Immolation anuncia a rápida e iminente autodestruição da humanidade no ótimo "Descent"
Resenha - Descent - Immolation
Por Mário Pescada
Postado em 25 de maio de 2026
Nota: 9 ![]()
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O death metal possui bandas que você escuta poucos segundos e já consegue identificar quem é graças a sua singularidade: assim acontece com os vocais do Obituary, o clima carregado do Morbid Angel, a violência do Krisiun e por aí vai. Se tem um grupo nesse meio que possui uma marca própria, sem dúvidas, é o nova-iorquino Immolation.
Mesmo sem estar muitas vezes associado aos grandes nomes do death metal como os citados acima - injustiça histórica - o grupo não abaixa a guarda e continua lançando bons discos atrás de bons discos. A história se repete com seu décimo segundo e assombroso "Descent" (2026), quinto lançamento do grupo no Brasil graças à parceria Shinigami Records com a Nuclear Blast Records.

Constância continua sendo para mim uma das palavras que melhor se encaixam ao que o Immolation faz: sua brutalidade, técnica e temáticas permanecem inabaladas, mas há um elemento a mais em "Descent" (2026): a afirmação de que o homem falhou e que isso irá lhe custar em breve, muito caro. "Quando olhamos para a história e vemos como as coisas eram no passado, pensamos: 'Nossa, como isso aconteceu? Como é possível?' E agora vemos isso acontecendo bem diante dos nossos olhos, então é uma sensação muito frustrante, mas também de pânico. Acho que o mundo inteiro está sob esse manto de medo e incerteza."
A mensagem do disco é clara: guerras, cobiça, avareza, fanatismo religioso, imposição e dominação de povos sobre outros povos estão levando o homem a sua rápida e iminente autodestruição. Adicione tudo isso a música extrema feita pelo grupo e você terá a sensação desconfortante de que não adianta, dias melhores não virão. "A humanidade está fadada ao fracasso, e é uma situação muito triste ter esse sentimento. Acho que esse é o espírito da época que predomina no momento, essa sensação avassaladora de desespero e falta de esperança, e acho que a arte da capa transmite isso perfeitamente", disse Robert Vigna. A imagem, que pode até remeter a alguma obra antiga no estilo John Martin, foi criada especialmente para esse disco pelo israelense Eliran Kantor. O medo e terror estampado no olhar do anjo atinge em cheio quem o encara.
O sempre elegante Vigna, ao lado de Alex Bouks, faz com que as guitarras sigam afiadíssimas. Ross Dolan impõe seus vocais guturais. Mas o maior destaque é Steve Shalaty: extremamente habilidoso, o baterista fez uso de tempos diferentes, ritmos quebrados e dos tom-tom, deixando as músicas mais dinâmicas, fora do caminho válido, mas comum, do blast beat indiscriminado.

"Descent" (2026) é outro degrau que o Immolation supera e eu continuo me perguntando, disco após disco: como é que uma banda desse quilate é frequentemente esquecida, mesmo lançando trabalhos muitas vezes acima dos seus pares mais famosos? "These Vengeful Winds", "God's Last Breath", "Bend Towards The Dark", "False Ascent" e "Descent" nos lembram porque o death metal é um estilo pouco amigável para boa parte do público metal: violentas, intensas, ameaçadoras.
O disco não coloca o Immolation no rol dos grandes nomes do death metal, ele ratifica seu lugar ali, pobres das almas que ainda ignoram o que essa seminal banda faz. Uma pontinha de luz no fim do túnel: o Immolation retornará ao Brasil em dezembro desse ano junto do Testament e Municipal Waste. Não perca, afinal, estamos a caminho do fim...
Formação:
Ross Dolan: baixo, vocais
Robert Vigna: guitarra
Alex Bouks: guitarra
Steve Shalaty: bateria
Faixas:
01 These Vengeful Winds
02 The Ephemeral Curse
03 God's Last Breath
04 Adversary
05 Attrition
06 Bend Towards The Dark
07 Host
08 False Ascent
09 Banished (instrumental)
10 Descent
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