Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Resenha - Paralyzed - Black Swan
Por André Luiz Paiz
Postado em 27 de junho de 2026
A ideia de um supergrupo é antiga, tendo suas raízes fincadas lá atrás, nas décadas de 1960 e 1970, com o surgimento de titãs como Cream e Asia. Se no passado essas reuniões eram eventos raros e espontâneos, hoje o mercado está saturado de projetos de estúdio que juntam nomes famosos apenas para gerar engajamento rápido, muitas vezes resultando em discos genéricos e sem alma. Felizmente, toda regra tem sua exceção, e o Black Swan se consolidou não apenas como uma exceção, mas como a nata absoluta dessa safra moderna.
Chegando ao seu terceiro registro de estúdio com "Paralyzed", o quarteto formado por Robin McAuley (McAuley Schenker Group), Reb Beach (Winger, Whitesnake), Jeff Pilson (Foreigner, ex-Dokken) e Matt Starr (Ace Frehley, Mr. Big) prova que tem verdadeira química de banda. Eles deixam claro que estão longe de ser um projeto casual e entregam, sem sombra de dúvidas, o melhor e mais eletrizante álbum de sua discografia.
Músculo, Guitarras e um Vocal que Desafia o Tempo
Ao contrário de outros projetos atuais que abusam de camadas adocicadas de teclados, o Black Swan joga o jogo do Hard Rock com os punhos cerrados. "Paralyzed" é um disco guiado essencialmente por guitarras pesadas, riffs com pegada de arena e uma cozinha absurdamente técnica e imponente. A produção cirúrgica dá o peso necessário para que as composições ganhem um tom moderno, mas sem perder o DNA oitentista que corre nas veias desses músicos.
E se o instrumental é impecável, a grande estrela da engrenagem atende pelo nome de Robin McAuley. É simplesmente inacreditável e impressionante testemunhar o que esse senhor faz no gogó aos 73 anos de idade. Ele canta com uma vitalidade, garra e potência que deixariam muitos vocalistas de trinta anos com inveja. O segredo está na própria estrutura das músicas: as composições foram desenhadas sob medida para empurrar McAuley ao seu limite, dando-lhe espaço para brilhar tanto nos momentos mais agressivos quanto nas dinâmicas melódicas.
Os Grandes Destaques de uma Audição Alucinante
O álbum flui com uma energia direta, sendo consideravelmente mais enérgico e pesado que os anteriores. Logo na abertura, "When The Cold Wind Blows" estabelece uma atmosfera densa, guiada por um riff monstruoso com a clássica assinatura de Reb Beach.
O trabalho atinge seu ápice absoluto na sequência de singles. "If I Was King" surge como um Hard Rock mastodôntico e moderno, onde o baixo estalado de Jeff Pilson dita o ritmo e o refrão explode de forma cativante. Já a espetacular "The Fire And The Flame" traz aquela pegada acelerada que remete aos melhores momentos do Whitesnake, servindo de tapete vermelho para solos refinados e cheios de feeling de Beach.
Para quem gosta daquela veia festiva e malandra do estilo, "Death Of Me" e "Shakedown" trazem ganchos radiofônicos certeiros. A velocidade e a agressividade pura do Heavy Metal ganham vida na faixa-título "Paralyzed" e na explosiva "Carry On", impulsionadas pela bateria cirúrgica de Matt Starr. E para provar que vulnerabilidade também é força, a power ballad "I'm Ready" entrega uma interpretação altamente emotiva de McAuley, resgatando a elegância nostálgica das grandes baladas de arena.
O encerramento com "What The Future Holds" traz um groove mais denso e arrastado, fechando as cortinas com chave de ouro e deixando a sensação de que o disco passa voando.
Veredicto: Um Disco Imperdível
Lançado mundialmente pela Frontiers e oficialmente no Brasil pela Shinigami Records, "Paralyzed" é um manifesto honesto, pesado e apaixonado pelo verdadeiro espírito do Hard Rock. Não há espaço para modismos ou experimentações artificiais aqui; o que o Black Swan oferece é uma coleção de hinos empolgantes feitos por quem ajudou a moldar a história do gênero.
Diante de tanta consistência e poder de fogo, este trabalho já nasce como um dos fortes candidatos a melhor disco do ano. É um lançamento simplesmente imperdível para qualquer fã que preze por grandes refrães, guitarras viscerais e uma aula magistral de canto.
Ficha Técnica – Black Swan: "Paralyzed"
Formação:
Robin McAuley – Vocais
Reb Beach – Guitarras e Backing Vocals
Jeff Pilson – Baixo, Acústicas, Teclados e Backing Vocals
Matt Starr – Bateria e Percussão
Tracklist:
When The Cold Wind Blows
The Death Of Me
Different Kinda Woman
If I Was King
Shakedown
Fire And The Flame
I'm Ready
Paralyzed
Carry On
Battered And Bruised
What The Future Holds
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Neil Peart, David Gilmour e Sid Wilson não concordam sobre o maior baterista do mundo
As 5 maiores bandas da história do heavy metal, em lista da Forbes
Skid Row anuncia seu novo vocalista, Justin Sargent
O pedido que Steve Harris negou a Nicko McBrain no primeiro show com o Maiden
Ed Motta diz que não é muito fã do Rush por conta da voz de Geddy Lee
O único membro do Metallica que saiu por conta própria, segundo Lars Ulrich
Falta de dedicação teria afastado o baterista Nick Menza do Slayer, segundo Kerry King
O clássico do Queen que Rick Rubin tentou estragar de propósito; "Era uma gravação perfeita"
Isa Nielsen anuncia nova banda de death metal e toca Sarcófago com Aquiles Priester
O que James Hetfield pensa de cantores que dublam nos próprios shows
O jovem guitarrista inovador que fez Eric Clapton lembrar da primeira vez que viu Prince
Os oito discos essenciais do thrash alemão, segundo a Ultimate Guitar
Regis Tadeu aponta problema no show do Iron Maiden e explica atitude do atual baterista
U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027

"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Immolation mantém a extremidade intacta com "Descent"
The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década


