Auri - A Magia Cinematográfica de "III - Candles & Beginnings"
Resenha - III Candles & Beginnings - Auri
Por André Luiz Paiz
Postado em 28 de março de 2026
Existem discos que não pedem apenas a nossa audição, mas exigem a nossa presença. "III – Candles & Beginnings", o terceiro capítulo da jornada do Auri, lançado em agosto de 2025, é exatamente esse tipo de obra. Formado pelo mentor do Nightwish, Tuomas Holopainen, o mestre dos sopros e cordas Troy Donockley e a voz etérea de Johanna Kurkela, o trio nos convida a abandonar o peso do cotidiano para respirar o ar puro de uma montanha nórdica invisível.

O Spin-off da Calma
Embora o pedigree dos envolvidos esteja profundamente ligado ao Metal Sinfônico, é fundamental que o ouvinte deixe os rótulos de lado antes de dar o play. Aqui não há guitarras distorcidas, baterias velozes ou o épico bombástico do Nightwish. O que o Auri entrega é a chamada "música da toca do coelho" (rabbit hole music): uma mistura de folk celta, ambiência cinematográfica e pop de vanguarda que prioriza o mistério.
Assim como Ritchie Blackmore encontrou seu refúgio acústico no Blackmore's Night, Tuomas encontrou no Auri o canal perfeito para suas inspirações mais puras e lúdicas. Para os fãs que vieram através de sua banda principal, o choque pode ser grande: se você busca catarse pelo peso, passará longe; mas se busca se acalmar através de uma musicalidade profunda, encontrou o lugar certo. Aqui, Tuomas atua menos como o tecladista centralizador e mais como um mestre de cerimônias, deixando que o piano e os arranjos construam o cenário para o brilho dos seus companheiros.
Uma Voz Celestial em Paisagens Sonoras
A performance de Johanna Kurkela atinge o ápice neste disco. Sua interpretação justifica o adjetivo "celestial"; ela não apenas canta, ela guia o ouvinte através de camadas sonoras ricas, produzidas com uma delicadeza que beira o espiritual. O uso magistral de uilleann pipes e low whistles por Troy Donockley adiciona a textura necessária para que cada música pareça a trilha sonora de um filme medieval ainda não rodado.
O álbum é estrategicamente construído. A abertura com "The Invisible Gossamer Bridge" serve como um convite suave para atravessar o portal deste universo. Momentos como "Blakey Ridge" trazem um frescor folclórico irresistível - quase um respiro solar no meio da névoa -, enquanto o épico final de onze minutos, "A Boy Travelling With His Mother", é uma meditação sonora profunda que encerra a jornada sem pressa.
A Consolidação Além do Estúdio
O projeto Auri deixou de ser apenas um refúgio criativo para se tornar uma entidade sólida. A crescente qualidade de produção e a realização da primeira turnê oficial do trio no segundo semestre de 2025 provam que há um público fiel e sedento por essa "pausa" sonora. É um trabalho feito para ser apreciado com fones de ouvido e olhos fechados, permitindo que a sensação de estar no topo de uma montanha nórdica, respirando fundo, se torne real.
No final das contas, o Auri reafirma que a verdadeira força da música, às vezes, não está no volume das guitarras, mas no poder de nos fazer flutuar em direção ao intangível.
Embora não seja um disco de rock/metal, "III – Candles & Beginnings" segue sob apoio da Nuclear Blast e com redistribuição no Brasil pela Shinigami Records.
Tracklist:
The Invisible Gossamer Bridge
The Apparition Speaks
I Will Have Language
Oh, Lovely Oddities
Libraries Of Love
Blakey Ridge
Helios
Museum Of Childhood
Shieldmaiden
A Boy Travelling With His Mother
Formação:
Johanna Kurkela: Vocais, Violino e Teclados
Tuomas Holopainen: Teclados e Backing Vocals
Troy Donockley: Uilleann Pipes, Low Whistles, Guitarras e Vocais
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