Deep Purple: Peso e melodia na medida certa em "SPLAT!"
Resenha - Splat! - Deep Purple
Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
Postado em 05 de julho de 2026
FONTE: Matéria original
PERMISSÃO: Sou o autor da matéria e autorizo a sua publicação
Eis que no dia 03 de julho de 2026 fomos presenteados com "SPLAT!", o novo álbum de inéditas do Deep Purple, sendo esse o 24° disco de estúdio da banda e o segundo com a colaboração do virtuoso guitarrista Simon Mcbride.
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Durante a fase de propaganda e divulgação do lançamento, a própria banda afirmava se tratar do "disco mais pesado que o Deep Purple lançaria em muitos anos". Pois bem, finalmente o dia do lançamento chegou e podemos agora atestar a veracidade - ou não - dessa forte afirmação.
Vamos logo deixar isso claro: Sim, é um disco pesadíssimo, um dos mais pesados dentro da discografia da banda! Verdade é que "SPLAT!" é um acerto monumental do começo ao fim, unindo peso e melodia, além de harmonias complexas e partes intrincadas em um som que soa ao mesmo tempo moderno sem fugir em nada das características que transformaram a banda nesse verdadeiro gigante do rock.
São 13 faixas, começando com "Arrogant Boy" e finalizando com "Splat!", que dá nome ao disco.
Ian GIllan não canta mais nas alturas impossíveis da fase áurea da banda, isso é fato; no entanto ele sabe criar linhas vocais em "SPLAT!" que soam eficientes demais e muito interessantes, mostrando um domínio completo da própria voz diante das limitações que o tempo trouxe.Gillan se mostra super consciente dessas limitações, e invés de tentar "emular" o que fazia no passado, ele ajusta de maneira soberba suas linhas vocais para se encaixarem divinamente dentro do que as músicas apresentam.
Outro destaque do álbum é o guitarrista Simon Mcbride. Sendo apenas o segundo disco com sua participação e tendo a ingrata tarefa de substituir lendas como Steve Morse e Ritchie Blackmore, o guitarrista poderia se mostrar tímido diante das composições e apresentar apenas um "feijão com arroz" básico. Mas não! Mcbride apresenta uma guitarra pulsante, pesada, uma verdadeira metralhadora de riffs marcantes e solos que - na minha humilde opinião - rivalizam com os que Steve Morse entregava. Os duetos com o tecladista Don Airey estão presentes em vários momentos ao longo do petardo, e todos sem exceção são de uma qualidade absurda. Nos momentos mais virtuosos e velozes dos solos de Mcbride chega a ser impressionante a limpeza com que ouvimos cada nota tocada, independente da velocidade.
Outro destaque do disco são os arranjos. Mudanças de andamento, viradas de bateria desconcertantes, intervenções de teclado certeiras…tudo aqui beira a perfeição, que mostra um disco feito com esmero, cuidado, sem pressa (ainda que apenas 2 anos depois de "= 1").
Como destaque eu colocaria "Arrogant Boy", que inicia com peso e velocidade, "DIablo" com seu refrão melodioso e seus duetos entre guitarra e teclado, "Sacred Land" com suas influências de música celta em meio a uma pancada sonora, "The Beating of Wings", uma balada blues deliciosa, e "Jessica's Bra" com seu riff inicial à lá Rush (a banda) e sua linha vocal maravilhosa.
Todas as outras músicas no entanto mantém a régua nas alturas. Simplesmente não há faixa ruim dentro deste álbum.
Finalizando: "SPLAT!" não é apenas o disco mais pesado do Deep Purple das últimas décadas, mas também um dos grandes álbuns dentro da extensa discografia da banda!
Músicas:
"Arrogant Boy" – 3:18
"Diablo" – 3:16
"The Rider" – 3:56
"The Lunatic" – 3:47
"The Only Horse in Town" – 4:41
"Sacred Land" – 3:32
"The Beating of Wings" – 4:00
"Guilt Trippin'" – 4:52
"Scriblin' Gib'rish" – 3:34
"Jessica's Bra" – 3:45
"Third Call" – 4:19
"My New Movie" – 3:45
"Splat!" – 3:39
BANDA:
Ian Gillan – vocals
Simon McBride – guitarra
Roger Glover – baixo
Ian Paice – Bateria
Don Airey – Teclados
Músicos Adicionais:
Keith Urban – guitarra em "Diablo"
Bob Ezrin – background vocals
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