Tarja Turunen: Frisson Noir - o álbum que os fãs sempre quiseram ouvir
Resenha - Frisson Noir - Tarja Turunen
Por Matheus Dela Cela
Postado em 31 de maio de 2026
Nota: 10 ![]()
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Como uma artista que não gosta de se repetir e que tenta sempre evoluir, Tarja sempre nos surpreende a cada lançamento. Há 10 anos, o "The Shadow Self" expandiu a sonoridade mais progressiva que havia sido iniciada no "Colours In The Dark", introduzindo novas melodias e músicas que não precisavam seguir o clássico padrão de verso-refrão-verso-refrão-ponte-refrão, com destaque para "Love To Hate".
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Três anos depois, "In The Raw" veio enquanto Tarja se recuperava de um mini-AVC que sofreu em 2018, trazendo melodias e estruturas mais cruas e diretas. As letras também. Apesar de conter músicas que a Tarja estava trabalhando há anos, a maioria foi escrita para aquele álbum em específico, o que proporcionou um álbum muito mais coeso em sonoridade do que os anteriores, mas muita gente sentiu que faltava algo ali.
É muito bom destacar, antes de chegar no álbum atual, que Tarja sempre teve colaboradores frequentes para compor, principalmente no início de sua carreira, já que no NIGHTWISH ela não era compositora e não tinha experiência nesse campo. Assim, os compositores de "I Walk Alone" também estão creditados em "In For A Kill", "Victim Of Ritual", "Innocence" e "Eye Of The Storm", por exemplo. Enquanto que o compositor de "Until My Last Breath" (e boa parte do "What Lies Beneath") também está creditado em "500 Letters", "Never Enough" e "Tears In Rain". Mas em 2019 a faixa que encerra o In The Raw, uma favorita dos fãs e uma das melhores da carreira, "Shadow Play", tinha apenas um nome responsável pela composição: Tarja Turunen.

Assim, depois de 7 longos anos sem um álbum de inéditas, Tarja retorna em um momento único em sua carreira: ela tomou as rédeas da composição unicamente para ela. Todas as letras desse novo álbum foram escritas por ela, e em apenas 3 das 10 músicas ela teve ajuda na composição, com seus músicos de longa data. Assim, "Frisson Noir" é um álbum muito diferente de tudo que ela já fez. Há 10 anos eu escrevi aqui que ela estava superando a si mesma a cada álbum, e isso só se confirma aqui. E, se antes ela descrevia seus álbuns como rock, agora ela abraça e retorna ao metal, com riffs talvez até mais pesados do que o início da sua carreira, no Nightwish.
A primeira música, que dá nome ao álbum, apresenta tudo que podemos esperar a seguir: um piano com uma linda melodia que se transforma em guitarras muito pesadas, acompanhadas pelas cordas da orquestra ao fundo. As linhas vocais estão mais rápidas nesse álbum do que anteriormente e, como os singles nos mostram, sua voz de soprano lírico parece estar mais encorpada.
"The Eternal Return" logo em seguida traz ainda mais peso, e uma melodia ainda mais rápida, que bem no meio da música dá lugar a uma sessão de piano com vocais absurdamente agudos. Uma das melhores do álbum, que deve sacudir os shows durante a turnê e até mesmo eclipsa a faixa seguinte, com participação de MARKO HIETALA, seu colega da época do Nightwish, com quem fez as pazes recentemente. "Leap Of Faith" não é tão diferente ou inovadora quanto suas faixas vizinhas, e os vocais da Tarja e do Marko não harmonizam tanto quanto se esperaria, estando mais imtercalados e sobrepostos. O destaque para mim foi a ponte, que tem uma orquestração digna de uma trilha sonora de cinema.
"At Sea", a obra-prima de 10 minutos que foi o primeiro single do álbum, vem então com toda a sua grandiosidade, alternando entre os momentos de calma e tempestade em que o instrumental nos leva para o meio das ondas, e então chegamos na quinta faixa, a minha favorita. O início de "Blaze Forever" me lembrou um pouco de "Burn To A Cinder", da banda EPICA, mas não deixa de ser uma música da Tarja. É mais uma com o potencial de chacoalhar uma casa de show, assim como "The Trace Outlives", o terceiro single do álbum, lançado essa semana. O shamisen japonês é incorporado à melodia de uma forma tão bem feita que nos faz pensar por que essa mistura não é feita mais vezes.
Logo em seguida, em "Tango", os violoncelos do APOCALYPTICA nos convidam para uma linda música que começa calma, mas acelera um pouco depois, falando sobre mortalidade. Aqui os vocais em staccatto no meio da música vão agradar muitos fãs que amam essa marca na carreira dela.
"Anemoia" nos dá um momento de descanso, enquanto o piano, os violões de flamenco (Tarja quis homenagear a Espanha, país em que está vivendo há uma década) acompanham a belíssima voz de Tarja numa das melhores baladas da sua carreira.
Então, voltando à energia para finalizar o álbum, temos a faixa com participação do Dani Filth (CRADLE OF FILTH). Confesso que, no lançamento, preferi muito mais a versão do clipe, em que cada um tem seu momento de brilhar, do que a versão do álbum, em que as duas vozes estão sobrepostas por toda a faixa, mas acabei me acostumando com essa versão. Ser uma música tão boa, e não estar nem entre as melhores do álbum, apenas atesta o quão bom está esse álbum.
Então, uma melodia conhecida: "Against The Odds" era a faixa de abertura da turnê do "The Shadow Self", vários anos atrás, mas ali ouvíamos apenas um trecho da parte orquestral. Agora finalmente temos a música completa, com uma letra poderosa sobre superar obstáculos, a banda da Tarja, e Chad Smith, do RED HOT CHILI PEPPERS, na bateria. Assim, o álbum se encerra numa nota triunfante.
Como alguém que acompanha a carreira dela de perto desde 2013, posso dizer que qualquer fã da Tarja vai estar completamente servido com esse álbum, mas acredito que seu impacto musical irá alcançar muitas pessoas que não costumavam acompanhar a sua carreira solo. No mais, acrescento que "Frisson Noir" é o que os fãs sempre quiseram ouvir, é o álbum que sempre soubemos que ela tinha o potencial para lançar um dia, e esse dia finalmente chegou.
Frisson Noir, o novo álbum de metal de Tarja, será lançado dia 12 de junho pela earMUSIC.
Tracklist:
01. Frisson Noir
02. The Eternal Return
03. Leap of Faith (feat. Marko Hietala)
04. At Sea (feat. Mervi Myllyoja & Niklas Pokki)
05. Blaze Forever
06. The Trace Outlives (feat. Sayo Komada)
07. Tango (feat. Apocalyptica)
08. Anemoia (feat. Julián Bedmar & Valter Freitas)
09. I Don't Care (feat. Dani Filth)
10. Against the Odds (feat. Chad Smith)
NOTA: O autor teve permissão da earMUSIC para ouvir o álbum e escrever sobre ele.
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