Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Resenha - Streets Of Fire - Motorjesus
Por Mário Pescada
Postado em 09 de janeiro de 2026
Nota: 9 ![]()
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Às vezes fazer o básico sai melhor do que querer inventar a roda. E mais: são poucos grupos que sabem fazê-lo sem soarem datados ou pior, como uma cópia da cópia. Quem mostra que é capaz de surpreender positivamente, mesmo fazendo o simples, é o alemão Motorjesus.
Apesar dos seus quase vinte anos de carreira como Motorjesus (até 2006 eram conhecidos como The Shitheadz), o grupo é quase desconhecido por aqui, mas enfim, teve seu primeiro material lançado no Brasil: "Streets Of Fire" (2025), que chegou com tudo pela parceria entre a Shinigami Records e o selo alemão Reaper Entertainment (esse foi primeiro disco deles na casa nova).

Com seu "High Octane Heavy Rock" (palavras deles), o grupo pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em ótimas músicas com aquela pegada certeira do rock melódico de Kiss e Thin Lizzy, toques de Iron Maiden (antigo) e hard/heavy de grupos como Danko Jones e Crossplane - ou seja, um som sempre pra cima e muito, muito energético.
Composto pelo vocalista Chris "Howling" Birx (apresentador do programa "Motormetal TV", onde analisa discos) e Patrick Wassenberg (que deixou a banda pouco antes do lançamento do álbum), "Streets Of Fire" (2025) nos seus 50 minutos de duração traz letras que abordam bem vs. mal (demônios e messias em constantes batalhas) e sempre, sempre algo ligado a carros (pneus em fogo, estradas sendo cortadas, motores a mil por hora, combustível queimando, etc.).
Mas não adiantaria nada ter uma máquina dessas fazendo tamanho barulho sem uma bela lataria, não é? E é aí quem brilhou foi Sebastian Jerke, o criador da capa mais legal que me deparei de uns bons meses para cá: numa espécie de "Somewhere In Time" cyberpunk apocalíptico, um Jesus ciborgue, semelhante ao personagem T-800 interpretado por Arnold Schwarzenegger no filme "O Exterminador Do Futuro", está prestes a entrar em combate uma legião de criaturas futuristas.

Contando com a boa produção do parceiro Dan Swanö (Opeth, Dissection, Asphyx, Edge of Sanity, Incantation, Katatonia), todas as faixas estão niveladas por cima, mas mesmo assim dá para evidenciar a vibrante "Streets Of Fire"; "Return To The Badlands" que tem um refrão bem legal; "New Messiah Of Steel" com vocais rápidos de Chris e que ainda faz uma referência no final ao jogo eletrônico "Carmageddon", lançado em 1997; as mais cadenciadas (se é que podem ser chamadas assim) "2 Evil" e "City Heat" e "The Confrontation", com sua pegada mais direta.
Como dito, "Streets Of Fire" (2025) não prima pela originalidade e sinceramente nem precisou, porque é bem-feito, soa honesto e é empolgante, desses discos que devem ser um perigo ouvir dirigindo - ainda que seu carro não seja turbinado por um potente motor Pontiac V8, como o da capa.
Formação:
Chris "Howling" Birx: vocais
Dominik Kwasny: baixo
"Sparkling" Steve Sørensen: guitarra
Patrick Wassenberg: guitarra
Adam Borosch: bateria
Faixas:
01 Somewhere From Beyond
02 Back For The War
03 Streets Of Fire
04 They Don´T Die!
05 Return To The Badlands
06 New Messiah Of Steel
07 2 Evil
08 The Driving Force
09 Holy Overdrive
10 City Heat
11 The End Of The Line
12 The Confrontation
13 See You Next Doomsday (outro)
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