Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
Resenha - A Kind of Magic - Queen
Por Sérgio Dall'Alba
Postado em 10 de junho de 2026
Impulsionado pelo fenômeno do Live Aid e pela histórica Magic Tour, disco se tornou um dos capítulos mais simbólicos da reta final do Queen clássico
Em junho de 1986, o Queen lançava um dos trabalhos mais importantes e emocionais de sua trajetória. Há exatos 40 anos, chegava às lojas "A Kind of Magic", álbum que consolidou a retomada criativa da banda após o lendário show no Live Aid e acabou se transformando, sem que ninguém soubesse na época, no último grande ciclo de apresentações ao vivo de Freddie Mercury com o grupo.
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Lançado originalmente em 2 de junho de 1986 no Reino Unido, o disco trouxe clássicos como "A Kind of Magic", "Who Wants To Live Forever", "Friends Will Be Friends", "One Vision" e "Princes of the Universe".
O álbum surgiu em um momento decisivo para o Queen. Depois de enfrentar críticas e divisões entre os fãs por causa de "Hot Space" (1982), a banda recuperou enorme prestígio após sua apresentação histórica no Live Aid, em 1985, frequentemente apontada como uma das maiores performances da história do rock.
"A Kind of Magic" acabou funcionando como uma espécie de renascimento artístico e comercial. O disco estreou diretamente no topo das paradas britânicas e permaneceu por mais de um ano entre os álbuns mais vendidos do Reino Unido.
Parte importante da identidade do trabalho veio da ligação com o filme Highlander. Embora não seja oficialmente uma trilha sonora, o álbum nasceu diretamente da parceria com o longa estrelado por Christopher Lambert. Diversas músicas foram usadas no filme, especialmente "Princes of the Universe", que se tornou inseparável da obra. O próprio título do álbum surgiu de uma frase dita pelo protagonista Connor MacLeod durante o filme.
Além da conexão cinematográfica, o disco também representou um momento de transformação tecnológica dentro da indústria musical. As gravações utilizaram recursos digitais ainda considerados novidade na época, e "A Kind of Magic" entrou para a história como o primeiro álbum do Queen lançado em CD simultaneamente ao vinil.
Apesar do enorme sucesso comercial, a recepção da crítica foi dividida. Enquanto veículos britânicos elogiaram a capacidade do Queen de misturar rock, pop, música épica e elementos eletrônicos em um mesmo trabalho, parte da imprensa americana considerou o álbum excessivamente grandioso e teatral. Mesmo assim, com o passar das décadas, o disco acabou consolidado como um dos favoritos dos fãs da fase oitentista da banda.
Mas foi nos palcos que "A Kind of Magic" ganhou dimensão histórica definitiva.
Poucos dias após o lançamento do álbum, o Queen iniciou a gigantesca Magic Tour, série de shows que reuniu mais de um milhão de pessoas pela Europa. As apresentações em Wembley se tornaram icônicas, mas o momento mais simbólico aconteceu em 9 de agosto de 1986, no gigantesco show em Knebworth Park, diante de cerca de 200 mil pessoas.
Naquele momento, ninguém imaginava que aquele seria o último show de Freddie Mercury com o Queen.
Anos depois, com a revelação pública da luta do cantor contra a AIDS, a turnê passou a ser vista como a despedida silenciosa de um dos maiores frontmen da história do rock. Embora o Queen ainda lançasse outros álbuns com Freddie, como "The Miracle" e "Innuendo", a banda nunca mais voltou aos palcos com sua formação clássica.
Quatro décadas depois, "A Kind of Magic" permanece como um retrato poderoso da última grande era do Queen com Freddie Mercury: um período em que grandiosidade, emoção, experimentação e carisma ainda colocavam a banda entre os maiores nomes do planeta.
FONTE: www.musicaos.com.br
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