

"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional

BMTH e Amy Lee - "Era pra dar briga e deu parceria"

Os 5 melhores álbuns do rock nacional dos anos 1980, segundo Sylvinho Blau Blau

Hulk Hogan - O lutador que tentou entrar para o Metallica e para os Rolling Stones

O ícone do thrash metal que era idolatrado na Bay Area e tinha um lobo de estimação

O gênero musical que Phil Collins nunca suportou ouvir, segundo o próprio

Fred Smith, baixista do Television, morre aos 77 anos

Eagles encerrará atividades em 2026, revela Don Henley

Jão sofre fratura exposta em dedo da mão e se afasta das atividades do Ratos de Porão

Com show no Brasil, After Forever confirma datas na América Latina

Joe Perry explica o erro dos Beatles que os Rolling Stones por pouco não cometeram

Quem pode ser a nova vocalista do Arch Enemy no Bangers Open Air?


Bangers Open Air
Bad Religion

"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional

Resenha - Ritual - Shaman

Por Gleiner Ambrosio
Postado em 07 de fevereiro de 2026

Explicar o enorme sucesso do álbum "Ritual" (2002), do Shaman, pode parecer algo fácil passados tantos anos desde seu lançamento. No entanto, sua consagração se deu de forma muito menos convencional do que pode parecer à primeira vista.

A partir da ruptura da formação clássica do Angra em 1999, durante a turnê do Fireworks (1998), Luis Mariutti, Ricardo Confessori e Andre Matos seguiram, cada qual, seus respectivos caminhos, deixando para trás uma história que, mesmo que continuada pelos membros remanescentes da banda a partir da formação "Nova Era" (Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro), permanece, ainda assim, um monumento musicalmente inalcançável no séc. XXI quando o assunto é metal nacional.

Shaman - Mais Novidades

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Andre Matos, vocalista da banda, havia se reunido com Sacha Paeth (antigo produtor dos álbuns Angels Cry (1993) e Holy Land (1996) juntamente com temido Charlie Bauerfeind) para dar início ao curto, mas curioso projeto Virgo, que rapidamente se mostrou inviável financeiramente ao maestro. Aqui, temos a primeira abertura àquilo que viria a ser a formação clássica do Shaman.

Ricardo Confessori – um dos raros casos de baterista compositor no rock e no heavy metal – já estava desde a época do Fireworks compondo algumas ideias que, ao que tudo indica, seriam dedicadas ao Angra nos anos seguintes, mas que, pela mudança de rota, começaram a ser trabalhadas e desenvolvidas para algo novo. Essas músicas eram nada mais, nada menos do que Blind Spell, Be Free (versão demo que ficou de fora do álbum, mas foi incluída em um relançamento na década seguinte – além de ser retrabalhada em uma versão mais pesada anos depois para o álbum Immortal (2007), chamada Freedom) e aquele que seria um dos maiores hinos do metal nacional, For Tomorrow.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Depois disso, Ricardo convida Luis para se juntar à banda, que trouxe consigo duas grandes contribuições: a faixa Over Your Head e, claro, o nome da banda: Shaman, com inspiração direta na atmosférica, mas criminosamente subestimada, faixa The Shaman, do álbum Holy Land.

Precisando de um guitarrista, Luís convida seu irmão, Hugo Mariutti, para alguns ensaios que, dado o talento e a performance do então desconhecido guitarrista, seriam definitivos à banda. Logo de cara, mais uma composição é adicionada: Time Will Come, uma das mais aclamadas do álbum.

Com exceção de Be Free, a banda já havia garantido cinco faixas, metade das convencionadas dez faixas necessárias ao fechamento de um álbum de heavy metal. No entanto, ainda faltava um elemento importante: o vocalista. O caminho estava aberto para, mais uma vez, Andre Matos se reunir aos consagrados músicos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Apesar de aceitar o convite para emprestar os vocais às faixas existentes, perfeccionista e exigente como sempre, André ficou inicialmente reticente em relação às músicas dos outros integrantes. Ele, como todos sabem, foi parceiro de composição de Rafael Bittencourt, seu colega de faculdade e de composições à época do Angra, compartilhando do mesmo racional criativo. De acordo com Ricardo Confessori, a desconfiança só desapareceu quando o baterista enviou uma demo com as faixas para uma gravadora internacional (JVC) e, como resposta, recebeu aprovação e um financiamento na casa dos setenta mil dólares para produção do disco.

Passada a desconfiança, Matos trouxe suas tradicionais faixas ao álbum (notavelmente a faixa de abertura, Here I Am, e Fairy Tale, um capítulo à parte), além de outras que seriam adicionadas e compostas num processo criativo mais conjunto, já com a banda formada. Aqui, já estava se desenhando o sucesso vindouro da banda. Porém, mais do que as composições sob o limiar técnico, a grande forja constituída pela banda foi em relação à construção do conceito do disco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Ritual, como o próprio nome já indica, funciona como um álbum conceitual antológico, ou seja, cada faixa conta uma história cuja costura reside no elemento comum dos rituais: sejam eles pagãos, profanos, sagrados ou eminentemente culturais, há um especial interesse pelos elementos atmosférico-sensoriais que cada um deles tem a "oferecer" enquanto atos procedimentais religiosos. E o maior mérito do álbum é justamente permear suas letras e composições com uma sonoridade que esteja a serviço da construção dessa atmosfera – sem que isso torne o álbum em uma obra religiosa, obviamente.

Com isso, temos um álbum que, ainda que imbuído de uma técnica inerente ao próprio gênero power-progressivo, se lastreia muito menos no virtuosismo em comparação ao caminho traçado pelo Angra no álbum Rebirth (2001). Para alcançar tal atmosfera, foram empregados diversos instrumentos atípicos ao heavy-metal, como gaitas de fole, violino elétrico, flautas e violões - boa parte deles voltada à ambientação das culturas indígena, andina e xamanística.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Logo no início, após a construção climática de Ancient Winds, chega Here I Am, uma faixa de abertura bem ao estilo de Carry On, Nothing to Say e Wings of Reality, porém muito mais agressiva e, desde já, surpreendendo pelo vocal rasgado de Andre Matos. Tematicamente, introduz o surgimento do xamanismo, reforçado por uma sonoridade, mesmo que frenética, erudita, com um interlúdio orquestral baseado em Tchaikovsky.

Em seguida, entra outra faixa igualmente pesada e rápida, mas com ares mais climáticos: Distant Thunder. Com inspiração nas trilhas épicas de faroeste de Ennio Morricone, a faixa traça um paralelo entre uma vindoura tempestade e os sentimentos conflituosos de um antigo indígena.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Em seguida, entra aquela que, para muitos, definiu a sonoridade do Shaman. Composta por Ricardo Confessori, For Tomorrow é um espetáculo à parte, desde a introdução andina alternando entre flautas e o violão brilhantemente tocando por Hugo Mariutti até o andamento simples na bateria (andamento em três no chimbal), mas com um senso melódico brilhante de Ricardo. Aqui, a faixa nos conta a respeito da Teoria da Conquista e da População nas Américas, surgida a partir da locomoção de habitantes oriundos da Ásia até a América através da Ponte de Bering, teoria essa que explica – ou melhor, que tenta explicar – a origem dos povos indígenas em nosso continente.

Depois, temos a faixa mais sombria, pesada e progressiva de todo o álbum: Time Will Come. Galgada em um andamento direto entre guitarra e bateria, tal música se inspira no poema sobre Henrique Faust, do poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe, que conta a história de Henrique Fausto, que faz um pacto com o diabo em troca de poder e conquistas ilimitadas, mas que, em determinado momento, é obrigado a cumprir sua parte do acordo. Atmosfericamente falando, os interlúdios desta faixa soam como se as faixas setentistas do Pink Floyd tivessem sido feitas sob influência do metal progressivo e de Opeth, mais precisamente. Algo único!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Logo após, temos a Over Your Head, composição de Luis Mariutti que nos apresenta imagens e planos da cultura árabe. A região do Oriente Médio, cujos elementos culturais e religiosos sempre são fruto de debates acalorados, são aqui evocados, em especial quando está à mesa a questão da jihah – ou seja, a Guerra Santa do Islã. Em termos de ambientação, a faixa traz uma curiosa influência flamenca, que em muito enriquece a atmosfera da música.

Depois, temos outra das faixas-destaque do álbum: Fairy Tale. Inteiramente composta por Andre Matos, temos aqui um recorte do período medieval, em que os conflitos religiosos e sacros definiram uma era de nossa História. Ao som do piano e da construção de elementos épicos e sinfônicos, Andre dá um show à parte. O crescendo melódico aqui construído por ele é algo impossível de se passa sem genuínos arrepios– não à toa, virou trilha sonora de novela da Globo (Beijo do Vampiro), um feito inacreditável por se tratar de uma banda de metal pesado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Originalmente rejeitada pelo produtor Chris Tsangarides no processo de gravação do Fireworks, Fairy Tale, que antes tinha uma temática curiosamente Celta, foi retrabalhada por Matos e incluída no presente álbum, se tornando outro hino histórico do metal nacional.

Depois de toda a catarse das faixas anteriores, ao contrário de boa parte dos álbuns do Angra e do próprio Shaman, temos, ao final do disco, uma trinca de faixas menos contemplativas: Blind Spell, Ritual e Pride. Enquanto Blind Spell – composta por Confessori – traz um ar mais solto e espontâneo, construído através da condução de bateria e de percussões afro/brasileiras que evocam temáticas de feitiçaria e encantamento, Ritual, faixa título do álbum, apresenta uma faixa com ares quase psicodélicos, bem divisiva entre os fãs da banda. E, por fim, temos Pride, que surgiu quase de que de última hora nas gravações e foi responsável por terminar o disco em um tom mais "pra cima" do que usualmente esperado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Individualmente, cada músico envolvido teve performances por muitos tratadas como sendo o ápice de suas vidas. Para além dos critérios de composição, André surpreendeu por cantar de forma mais rasgada e impactante, Luis por trazer ainda mais peso às suas linhas de baixo, Hugo por sustentar um som tão exigente sem um segundo guitarrista e Confessori por aderir sua tradicional sensibilidade melódica combinada a um peso que somente ele poderia atingir na bateria.

Conforme falado no começo, toda a concepção não apenas do álbum, mas também da banda, foi feita de forma não planejada, ao contrário do que muitos acreditam. Cada integrante, após a separação do Angra, trilhou seu próprio caminho. Ocorre que, seja o destino ou uma força "mística", todos haviam de se juntar novamente. Tal como em um ritual, há peças e ritos que são fundamentais ao seu funcionamento. Ricardo, Luis, André e o então desconhecido Hugo certamente estavam predestinados a forjar uma obra de tamanha dimensão como a presente, carregada de significados e simbolismos que em muito marcaram a obra e a vida de cada um dos integrantes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Ainda que a banda tenha passado por diversos problemas pessoais e de formação – o que culminou, inclusive, em seu fim aparentemente definitivo em 2022 –, temos aqui uma obra que é perene a todo tipo de intempérie humana. Em muito me entristece que o legado da banda e, em especial, deste álbum, esteja sendo relegado a bandas "tributo" e comemorativa$ (!!!), sem que haja uma preocupação no relançamento dos álbuns, na remasterização dos discos (em especial no show ao vivo Ritualive), no lançamento de shows "perdidos", no lançamento do álbum em vinil... enfim. Seja como for, acredito que a história da banda seja capaz de sobreviver a tudo isso. Claro, de forma quase "sobrenatural": tal como escreveu John Petrucci na belíssima canção do álbum Metropolis Part II, do Dream Theater: "If I die tomorrow, I'd be all right because I believe that, after we're gone, the spirit carries on".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Que o "espírito" do Shaman viva para todo o sempre!

Ritual (2002)
(Shaman)

Tracklist:
01. Ancient Winds
02. Here I Am
03. Distant Thunder
04. For Tomorrow
05. Time Will Come
06. Over Your Head
07. Fairy Tale
08. Blind Spell
09. Ritual
10. Pride

Faixas bônus - relançamento 2016:
11. Time Will Come (Demo)
12. Here We Go (Demo de "For Tomorrow")
13. Blind Shell (Demo de "Blind Spell")
14. Be Free (Demo de "Freedom", lançada posteriormente no álbum Immortal)

Selos: Universal Music / Substancial Music (relançamento)

Banda:
André Matos: voz, piano
Hugo Mariutti: guitarra
Luis Mariutti: baixo
Ricardo Confessori: bateria

Músicos convidados:
Tobias Sammet: voz (10)
Marcus Viana: violino (06)
Derek Sherinian: teclado (06)
Ademar Farinha: instrumentação de sopro (04)
Sascha Paeth: guitarra (10)

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal
Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


Stamp


publicidadeRogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS